Frase de Carina Gameiro
Anatômico A vida que se faz entre os ventrículos urgência silenciosa um motor cego, engenharia bruta sem licença, transmuta o mundo sem sossego Houve o silêncio, o quase, o não querer, a porta estreita o sopro hesitou mas o sangue, rio teimoso no dever, insiste, insiste em canais apertados encontra caminho Milagre pesado, sem seda, sem ornamento batida seca contra a grade das costelas uma aposta alta onde a alma não cede, não cede, e acende no escuro as próprias velas O átrio recebe o medo, o ventrículo devolve vida, gramática de carne indizível Pela fresta da pálpebra a dor cedeu e o soco do peito bate, bate, bate até fabricar luz. Carina Gameiro
No pensador.ai desde