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Frases de Bruno Fernandes Barcellos

178 frases

Planos ou desculpas? Com frequência recebo pessoas que falam de prazos, metas e limites. Prazo para mudar de um trabalho.
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Planos ou desculpas? Com frequência recebo pessoas que falam de prazos, metas e limites. Prazo para mudar de um trabalho. Prazo para um relacionamento "funcionar". Comparando com relações de conhecidos, e mais ainda com as relações dos desconhecidos. Muitos se colocam em testes e com um limite de tempo: -"Se não melhorar até tal data eu vou embora." Quase sempre passamos da data, do limite pré-estabelecido, com a constatação de que ainda não foi suficiente e um novo prazo e uma nova meta são estabelecidos. E ficamos anos nessa brincadeira de criar desculpas disfarçada de planos. Planejar é bom, ter metas é excelente, mas elas só servem se estão relacionadas ao que você quer. Muitas pessoas criam metas sobre o que não querem: -"Se acontecer outra vez eu me demito." -"Se falar assim comigo mais uma vez eu vou embora." Então o plano está em torno do dano, do acontecer de novo. Mas o que você quer? -"Ué, eu quero que me respeite, que me trate com dignidade." Então, isso não deveria depender do acontecer de novo. Respeito e dignidade deveriam ser cosntantes e não momentâneo. Me pergunto, por quê você deixa que façam isso com você? E se o que você quer não acontece agora, o que está esperando? Os ciumentos não querem ser traídos, e aí perseguem. Os medrosos não querem perder, e aí não vivem. Os valentões não querem ser agredidos, e aí agridem. Os dedicados, não querem ser desrepeitados, mas se submetem a tudo. Os preguiçosos não querem ter trabalho, mas dão trabalho aos outros. Os perfeccionistas não querem ser criticados, mas criticam os outros. Quando vivemos focasos no que não queremos, nos tornamos mais algozes do que mocinhos em nossa própria história. Aproveita hoje para se dedicar ao que você quer e a planejar atentamente o que precisa mudar para conseguir. Não adianta sonhar com um carro sem carteira de motorista. Com casamento sem relacionamento. Com trabalho, sem dedicação. Com conhecimento sem estudo. Com amor, sem dor. Com a vida, sem riscos.

O medo. Qual a forma do medo? Nenhuma e todas.
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O medo. Qual a forma do medo? Nenhuma e todas. Por não possuir uma forma definida, pode assumir qualquer forma. Já nascemos com medo? Não, nascemos com a capacidade de sentir medo, mas o medo ele é uma articulação. Articulação do quê? Podemos pensar, para ilustrar, no medo em camadas, apenas para exemplificar que o medo é algo desenvolvido. A origem do medo é sensorial, começa com o desconforto. Desconforto em sentir fome, sede, dor e sono. Com o avançar do desenvolvimento aprendemos que este desconforto pode ser apaziguado. Para a fome e a sede, alimento, para o sono, domir e para a dor? Para a dor, amor. A dor é parcialmente desfeita pelo colo, abraço, aconchego e claro, alguns medicamentos, mas que ainda não fazem sentido para um universo infantil. Registramos apenas que abraço cura, beijo alivia, amor cura. Com isso, podemos pensar que temos a origem do medo e do amor, um existindo em relaçao ao outro? E aí desenvolvemos a primeira camada do medo, entre a dor e o amor, o medo. O medo da dor, da fragilidade, do desamparo. 1 camada - medo da vulnerabilidade. Ausência da mãe ou do pai, sozinho no berço, no colo de um estranho. 2 camada - medo sem forma. Bicho Papão, Boi da Cara Preta, Monstro do Armário, ou em baixo da cama, Homem do Saco... Seres sem forma descritiva, que assim podem facilmente representar o medo da dor, da fragilidade que somos e revelar a nossa vulnerabilidade. 3 camada - medo amoroso. Ser esquecido, abandonado, mal-visto, criticado em especial pelos pais. Medo de perder o amor do outro, de ser trocado. 4 camada - medo racional. Após ter vivenciado ou assistido algum assalto, receio de passar em um lugar deserto, medo de um tiroteio, prevalecendo a iminência do perigo e pontual, diante de um ocorrido ou de algo que está para ocorrer. Receio de algo real que oferece risco real. 5 camada - medo irracional. Medo de barata, medo de trovoada, medo de escuro, medo de gato, medo de cachorro (independente do seu porte ou ferocidade), medo de ficar em casa sozinho. Medos que são recorrentes e que são apazoguados com medidas pouco eficientes, como falar ao telefone enquanto está sozinho. E são objetos sem risco efetivo. O medo busca sempre um objeto no qual ele possa ser representado, porém, o medo não é do objeto. Não é medo do avião, medo da barata, medo do Bicho Papão... É medo do que estas coisas representam, por isso todo medo é uma articulação das diversas camadas, mas que possui uma raiz, o medo da dor e da própria finitude, tanto quanto ser vivo, como ser social. Cair em uma vergonha pública para alguns é a morte... Fora o medo do medo, que paraliza. E também os medos que não sabemos, ou não percebemos, mas que estão sendo utilizados para nos boicotar, desistir de um trabalho, de um relacionamento, ou de uma ideia. E este medo se disfarça de crítica. O desemparo inicial, que se enrosca em diversos nomes e precisa ser encarado, para que cada um, em sua singularidade, possa desvendar as suas próprias articulações, e assim colocar o amor (vontade) maior que o medo. Todos tem medos, eles só não precisam ser maior que você.

A importância das relações desnecessárias. O campo da necessidade, é o campo da sobrevivência, é nele que nosso corpo funciona nos primeiros meses de vida. Precisamos de aquecimento, alimento, precisamos dormir, e nos higienizar.
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A importância das relações desnecessárias. O campo da necessidade, é o campo da sobrevivência, é nele que nosso corpo funciona nos primeiros meses de vida. Precisamos de aquecimento, alimento, precisamos dormir, e nos higienizar. No entanto, nesse período não temos condiçoes de fazermos isso por nós mesmos, e o outro é necessário. Alguém que nos alimente, nos aqueça, vigie nosso sono, nos limpe e seja nosso porta-voz, alguém que nos comoreenda e decifre nosso desespero O outro é necessário, se não morreríamos nesse período. Mas ao avançar do tempo e do desenvolvimento, começamos a ser capazes de nos posicionar, pedir e e conseguir o que precisamos. E começamos uma travessia por um campo nebuloso, do querer. Querer nem sempre é precisar, posso querer o desnecessário. Posso querer o travesseiro do desenho animado, a bota do super-herói, a mochila da princesa. Quanta coisas podemos querer sem precisar. E outro? O outro também é atravessado, e elevado à este novo campo. O outro passa a ser querido, ele não é cabe mais no campo da necessidade, ele me quer e eu também o quero, nos queremos. Mas querer não é poder, e então o medo vem. E se o outro não me quiser mais? Talvez ele ainda precise de mim... É, é isso, vamos voltar algumas casas e manter o jogo no precisar. Assim, o outro precisa de mim e eu preciso do outro e a gente não se larga mais. Mas que chato, tudo o outro me pede, o outro não me larga, não me deixa sair sozinho, me segura, me aperta e me sufoca. Mas não foi você que escolheu este modo de viver? Claro que não, eu só queria alguém de verdade, alguém que eu tivesse certeza que gostasse de mim. Esse é o problema, só temos certeza das nossas necessidades, mas das nossas vontades jamais. Um querer só pode ser sabido, após sua realização. Só depois posso confirmar minha aposta, antes não. Não posso escolher alguém pela certeza de seu amor por mim, mas posso escolher alguém pela ousadia e a coragem de amá-la.

Férias e memória. Produzimos memórias o tempo todo, algumas são registradas com maior intensidade que outras devido ao afeto despertado por estas vivências. Nas férias, em geral, nos disponibilizamos para viver momentos mais surpreendentes, menos defendidos e mais agradáveis po…
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Férias e memória. Produzimos memórias o tempo todo, algumas são registradas com maior intensidade que outras devido ao afeto despertado por estas vivências. Nas férias, em geral, nos disponibilizamos para viver momentos mais surpreendentes, menos defendidos e mais agradáveis por serem da nossa escolha e não um dever de trabalho. Então minhas propostas para as férias são: 1. Vá a um lugar diferente ou novo; 2. Reencontre amigos; 3. Tenha metas simples; 4. Lembre-se que trânsito, mudanças no clima ou nos planos podem acontecer e isso não é em si um problema, depende da sua criatividade e do seu bom humor; 5. Não deixe seus hábitos ou vícios determinar seu dia, beber uma cervejinha não é um problema, mas não precisa ir para um lugar diferente e passar o dia no bar, se permita conhecer outros espaços e ideias; 6. Seja responsável e não estrague as férias dos outros, então se beber não dirija, taxi sai mais barato que uma nova habilitação ou a vida das pessoas; 7. Antes de ficar exaltado, pense se no carro da frente possui crianças ou idosos, e se for gentil talvez resolva ao menos 50% do transtorno; 8. Se ficar pensando no trabalho ou nos problemas, você nunca sairá de férias! 9. Registre, esse momento é uma oportunidade de fazer histórias; 10. Divirta-se!

Aprender ou inventar? Crescemos com a repetição de que precisamos aprender, e assim vamos à escola, cursos, consultas médicas ou esotéricas na busca pelo conhecimento. Precisamos reconhecer que não nascemos sabendo, e que algo precisa ser apreendido. Fato.
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Aprender ou inventar? Crescemos com a repetição de que precisamos aprender, e assim vamos à escola, cursos, consultas médicas ou esotéricas na busca pelo conhecimento. Precisamos reconhecer que não nascemos sabendo, e que algo precisa ser apreendido. Fato. Porém, quase ninguém ensina que algo também precisa ser inventado. Não, não falo de ser um novo gênio da engenharia ou revolucionar a medicina... Falo em relação às coisas ordinárias, e me refiro ao significado de cotidiano, porquê em relação ao ordinário da sacanagem somos bem criativos... Seja inventivo em relação ao ordinário, sem a meta de fazer algo extraordinário com a sua existência ou com a humanidade. Portanto, aprender e inventar são ótimas opções, e funcionam melhor quando articuladas. Mas entenda, inventar significa reconhecer que algo não se aprende e também não se ensina. Não se queixe da sua faculdade, dos seus pais ou do cursinho que "não ensina" o que vivemos na prática, porquê a prática é em sua maior parte inventada. Cada pessoa executa a mesma técnica ao seu modo, e isto é invenção. Cada professor transmite uma aula ao seu estilo, e isso é invenção. Cada pai e cada mãe educa seus filhos de forma singular e isso também é invenção. Já temos muitas versões, e repetições do mesmo, o desafio é fazer "o mesmo" de maneira original. Então, quando pensar no que vai fazer pessoalmente ou profissionalmente nos próximos dias da sua existência neste ano ou no ano novo, lembre-se de buscar conhecimentos, articular as informações e imprimir sua marca na execução, seja inventivo e reconheça sua singularidade como oportunidade de fazer algo de uma maneira que apenas você pode fazer.

Sobre dar o que não se tem. Como é complexo ofertar ao outro aquilo de que somos para sempre deficitários e carentes. E quão doloroso aguardar por isto com esforço e não receber o esperado.
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Sobre dar o que não se tem. Como é complexo ofertar ao outro aquilo de que somos para sempre deficitários e carentes. E quão doloroso aguardar por isto com esforço e não receber o esperado. Ser humano é um sobrevivente destas faltas, e de penhasco em penhasco vai costurando suas lutas. Com dor, com medo e mesmo com raiva o desafio é prosseguir. Algumas mágoas não tem reparo, e algumas dores não passarão, mas elas se aninham em nosso peito e caminhando conosco elas seguirão. Entenda, não se trata de resultados ou retorno, de troca ou devolução, do amor que ressente hoje, amanhã e depois de amanhã ainda persistirá em seu coração. Cada espaço que um dia foi ocupado, permanecerá guardado com emoção e novos espaços serão criados, com um amor renovado em outra razão.

Por quê ir ao Psicólogo? - Como uma pessoa que nem me conhece vai me ajudar? - Então, o cara ou a mulher vai me dizer o que fazer?
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Por quê ir ao Psicólogo? - Como uma pessoa que nem me conhece vai me ajudar? - Então, o cara ou a mulher vai me dizer o que fazer? - Eu tenho um problema, mas todo mundo tem... - Se não vai me dizer o que fazer de que adianta ir? - Eu já sei os meus defeitos, e vou mudar, só uma questão de tempo e força de vontade. - Eu já vou ao Psiquiatra. - Meu Cardiologista já me receitou um calmantezinho. - Minha terapia é o trabalho. - Minha terapia é uma gelada. - Eu sou bem resolvido, as pessoas que reclamam demais. - Eu sou apenas ansioso. Bom, se já pensou, disse ou ouviu alguma dessas frases, você talvez não tenha a menor ideia do que faz um Psicólogo, não é? E também não está fazendo muito esforço para descobrir. Então vou oferecer a minha humilde contribuição. Sabe, você tem razão quando diz que todo mundo tem problema. Todos têm algum problema mesmo, seja no trabalho, nas finanças, na família, nos amores ou na falta deles... Mas do seu problema quem tem cuidado? Você? Mas está cuidando bem? Realmente as estratégias que você tem usado estão alcançando um resultado de melhora? Não? Hum... Será que você já tentou mudar a estratégia? Já, mas mudou para uma outra que um amigo do primo da sua esposa te sugeriu? Sei... E essa estratégia funcionou com ele, mas não com você? Talvez porque ninguém seja igual, né? Esse é o ponto inicial da nossa conversa. Lamento te informar, mas você é único. Isso significa que as melhores soluções do mundo podem não servir para você. Isso que dizer que um Psicólogo vai me dar a solução especial? Ah, não, não mesmo. Isso seria ótimo se fosse possível, mas não é. Então de que adianta?! Essa é a parte legal da história, você está pensando que existe uma resposta pronta e que alguém vai te oferecer essa resposta em troca de alguns trocados. E essa parte da sua tese que está equivocada. Não se trata de alguém saber o segredo e te contar, o que a psicologia te oferece é a possibilidade de construir, sim, construir uma nova posição, uma nova estratégia e uma nova compreensão da sua própria vida. Mas como que um Psicólogo vai fazer isso? Em primeiro lugar, te escutando, afinal não disse que você é único? Portanto é preciso conhecer este ser singular e junto com ele perceber e tomar ciência dos seus conflitos e desejos. Tá, mas vou saber isso e daí? Bom, conseguindo se perceber melhor, você terá a chance de reavaliar suas posições, sua forma de lidar com os acontecimentos e entender a causa dessa sua reação. Ou você acha que sua ansiedade não tem um porquê? Ah, não, não adianta pôr a culpa no seu chefe, no relacionamento, nos filhos, no trânsito. Não. Você mesmo não disse que todo mundo tem problema? Então, a pergunta é porque esses problemas deixam VOCÊ (ser único) nesse estado? Tá bom... Aí eu vou ficar pensando nisso e? Pensar nisso é mais que uma simples reflexão, é um processo de pesquisa, de analisar as causas, influências, origens dessa sua forma de reagir. E se eu conseguir entender isso tudo aí? Então você terá oferecido a você a chance de construir uma nova forma de agir e reagir. E isso com a ajuda de um profissional. Que poderá com pontuações, observações, questionamentos e técnicas específicas auxiliá-lo a fazer as alterações que deseja. Você sabia que para se tornar Psicólogo são necessários 5 anos na faculdade? E nesses 5 anos, são apresentados conhecimentos de filosofia, biologia, neurologia, história, psicologia entre outros? Além dos estágios supervisionados em vários campos. E sabe uma coisa bem legal que os Psicólogos NÃO fazem? Eles não te julgam. Eles te escutam, te acolhem e te ajudam, mas respeitando sempre as suas posições, crenças e escolhas. Se ainda não se convenceu, vou te fazer uma proposta, marque algumas consultas e tire as suas próprias conclusões. Filmes, séries, Google ou amigos não são tão confiáveis quanto a sua própria vivência.

Memória é atenção. Muitas pessoas com idade inferior aos 60 anos me relatam problemas com a memória. Na maioria das vezes é um problema de atenção.
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Memória é atenção. Muitas pessoas com idade inferior aos 60 anos me relatam problemas com a memória. Na maioria das vezes é um problema de atenção. A memória tem dois mecanismos básicos: -o registro de algo; -o resgate do que foi registrado; A maior queixa é sobre o resgate: -não lembro onde estacionei o carro; -não sei onde deixei os documentos; -perdi a carteira, mas acho que está dentro de casa; Problemas comuns, que todos já passaram ou passarão, porém o que as pessoas menosprezam é a correria com que fazem as coisas, a quantidade de pensamentos que tentam resolver ao mesmo tempo e assim vivem com uma atenção muito baixa, seguindo quase no automático. Assim, deste modo acelerado e desconcentrado, como fica o registro das atividades menores, que não são tão importantes? Péssimo! Portanto, lembrar é ter atenção, perceber o que está fazendo, se possível falando em voz alta o que é e aonde está guardando algum objeto. Reparar as placas e números de onde você está, seja em um estacionamento ou em uma rua, pontos de referência são sempre bons. Então, antes de se desesperar, respira e avalia como você tem gerido sua vida. A maioria dos problemas começam quando tentamos dar conta de tudo.

A consciência da perda da inocência. Fico sempre um pouco aflito quando vejo nos olhos de uma pessoa (amiga ou paciente) que ela começou a perceber a cadeia de comportamentos dela mesma ou de outra pessoa, e que os fatos, antes isolados e pouco relevantes, passam a se tornar uma…
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A consciência da perda da inocência. Fico sempre um pouco aflito quando vejo nos olhos de uma pessoa (amiga ou paciente) que ela começou a perceber a cadeia de comportamentos dela mesma ou de outra pessoa, e que os fatos, antes isolados e pouco relevantes, passam a se tornar uma história bem amarrada, indicativa de uma escolha, consciente ou não. Em geral é um olhar para um vazio, recheado de significados, meio espantado, às vezes triste e às vezes portador de uma satisfação por desvendar aquele enredo. Fico aflito pois esta é uma fronteira que nunca sabemos se, quando ou como cada um irá atravessar. E após realizar a travessia se torna bastante difícil retornar. Como dizia um paciente: "é impossível desver." E de fato, algumas coisas após a conscientização são impossíveis de serem acobertadas, pois deixa de ser um ato inocente, para um ato deliberado. Se antes não tínhamos culpa, ou ao menos, nos desvencilhávamos dela por alegar não saber, após sabido, seremos responsáveis por nossa omissão. Tomar consciência é abrir mão da inocência, uma inocência que podemos questionar se algum dia existiu, mas que muitas vez convenceu a quem a portava. E assim, enxergando, escutando, sentindo e percebendo se ganha o direito e o dever, o prazer e a dor do livre-arbítrio. Temos o direito e o prazer da liberdade, mas com a dor e o dever de renunciar a cada decisão. Por isso a resistência em crescer, em enxergar, em escutar e em saber, inclusive com isso se perceber pequeno e impotente diante de tantos não-saberes. Mas é através destes confrontos, destas tensões que nos colocamos no mundo enquanto singularidades. E por mais que perder a inocência seja desagradável, a existência fora dela é que tem sabor. Bruno Fernandes Barcellos

A perspectiva de futuro é necessária. Na Psicanálise uma das saídas da fase edipiana é uma aposta no futuro, o que não se pode naquele momento será buscado em outras fontes em um amanhã. Porém, quando se retira essa perspectiva de futuro, seja de uma criança ou de um idoso, o q…
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A perspectiva de futuro é necessária. Na Psicanálise uma das saídas da fase edipiana é uma aposta no futuro, o que não se pode naquele momento será buscado em outras fontes em um amanhã. Porém, quando se retira essa perspectiva de futuro, seja de uma criança ou de um idoso, o que lhe resta? Se não tivermos direito a um futuro, mesmo que limitado ao tamanho dos nossos sonhos e decisões, que escolhas teremos no presente? Muitas vezes é pensando no que podemos ganhar ou perder no futuro, que decidimos o presente. Mas se não houver este futuro, tomaremos o mundo por um imediatismo suicida. Pelo prazer mais intenso no agora, pela fuga da dor, pelo tudo ou nada. Por uma vida em que o sentido não será construído, mas sim consumido. Por isso, antes de dizer que o seu plano ou o plano de alguém não vale a pena, tenha atenção em ver quais são as outras opções. Fantasiar um futuro ainda é um meio de suportar o presente, e para algumas pessoas é o único meio.

A preguiça é uma versão da omissão. Como é difícil ter uma vida inteira de escolhas. Começamos nos brinquedos, passamos pela faculdade, trabalho, amores e desamores.
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A preguiça é uma versão da omissão. Como é difícil ter uma vida inteira de escolhas. Começamos nos brinquedos, passamos pela faculdade, trabalho, amores e desamores. Fazemos escolhas todo dia e o dia todo. A verdade é que cansa, ou o que cansa é a verdade... Que peso enorme esse tal de livre-arbítrio, como é fácil a vida dos animais que simplesmente seguem seus instintos. Não enfrentam fila no mercado, não pagam juros no cartão de crédito, não precisam acompanhar as notícias insanas da política. Apenas nascem, crescem, se reproduzem e morrem. Ok, nós também, mas o nosso caminho não é linear, não somos limitados aos nossos instintos, nós temos desejos, referências, educação, valores, religião e medos, muitos medos. E é essa constante liberdade condicional que nos traz a dimensão da responsabilidade. Do desafio de responder por cada decisão, seja ela pensada ou impulsiva, consciente ou inconsciente, adulta ou infantil. E em algum momento a preguiça, aquela falta de vontade, aquele estado letárgico que nos faz querer apenas o nada vai surgir. Às vezes ela é até necessária, uma pausa para respirar e aproveitar a vista. No entanto, em alguns casos, ela é a constância, ela vem na frente, amarrando os passos que até se pensa em dar, porém não damos. Se omitir, calar, não falar também é bom e pode evitar grandes conflitos, mas quando nos acomodamos nessa posição, quando escolhemos não escolher, estamos nos omitindo de existir.

Estar presente é se importar. Vemos que existem relações que crescem, relações que se estabilizam e relações que se corroem. As causas são várias, do amor ao medo, da ambição à inveja.
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Estar presente é se importar. Vemos que existem relações que crescem, relações que se estabilizam e relações que se corroem. As causas são várias, do amor ao medo, da ambição à inveja. Essas coisas humanas, entre ser admirável e detestável, e com a percepção de que cabe de tudo um pouco em cada um. Somos o que ecoa de nós no outro e do que ecoa do outro em nós. Neste aspecto, um ponto fundamental para uma dinâmica crescente, em que a parceira e a profundidade da relação seja maior que antes, é se importar. Dar importância ao seu parceiro, as suas vontades, aos seus sonhos, às duas ideias. Isso não significa concordar, aceitar passivamente ou se anular. Mas sim, significa participar desta ideia com a sua contribuição, com seu olhar, com as suas ideias do que pode ser feito, da maneira que pode funcionar e em algumas vezes puxando o outro para a realidade questionando se é possível neste momento realizar estes planos. Em geral, as pessoas se sentem mais acolhidas quando percebem que suas ideias foram ouvidas, e quando recebem respostas concordando ou discordando com algum argumento que a toque, que entre em sintonia com sua causa. Mesmo em uma discussão, em um desentendimento, quando se importa com o outro, você se faz presente e aí é possível buscar uma saída em conjunto. Pois até para discutir e repensar a relação é preciso estar presente.

Nota sobre elas. São enigmas, uma fonte de vida, um olhar que seduz, um perfume que inspira, um colo que cuida. São cruéis quando se vingam, são adoráveis quando sorriem, admiráveis em sua independência e múltiplas capacidades.
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Nota sobre elas. São enigmas, uma fonte de vida, um olhar que seduz, um perfume que inspira, um colo que cuida. São cruéis quando se vingam, são adoráveis quando sorriem, admiráveis em sua independência e múltiplas capacidades. São mistérios, que nos provocam ao se deixar desvendar, são sutis em dominar. Elas são várias, de tamanhos e formas diversas, em cada uma um sonho, uma história e uma forma singular de ser mulher. E com elas a vida ganha sentido, em sua forma inesperada de ser bem mais do que sabemos decifrar.

Não se faça de argila. Em muitos relacionamentos observamos que um dos parceiros vai se transmutando lentamente. Começa se afastando dos amigos, mudando alguns gostos e, de repente, vira uma cópia mal-feita do seu parceiro.
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Não se faça de argila. Em muitos relacionamentos observamos que um dos parceiros vai se transmutando lentamente. Começa se afastando dos amigos, mudando alguns gostos e, de repente, vira uma cópia mal-feita do seu parceiro. Assim são em geral as relações de dependência, em que, sem perceber, um dos parceiros vai acreditando que tudo que gosta, pensa e sente tem "total" afinidade com seu parceiro. É importante em qualquer relação fazer renúncias, mas também é importante fazer acordos e impor limites, e ter reflexões críticas sobre a relação, sobre si e sobre seu parceiro. Quando não percebemos que estamos colocando o outro como significante mestre, como o "tudão" da nossa vida, corremos um grande risco de viramos um lindo vaso moldado ao gosto do outro. Assim, precisamos rever nossas referências de afeto, nossos ideias de relacionamento e acima de tudo, nossa autoestima. Só assim podemos conhecer e reconhecer nossa história e nos livrar das repetições trágicas. Como cantou Gilberto Gil, é preciso aprender a ser só, é preciso aprender a só ser.