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Frases de Antonio Montes

876 frases

A FILA Lá vai a fila... No rosto esta a tristeza
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A FILA Lá vai a fila... No rosto esta a tristeza no peito a esperança o plano carrega o futuro burlando a confiança. Os olhares d'essa fila carregam lá suas duvidas... Nas aglomeradas e procissões a vida quase perdida e os corações já sem vida. Lá vai a fila... As lagrimas até secaram de tanto choro sem ouvir os filhos abandonados os frutos secos minguado e água longe daqui. É fila para saúde que a doença aglomerou e das ganâncias dos homens a onde a fome esbanjou é fila pra vidas futuras na secura do amor. Lá vai a fila... Para passagens das alturas já estão vendendo ingresso para uma vida segura toda cheia de confesso... A salvação esta a venda na fila do grande progresso. Já tem fila para a fé pagando o além do além se pagar mais, salva a mulher filhos avos nora e um bem se não pagar vai para baixo padecer pelo fiasco e nunca mais será alguém. Antonio Montes

INUMAÇÃO Em dia de funeral... As lagrimas e as lembranças
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INUMAÇÃO Em dia de funeral... As lagrimas e as lembranças vêem de graça não cobram nada pelo choro, ou desespero inconsolado da perca ... E ainda trarão, tristeza fúnebre para pincelar o momento afastar e felicidade e perpetua-se sob o tempo. Para acomodar-se com esse sepulcro desse bocado, todo torto, e a repugnação desse sucumbir essas catacumbas e d'essas esculturas gélidas sobre os rostos talhados pela tristeza... Aparece esse ser... Açougueiro do além, com sua lâmpada escura sedento por esse liquido rubro de sangue, ceifando planos e as esperanças humanas. Em dia de funeral... Vem esse evento macabro essa marcha fúnebre essa cidade de catacumbas frias o sepultar desse bocado torto a perpetua-se sobre as costas do morto. Antonio Montes

DISSOLUTO Como balão, flutuou pelo ar espatifou-se no chão,
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DISSOLUTO Como balão, flutuou pelo ar espatifou-se no chão, e assim, que debruçou-se sobre o leito da mãe natureza... Saiu escorregando da poça d'água e molhado... Com cara de cachorro, como se tivesse caído do caminhão... Foi até o barranco da margem da estrada e ali se sentou remoendo, como bode baforando bafos de fogo invisível como se fosse um dragão. Antonio Montes

PLÁCITO Tu se lembra, de quando nos conhecemos?! Tantas juras! Tantas promessas!
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PLÁCITO Tu se lembra, de quando nos conhecemos?! Tantas juras! Tantas promessas! Éramos tão felizes! Você me prometeu, tantas coisas... Me prometeu estrelas e eu brilhei com seu cintilar Me prometeu a lua e eu, deslumbrei com sua prata, você me prometeu o arco-íres e eu, me perdi na tonalidade de sua cor. Fizeste promessas, juras de verdades enquanto eu me saciava de felicidade. Tantas juras bacanas! Que pena... Que pena terem sido todas de: porcelanas hoje quebradas, eu vejo apenas, lagrimas desses olhos de promessas, E esses olhos meus, que antes eram antenas, e faziam procissão pelas suas promessas hoje opacos... Choram por todas as noites de solidão e por todos os sonhos, desse abandonado coração. Antonio Montes

AGRURA Tanta fumaça! Nesse quadrado de lembrança...
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AGRURA Tanta fumaça! Nesse quadrado de lembrança... enquanto a ausência se faz alvo A saudade chicoteia o presente. As lagrimas por certo... Tentam em vão um aclive reto e, em deslavo dos pensamentos, o umedecer do incrível deserto. E, essa flecha de pontiaguda lembrança mira em tudo que esta longe transferindo e ferindo tudo que esta perto. Nesse ínterim... O oásis é apenas, miragem de sentimentos e os sonhos vagam por... trote desgovernado de ferraduras e por pedregulhos íngreme de pesadelos. Por mais uma vez, o encharco do ser é a única maneira de alvorecer para logo, despencar no esquecido e ver a cabeça doer sob o amanhecer. Antonio Montes

ULTIMA MÃE Prepare-te... Oh minha rainha que eu estou indo pra ficar
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ULTIMA MÃE Prepare-te... Oh minha rainha que eu estou indo pra ficar deixarei saudades aqui e com tudo lá, eu vou chegar eu, não sei de onde vim mas para os teus braços... Sim, sim! Eu vou voltar. Estou apto de minhas vontades oh!’ terra bela majestosa me leva com rimas e prosa rainha fera bondosa saiba, que vou sem intimidade gananciosa mãe... Gulosa. Eu vou, mas... Pelo teu querer me adentrar nesse teu leito tu!’ queres todos após morrer nessa insaciável fome de você com defeito, ou sem defeito. Recebe tudo que te pertence sem distinção de cor ou raça religião, nação, credo ou ser tanto faz, crer ou não crer se chega o tempo... Você traça. Antonio Montes

ADVENTO Vem as aulas bolsas e malas
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ADVENTO Vem as aulas bolsas e malas com suas salas. Os professores... Com seus ensinos e seus clamores seguindo esquemas com suas flores feitas de pinos cheias de tremas em suas novenas. Quantos tramas! Para os menino... Inocentes que amam todos seus traumas manipulando o destino homologando hinos em seus desatinos. E o aprendiz?! Alguém quis alguém não quis... O quadro preto... não consta racismo e a velha lousa com todas palavras... feita de giz, ali estão frágeis mas todos felizes. Vem novo ano feito de planos embrulhado a panos estão as travas, travando falas! Já repetidas em outros anos. Alguém se cala alguém se arrasta dentro dos sonhos outros resvalam nos desenganos que em forma de flecha... Tropica pra baixo ou voa pra riba flechando fulano. Fulano aprende, ola sicrano para roubar as vezes partidas em seus calhamaços as vezes janeiro com miado de março. Antonio Montes

JANELA DO EDIFÍCIO Não sou pássaro... Não tenho asas, nem sei voar
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JANELA DO EDIFÍCIO Não sou pássaro... Não tenho asas, nem sei voar Mas aqui, no apartamento desse edifício ... Eu pairo sob alturas, e vivo sobre o ar. Pela janela desse apartamento meus olhos perambulam o horizonte e se perdem, pelas ruas, prédios, luminosos e placas de latas e voltam a vagar sob o ar, onde o oxigênio do tempo se mistura com a poluição de fumaça. Aqui desse apartamento, no meu sedo... Eu vejo o sol galopando sobre as paredes dos prédios e o horizonte camuflando-se sob as sombras do meu tédio... Eu vejo pássaro vindo da sua mecânica zumbindo em suas carenagens brancas, transportando vidas e bombas para estraçalhar, sua carrancas franca. Da janela desse edifício... Eu vejo o transito impedido Permeando viadutos e pontes e ao longe, um crepúsculo sob o tempo de uma tarde sombria, aonde arranha céus gigantes e casas se camuflam sob horizonte. Eu vejo a lua se esgueirando sobre os telhados, aflorando em seu reinado, e como se fosse espelho, ela faz demonstração do São Jorge, dragão espada e aquele seu cavalo branco. Aqui de cima, eu fico observando os mares da vida... Da para ver o semáforo da encruzilhada assinalando os sonhos e fazendo do pesadelo, uma parada... Dá para sentir os pulmões da vida embebidos pela poluição e stress... Doentes de bronquites, pneumonia e outras mazelas clinicas. Da janela desse edifício... Dá para ver... Rostos cansados disputando lugar sob a fila do ônibus e metro, esses rostos estão voltando do trabalho da para ver também, rostos apressados e enfadados correndo para seus empregos. com medo de perder a hora e embaralhar seus planos... Da para ver e sentir o mundo os pergaminhos e os dogmas inventados por esse ser humano. Antonio Montes

FLOR DO PECADO A minha flor do pecado são beijos doces molhados
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FLOR DO PECADO A minha flor do pecado são beijos doces molhados com corpo todo tremendo com fôlego todo afobado. São buchichos ao ouvidos sofreguidão com segredo muitos afagos atrevidos e chamegos sob enredos. A minha flor do pecado é a silhueta do corpo seu frenesi, bobo abestalhado zunindo no tino meu. A minha flor do pecado treme e geme o coração me deixa assim estonteado desembestando em paixão. Antonio Montes

DUVIDAS COM A MORTE Morte, oh morte... Ninguém quer lhe beijar ... Mas você beija... E beija sem amar!
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DUVIDAS COM A MORTE Morte, oh morte... Ninguém quer lhe beijar ... Mas você beija... E beija sem amar! Em sua anciã insaciável, beija e leva e quando acaba de beijar... Deixa lagrimas, saudade e sentimentos de trevas. Morte, oh morte! Que mania é essa de ser insatisfeita?! Anda, lado a lado como se fosse sombra, não dar ouvidos a nada e ainda assombra o ato no qual estronda, como se fosse bomba. Morte... Você poderia me dizer... Com qual cor jeito e forma, você vai me convencer? Como vem quando vem? Poderia me dizer, se quando vir irá me levar de: dia, noite, tardinha ou será ao amanhecer? Estarei serio, triste, ou na alegria? ... Tirar, você me tira, sua caduca... Mas nunca tira as minhas duvidas. Não me tome por mal gosto ... Me diga com qual rosto você vem buscar o meu gosto?! Em qual meio irá me pegar? estarei dormindo, ou acordado? Em qual estação será? Será sol ou será chuva... Dá para tirar, as minhas duvidas! Com certeza você veio da ditadura ou faz parte de algum planalto planeja sem dizer, e aprova e quando menos percebemos... Já fazemos parte do seu fardo. Antonio Montes 01/06/17

MENINA SOLTA A menina que nunca foi minha um dia, foi de João...
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MENINA SOLTA A menina que nunca foi minha um dia, foi de João... Singela, de amor inocente em labaredas de paixão. Com chamego perenal decaída em sua chama Maria ainda pequena tinha seu fogo carnal. A menina que nunca foi minha já tinha doce, já tinha rima corpo de mulher, ar de menina por paixão, já tinha sina. Era doce como pólen atraindo, colméia de abelhas tinha sua pele mole em seu fulgor de centelha. Antonio Montes

O QUE FICOU? Perguntaram-me, o que ficou do meu amor...
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O QUE FICOU? Perguntaram-me, o que ficou do meu amor... Ficou o gosto de flores nas haste do meu jardim, aroma de chuva molhada na varanda do meu verão. O arco-íres de cores... Sob o céu da minha saudade o riso da nossa alegria no quarto da recordação. Ficou, eu... E a solidão e a tritura dos meus sentimentos as recordações de uma paixão em um mundo, triste e tenso. Ficou as lagrimas da vida molhando o ar meu amar e, todas as musicas preferidas que choro ao escutar. Do nosso amor ficou você imperatriz dos sonhos meus e a tristeza desse querer depois do seu triste adeus. Antonio Montes

CHORA! Se você quer chorar, agora Então chora
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CHORA! Se você quer chorar, agora Então chora Não precisa agora... Esconder o seu chorar. Esconder só porque... nesse momento os olhos do tempo se faz aurora. Se você quer chorar n'essa hora, chora! Pode chorar... Chora sem demora... não é feio o choro quando chora por amar. Antonio Montes

NOITE TENSA Tensa noite, noite... Uma sombra no canto
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NOITE TENSA Tensa noite, noite... Uma sombra no canto ... Gritos, pedido de socorro ladrar de cachorro estampido, estouro ao escuro, desencanto. Cidade ao pé do morro um desencanto desacato eu cato um olhar arregalado catando medo, olho Pela brecha, do segredo eco se calam. Ao golpe da foice tenso... Boca se fecha sem fresta e ao secreto, tudo se dissipa, com o primeiro tempo. Antônio Montes

COMO EU João! João vive como eu... Pobre assalariado,
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COMO EU João! João vive como eu... Pobre assalariado, fincado no emprego comida, todavia simples desagregado da liberdade nunca tem tempo! Para viver em total felicidade. João, mora como eu... Mora em casa simples... As vezes desmorona, as vezes seu bairro se alaga... João paga... Paga, esgoto, luz, paga água... Comida, bebida condução e aluguel paga tudo, nunca tem nada! O João passa como eu... Sempre na falta do mundo passa por emprego, pela fome passa por ai com esperança passa desempregado passa até mesmo... A vergonha de ser homem, homem em um país que os mandantes são lobisomens e esses animais tem auxilio para tudo, tudo... Até mesmo para desviar todo o nosso tesouro, e depositar... Nas terras de outros homens João morre? Sim! Sim, o João morre como eu... Sem dinheiro para ser enterrado, bramura silenciosa poucas lagrimas... Morre em uma casa desprovido de riqueza sobre uma cama apertada, duas tabuas como mesa e bocas bocejando p'ra você... Coitado, uma pessoas tão boa! Homem integro um nobre ser. Antonio Montes

MAÇÃ E GRUTA Meus pés molhados, em águas rasas, findo...
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MAÇÃ E GRUTA Meus pés molhados, em águas rasas, findo... De oceanos esquecido e fundos perdidos... Sob beira de praia, vago assim, como Adão se perdeu em seu paraíso. Adão, perdeu o juízo comeu a fruta do EDEM escapou do cadeado... Afundou-se na gruta cometeu o teu... Primeiro pecado. Hoje, com tantos filhos seus, povoando esse imenso jardim... Se não fosse a ganância da serpente se não fosse a teima pela fruta... A terra não estaria assim, tão cheia de frutas, e de gente e repleta, com tanta gruta. Adão, Adão... Obrigado pela fruta! Se voltar lá... Morda, coma e beba para nunca esquecermos de ti e que os olhos do mundo... cheios de malicia, para sempre te veja. Antonio Montes

DOIS MENINOS Dois meninos... Um soltava pipas
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DOIS MENINOS Dois meninos... Um soltava pipas o outro pulava cordas. A linha da pipa arrebentou O menino... Amarrou a pipa com a corda... Acorda, para ver a corda amarrada. A corda que uns dos meninos pulava no alto do céu pulsava com a pipa que puxava Sob aurora agora a corda navegava com o vento, e voava, abaixo das nuvens, voava... Fazendo sorrir os sentimentos. Antonio Montes

TRAMBIQUE Nessa rede eu me enredo ... Em madorna sobre o ar...
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TRAMBIQUE Nessa rede eu me enredo ... Em madorna sobre o ar... Em sono com minha parede para assim melhor sonhar. Durmo... E em sono me pego sonhando com seu amar e no tráfico desse meu ego sou impedido de te amar. Nessa rede eu balanço para não vê o mundo rodar em meu balançar, avanço nem vejo o tempo passar. Nessa rede eu me lanço como peixe em desespero avanço de molho e gancho... Nas malhas dos trambiqueiros. Antonio Montes

OUTRAS TERRAS Era água, e eu... Naveguei sobre ela
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OUTRAS TERRAS Era água, e eu... Naveguei sobre ela cheguei em outras águas, águas de outras terras outros seios... Outras línguas outras pernas. Gente de sentimentos serpentes ... Não sorria, nem mostrava os dentes. Era terra de outras terras onde o verde emperra... Sedento por sede e por águas de outras heras. Antonio Montes