CONGELO DE FELICIDADE
Eu vou tirar, a foto do seu rosto,
um prisma, meigo, contente, rindo...
E d'essa forma, eu congelarei a sua
alegria. Quem sabe assim, eu terei
a sua imagem de felicidade, tal qual
um arco-íres, escancarado só para
mim. Eu vou colocar, a sua foto
na moldura, e logo, pendurarei, na
parede do meu quarto. E quando
lá eu me achar só... Eu tenho certeza
que minhas lagrimas caindo se
levantarão só para fitar na parede...
O sorriso da minha paixão.
Antonio Montes
BODEJAR
Se eu pudesse...
Eu não carregava pedra!
Mas não posso...
Não posso, mas carrego.
Nasci pobre e por isso...
Eu sigo carregando a minha pedra.
Pedra dura...
Pedra pesada,
pedra dura, pesada e lascada!
Vê se pode... Pedra cega!
Quando ela escorrega...
Bate no meu pé e me faz bodejar
como se fosse bode... Bééé!
Mesmo assim...
Eu vou lapidando minha pedra
aproveitando para apedrejar
muros e mundo...
Quem sabe se a minha pedra
um dia, se transforma em flor...
Nesse dia, apedrejarei a ignorância,
borrifarei perfumes sobre o blue
e perfumarei, o arco-íres do amor.
Antonio Montes
OUTRO JARDIM
Quando você estiver sob multidão
e mesmo assim, se sentir só... E nesse
ínterim seu dia, parecer noite escura
sobre tormenta densa... Não chore!
Não se desespere, nem precisa rabiscar o
dicionário da sua vida para achar a razão
que você acha que esta perdida...
Isso é solidão! Quando se encontrar por ai,
absolto, solto procurando felicidade sob o
poço de lagrimas, do seu triste coração...
Não chore! Não chore não... Tenha certeza
que essa sua tristeza é apenas uma dita,
dessa maldita solidão! A qual esta...
a se apoderar do seu frágil coração.
Se em um momento desses, estiveres a
sensação que o mundo não te pertence
e que tudo é de mais para ti... Não desiste!
Lembre-se que os ventos que vem do sul
pode mudar e vim do norte, afinal os ventos
estão sempre mudando e como os ventos
o tempo também esta mudando e esse, nunca
se esquece de você! Ele esta andando te
levando, por ai quem sabe, na direção
de outros jardins, são tantos! todos com flores,
outras flores é uma d'ela poderá ser a flor...
Que vive a espera de ti.
Antonio Montes
GAVETA DA LEMBRANÇA
Fechei os olhos em meu sentido
e vasculhei a gaveta das lembranças
e sob as quinquilharias das recordações
... Nos meus guardados passado, estava lá...
Você, em noite de lua...
A prata orvalhada, do nosso amor,
o céu estrelado sob a, brisa romântica
o nosso cristalizado momento
e o blue límpido do nosso tempo.
Estava lá... O poste que iluminava
... O brilho dos nossos risos
as gargalhadas escancaradas
da nossa fiel juventude,
a altivez dos nossos rostos
a ausência das rugas e das verrugas
ao amanhecer cheio de gosto!
Estava lá... Aquele fôlego incansável,
saudável, afável todo jovem
a esperança e os planos palpitáveis
a alegria da vida
a vontade de vencer
a pureza de um meigo olhar
e todos os sonhos com você.
Estava lá, os planos inocentes
o lenço com rasto de lagrimas
o bilhete de um tempo onipotente
o guardanapo com o tom do beijo
a saudade nítida do presente
e o abraço cheio de desejo.
Estava lá... A vontade
que nunca deixou de ser
a seta da grande saudade
sob o alvo do alvorecer.
Antonio Montes
COSTELA OCA
Eu não queria concorrer
com o barro... Barro de Adão,
que ele não me ouça,
se bem, que Adão...
Em sua fé, cedeu a Deus,
partes, de sua costela oca...
Deus? Ah, Deus...
Com aquele pedaço de costela
pensou logo na cabocla,
cabocla mulher, fez Eva...
Impecável, toda insossa
donzela, singela, bela moça.
Assim que ela nasceu...
Deus lhe deu um nome
e Eva ao nascer...
Nasceu fazendo planos
tramando, de que um dia...
haveria de ser, homem.
Antonio Montes
POPULAR
Uma lagrima no rosto
uma fome pede ajuda
o seu olhar de desgosto
é o mal gosto de Judá.
No lixo, mãos tremula
perambula o que comer
mal vistas em seu tema
odiadas por você.
uma lagrima pede alento
na mais cruel decepção
estenda sua mão ao tempo
tenha um pouco de paixão
Estique seus sentimento
que os santos, solidarão
não deixe, mal ventos
arrastar seu coração.
CARNIÇA
Pegue os seus cachorros
E atiça... Atiça em mim?!
Atiça por ai com seu rompante!
Com camuflagem da estupidez
E com a sua preguiça...
Atiça e não analisa e nem observa
Com a sua carranca só faz cobrança
Não se dá conta que é para a carniça
Que você vai e que eu vou...
Todos, todos iremos
Pode ser plebeu padre juiz ou doutor
Filho, mãe, pai, neto ou avô
Com provocação ou não
Se defendo ou se atiça...
Um dia, todos irão se transformar...
Em carniça.
Antonio Montes
BEIJO NA BOCA
Beijo na boca, não
beijo na boca, não
Se eu lhes de beijo na boca
eu lhe dou meu coração
beijo na boca, não.
O tic tác do meu peito
esta movido ao meu universo
seus lábios são mel de flores
você é paixão, eu confesso
beijo na boca, eu peço
Beijo na boca, não
beijo na boca, não
se eu lhes de beijo na boca
eu lhes dou meu coração
beijo na boca, não.
Mas quem dera o seu beijo
orvalho, chuva e poejo
com essa vontade louca
se eu lhe der beijo boca
desembesto o meu desejo.
Beijo na boca, não
beijo na boca, não
Se eu lhes de beijo na boca
eu lhe dou meu coração
beijo na boca, não.
Antonio Montes
DUBIEDADE
A esperança esta...
De asas vãs, quebradas e tombadas
pelo nascer do amanhã e a mão do irmão.
Cambaleamos sobre o funeral da fé,
e sucumbimos no emaranhado da duvida
do alvorecer e de cada aperto de mão.
Tentamos se firmar sob a flecha dos planos
e voamos ao sopro sincronizado dos sonhos.
Antonio Montes
PATUSCADA
Um carrapato, no meu sapato!
cara, isso é muito chato...
Chatos, carrapatos
quebra de pratos...
Tudo ingrato.
Outro dia amarraram o pato
dentro do saco,
o pato estava fraco...
Que saco!
Pato fraco
saco com buraco
o pato escapou...
Bateu asas e voou
e por vias de fato
o dono do pato chorou.
Antonio Montes
VALER-SE
Sei, sei...
Eu sei que passei da conta,
mas não conta!
Sua conta, me desmonta
amedronta, me afronta
e eu fico assim
como se nunca tivesse ponta.
É, e assim com tanta conta!
Quando você me aponta...
Sinto carranca,
perco a tampa
escorrego na rampa
é como se estivesse sem janta
depois do trupe de sua bronca
tudo que sinto
é a trava da sua conta.
Antonio Montes
REMINISCÊNCIA
Aquela casa velha no vale...
Os ventos ainda te sondam
o sol em suas manhãs, ainda lhe sorrir
mas hoje, abandonada...
Das promessas e esperanças
o que lhes resta, são...
Montanhas de saudades, por ali.
Hoje, suas paredes e seus espaços
são baús de um tempo passado
são marcas de um plano marcado.
Baús, cheios de sonhos
felicidades alegrias
choro, tempestade fantasia.
Florada de vida, idas e vindas
ate mesmo,
coisas que não parecia.
Nas paredes d'aquela, casa..
amores e medos, misturam-se,
com degredos, e segredos.
JOEIRAR
Quando nasceu, não tinha nome
Poderia chamar-se... Um nome qualquer
tantos nomes a escolher!
Uma peneira de grãos, um furundu,
José, João, Sebastião, Adão...
Seja lá o nome, qual fosse chamado,
teria que pagar, para ter um.
Uma vez recebido o seu,
seria seu!
Iria se chamar por ele,
iria parecer com ele
daquele dia em diante,
aquele nome, recebido e pago,
para o restos de sua vida...
Teria que ser, seu agrado.
Seria ele...
A musica, a nota dos seus ouvidos
o espaço, os passos do seu fado
a dádiva da sua alma,
seu timbre, seu nome,
seu cume, seu apelido.
Antonio Montes
REBOTO
Cobra d'água
cobra sega...
Cobra braba
cobra pega,
tem cobra dando seu bote
em meio a sua macega.
Cobra a divida
cobra a vinda...
a ida e volta esta ferida
seu moço cobra a conta
d'essa sua triste vida.
Porque cobra aquele no
que nunca pagou ninguém
se um dia foi inteiro
hoje não vale um xerem.
Antonio Montes
MINHA PAREDE
A minha parede, tem verde,
assim como o horizonte..
parede secam, tinta verde
rede estendida, suave sede.
Na minha parede, tem sonho
nesse mundo assim medonho
sonhos que morrem tristonho
muito antes do abandono.
Na minha rede, tem teias
que no balango se estapeia
tantas peias em minhas veias
que minha vida encandeia.
Na minha parede, tem rede
que aos meus sonhos, laça
um dia eu sei minha parede
mudará essa minha raça.
Antonio Montes
VANGUEJAR
Quantos pratos
quantos copos,
Quantas louças pra lavar!
colheres, panelas e facas
espumas sabão e água
... Água para enxaguar.
Todos os dias, como o sol
e ventos aos arrebóis
estrelas além do céu
os fazeres na cozinha
de manha à tardinha
vida ida, vindo vinda
vida, vida...
Vida, vida.
Antonio Montes
O RIO
Todos os dias...
Um rio passa por aqui
a todo momento e hora
flui correndo, correndo...
Fazendo... Redemoinhos e quedas
e em suas curvas devagarzinho
a noite e no frescor da aurora
ele vai para o mar, ele vai embora.
Todos os dias, esse rio esta ali
e ao mesmo tempo, se vai...
Mas volta com suas voltas
e de suas voltas, não sai.
Em suas margens, quanto verde!
tanto peixes em sua rede
um dia desse o rio se vai
e para de matar a sede.
Antonio Montes
BANZÉ
Sacode, sacode o bode
pra parar de bordejar
esse pobre bode, esta de porre.
Bode de porre, comove
em seu implore, nem pode...
Ser pobre, não tem esnobe.
Um dia, esse pobre bode, escapuliu
subiu no prego, e comeu a banana do café.
Antonio Montes
ACOLHIMENTO
Medindo assim, como me mede
fico ébrio, como quem bebe
nesse grogue entregue, me pegue!
Arraste-me para sua teia
com sua luz que me encandeia
e com seus clicks, e seus rashtag.
Eu quero esta, em sua linha de segredo
e pousar no seu inbox de aconchego.
Antonio Montes
CABELOS
Cabelos telos...
Com zelos, desmazelos
com apegos desapegos
lisos caracolados
tingidos pintados.
Cabelos... Cabelos...
Cabelos soltos aos ventos,
amarrados emaranhados
envoltos pensamentos.
Penteados, cabelos
no caracol dos seus segredos
apegados em seus apegos
cabelos tesos, leves
cabelos breves, sem pesos
... Cabelos, cabelos.
Antonio Montes
ESTÁGIO
O amor, quando jovem... Criou asas
Ainda criança, saltou de alegrias
Plainou pela imensidão dos ventos
voou pelos espaços do tempo e transbordou...
Nos afincos dos seus sentimentos.
Cheio de garras...
O amor se encheu de esperanças,
aconchegou-se em seus chamegos
e jogou a toalhas dos seus medos.
O amor amplo, desabrochou seus segredos
e debruçado no degredo dos seus consolos
se encheu de anciã, se vestiu de duvidas
e desvirtuou-se na incerteza do amanhã.
O amor já ancião... Agora apita,
apita como se fosse um trem
pelos trilhos da sua saudade
pelos buracos de sua recordação
pelos tempos das vaidades
pelos abraços e apertos de mão.
Antonio montes
ESTABELECER
Eu quero esta com você...
Assim como a sua sombra
a sua corrente da alma
sua água corrente, sua onda
a musica em sua banda.
Eu quero esta com você...
Ser as pétalas da sua rosa
as folhas de todo verde
os espinhos de suas hastes
o copo da sua sede.
As marcas de todos os rastos
as margens do seu caminho
o pulsar da sua vida
o medo em seus cantinho.
As areias da sua praia
poeira do seu deserto
a distancia da sua esperança
a felicidade do seu perto.
Antonio Montes
CONTRAPARTIDA
Com seu gosto e sua tinta...
você pintou o meu rosto,
que desgosto, essa pinta!
Ver esse rosto, todo tingido
seus olhos blues, fingidos
quantos fados, o seu olhar atiça?
Os passos meus no contra passos desse amar
nesse terço n'essas pedras, não sei bailar.
Antonio Montes
ARPOAR
O meu barquinho de papel
sem rumo, se foi ao vento
nas nuvens do mar e do céu
remando pelos sentimentos.
Plainou pela imensidão
no fluxo com pétalas de flor
barquinho, esse meu coração...
navega no pulsar do amor.
Sem vento, parou no tempo
e no cais d'essa tempestade
ancorou meus sentimentos
na proa da densa saudade.
Então, joguei a tarrafa no ar
para afagar o peito meu
peguei, paixão com amor
nos beijos que você me deu.
Antonio Montes