Frase de Antonio Montes
JANELA DO EDIFÍCIO Não sou pássaro... Não tenho asas, nem sei voar Mas aqui, no apartamento desse edifício ... Eu pairo sob alturas, e vivo sobre o ar. Pela janela desse apartamento meus olhos perambulam o horizonte e se perdem, pelas ruas, prédios, luminosos e placas de latas e voltam a vagar sob o ar, onde o oxigênio do tempo se mistura com a poluição de fumaça. Aqui desse apartamento, no meu sedo... Eu vejo o sol galopando sobre as paredes dos prédios e o horizonte camuflando-se sob as sombras do meu tédio... Eu vejo pássaro vindo da sua mecânica zumbindo em suas carenagens brancas, transportando vidas e bombas para estraçalhar, sua carrancas franca. Da janela desse edifício... Eu vejo o transito impedido Permeando viadutos e pontes e ao longe, um crepúsculo sob o tempo de uma tarde sombria, aonde arranha céus gigantes e casas se camuflam sob horizonte. Eu vejo a lua se esgueirando sobre os telhados, aflorando em seu reinado, e como se fosse espelho, ela faz demonstração do São Jorge, dragão espada e aquele seu cavalo branco. Aqui de cima, eu fico observando os mares da vida... Da para ver o semáforo da encruzilhada assinalando os sonhos e fazendo do pesadelo, uma parada... Dá para sentir os pulmões da vida embebidos pela poluição e stress... Doentes de bronquites, pneumonia e outras mazelas clinicas. Da janela desse edifício... Dá para ver... Rostos cansados disputando lugar sob a fila do ônibus e metro, esses rostos estão voltando do trabalho da para ver também, rostos apressados e enfadados correndo para seus empregos. com medo de perder a hora e embaralhar seus planos... Da para ver e sentir o mundo os pergaminhos e os dogmas inventados por esse ser humano. Antonio Montes
No pensador.ai desde