Lembrança póstuma
Para não dizer que o mundo perdeu-se de seus amores
Para não desver as flores, ao longo do tempo, com opaco das cores.
Para não fazer-se carrasco, aos nobres olhos dos doutores
Para sempre levares como epifania, a parábola dos sofredores
Para assim, carregar na penumbra, a claridade dos autores
E enfim, fazer-se-a, a vontade dos seus senhores…
Dor de alma
Ausência pouca, camarada!
Por que a mim traria dor,
O que mais vejo na estrada?
Por que com olhos de terror,
Enfrentaria essa jornada?
Se com os mesmos olhos o amor,
Cavalga a mim, na alvorada?
Por que perder-me do favor,
De mais um dia em caminhada?
Culpando o tempo sofredor,
Nas demasias desgastadas?
Por mais que eu sofra em temor
O Temor de mim, não leva nada!
Senão o próprio precursor,
O medo, o sofrer; a dor passada...
Rosa dos ventos
Aos quatro cardeais, trago-lhes as boas novas
Nos ventos do cerrado, à Nordeste,
Veio a última rosa.
Trouxe consigo, mais duas pétalas honrosas
Essências perdidas no momento...
Porém, no cálice do tempo, puseram-se a prova!
Enfim, aos dezesseis sentidos, o enigma aflora
Na essência das capitais, caídas sobre o ferro vibrante
O intrínseco silêncio do recomeço, sobre o fim, toma o agora
E a invalidez das últimas rosas, dá lugar a suavidade do momento
A nova flora.
Sonho com um pensamento
Que pense por mim
Que me prenda em seu tempo.
E nesse confinamento
Me traga a certeza do sentido
No algoritmo do momento.
Que me carregue nos braços
Sobre o leito do sofrimento
Aprisionado aos seus enlaços.
Que me mostre o seguimento
Pelas calhas do compasso
Até o fim desse desalento.
Sonho em pensar nesse sentido,
Sem sentimento...
Somos todos poetas Fernando…
No entanto, nem todos os poetas, são poesias…
Nem todos fingem dor em demasia,
para alcançar a alma e trazer calmaria…
Alguns se vão na dor… Outros no temor, refletem o verso em agonia.
Sua própria vida… Seu refúgio, sua alforria…
Que nas palavras encontram a passagem para a utopia…
E do inato se dá o formato: prosa, cordel, crônica, poema, poesia…
E de longe Fernando, nos encaixamos também!
Pois se um poeta somente finge, queria eu fingir além…
E que a dor fingida me fizesse bem…
Mas o real não mente, não distorce, não desmente…
O poeta escreve com alma!
Por mais que finja em sua mente, é inconsequente…
E nas próprias armadilhas cai em ressalva...
Shakespeare, em sua obra "hamlet"
perguntou-se em primeira instância:
“Ser, ou não ser? Eis a questão…” Diria então a Shakespeare, que prefiro não ser!
Prefiro apenas estar!
E nesse estado, me fazer independe do sentido.
Logo, não serei...
Não tomarei para mim as dores que assolam o sentido!
Estarei ao meu ver, covarde de ser!
Porém, estarei intrinsecamente humano...
E essa vã escolha, se transformará apenas numa Ilusão futura, do estado que virá...
Solene
Combine os lírios, as rosas, as margaridas
Junte tudo numa só forma de poesia
Faça da rima seu refúgio, e dos versos sua alforria
Resgate a vida nas palavras, fazer-se-às, cura de suas feridas...
Caminhe novamente nesse altar
Mostre o colibri perdido em seu olhar
Do sorriso, até as vestes da alegria
Sucinta porém exuberante! És maré da minha vida.
E leva-me contigo em teu encalço,
Deixe-me fazer parte deste embaraço
Mas se não puderes, tenho um último desejo, somente peço-te mais um enlace...
Pois, Assim de ti, eu aprendi o valor que tem o amor
Por mais químico e cerebral, creio no abstrato real
Então somente quero, antes que se vá, um mero abraço concreto...
Lento sobre o curto estigma do tempo
Ao avulso e suave toque do momento
Trazendo consigo a saudade ao relento
É o versar da alma sobre o vento
Sopro entreaberto das pirâmides e segmentos
Erosão de um solo esquecido sem tratamento
Autópsia de um corpo seco sem sofrimento
Esse é o caminhar da brisa no tempo
O desencanto me conduziu ao abismo, e em reflexão cheguei na desgraça. Agora, é previsível que de início eu seja mais um carrasco em função do pessimismo.
Esperando novamente um encanto qualquer que me engane brevemente, e me tire por hora, da realidade que eu impus como verdade.
Era assim, sem palavras enfeitadas (não por preguiça, mas por fraqueza) que o escritor arranhava seus versos sem nenhuma ternura nem cuidado, num pedaço de papel rasgado. Apenas repensando tentativas de fugir de si mesmo, e deliberando o fracasso adiantado ao perceber que não há para onde ir, se não para si mesmo.
Propícias são
as situações fatais.
Indefinidas são
as respostas de tais.
Irreversíveis são
os danos gerais.
Impiedosos
os que se dizem leais.
Numerosos os que se
Fazem rivais.
Me pego às vezes ouvindo a paisagem, repleta de diferentes sons. Tão diferentes que juntos se completam numa harmonia saudosista e melancólica.
Não há métrica, nem melodia. Não há sinfonia, nem percussão. Há apenas o som do tempo que passou. Pois tão rápido como chegou, se foi sem tempo para se despedir.