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Frases de Álvaro de Azevedo

208 frases

Lembrança póstuma Para não dizer que o mundo perdeu-se de seus amores Para não desver as flores, ao longo do tempo, com opaco das cores.
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Lembrança póstuma Para não dizer que o mundo perdeu-se de seus amores Para não desver as flores, ao longo do tempo, com opaco das cores. Para não fazer-se carrasco, aos nobres olhos dos doutores Para sempre levares como epifania, a parábola dos sofredores Para assim, carregar na penumbra, a claridade dos autores E enfim, fazer-se-a, a vontade dos seus senhores…

Dor de alma Ausência pouca, camarada! Por que a mim traria dor,
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Dor de alma Ausência pouca, camarada! Por que a mim traria dor, O que mais vejo na estrada? Por que com olhos de terror, Enfrentaria essa jornada? Se com os mesmos olhos o amor, Cavalga a mim, na alvorada? Por que perder-me do favor, De mais um dia em caminhada? Culpando o tempo sofredor, Nas demasias desgastadas? Por mais que eu sofra em temor O Temor de mim, não leva nada! Senão o próprio precursor, O medo, o sofrer; a dor passada...

Rosa dos ventos Aos quatro cardeais, trago-lhes as boas novas Nos ventos do cerrado, à Nordeste,
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Rosa dos ventos Aos quatro cardeais, trago-lhes as boas novas Nos ventos do cerrado, à Nordeste, Veio a última rosa. Trouxe consigo, mais duas pétalas honrosas Essências perdidas no momento... Porém, no cálice do tempo, puseram-se a prova! Enfim, aos dezesseis sentidos, o enigma aflora Na essência das capitais, caídas sobre o ferro vibrante O intrínseco silêncio do recomeço, sobre o fim, toma o agora E a invalidez das últimas rosas, dá lugar a suavidade do momento A nova flora.

Sonho com um pensamento Que pense por mim Que me prenda em seu tempo.
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Sonho com um pensamento Que pense por mim Que me prenda em seu tempo. E nesse confinamento Me traga a certeza do sentido No algoritmo do momento. Que me carregue nos braços Sobre o leito do sofrimento Aprisionado aos seus enlaços. Que me mostre o seguimento Pelas calhas do compasso Até o fim desse desalento. Sonho em pensar nesse sentido, Sem sentimento...

Somos todos poetas Fernando… No entanto, nem todos os poetas, são poesias… Nem todos fingem dor em demasia,
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Somos todos poetas Fernando… No entanto, nem todos os poetas, são poesias… Nem todos fingem dor em demasia, para alcançar a alma e trazer calmaria… Alguns se vão na dor… Outros no temor, refletem o verso em agonia. Sua própria vida… Seu refúgio, sua alforria… Que nas palavras encontram a passagem para a utopia… E do inato se dá o formato: prosa, cordel, crônica, poema, poesia… E de longe Fernando, nos encaixamos também! Pois se um poeta somente finge, queria eu fingir além… E que a dor fingida me fizesse bem… Mas o real não mente, não distorce, não desmente… O poeta escreve com alma! Por mais que finja em sua mente, é inconsequente… E nas próprias armadilhas cai em ressalva...

Shakespeare, em sua obra "hamlet" perguntou-se em primeira instância: “Ser, ou não ser? Eis a questão…” Diria então a Shakespeare, que prefiro não ser!
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Shakespeare, em sua obra "hamlet" perguntou-se em primeira instância: “Ser, ou não ser? Eis a questão…” Diria então a Shakespeare, que prefiro não ser! Prefiro apenas estar! E nesse estado, me fazer independe do sentido. Logo, não serei... Não tomarei para mim as dores que assolam o sentido! Estarei ao meu ver, covarde de ser! Porém, estarei intrinsecamente humano... E essa vã escolha, se transformará apenas numa Ilusão futura, do estado que virá...

Solene Combine os lírios, as rosas, as margaridas Junte tudo numa só forma de poesia
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Solene Combine os lírios, as rosas, as margaridas Junte tudo numa só forma de poesia Faça da rima seu refúgio, e dos versos sua alforria Resgate a vida nas palavras, fazer-se-às, cura de suas feridas... Caminhe novamente nesse altar Mostre o colibri perdido em seu olhar Do sorriso, até as vestes da alegria Sucinta porém exuberante! És maré da minha vida. E leva-me contigo em teu encalço, Deixe-me fazer parte deste embaraço Mas se não puderes, tenho um último desejo, somente peço-te mais um enlace... Pois, Assim de ti, eu aprendi o valor que tem o amor Por mais químico e cerebral, creio no abstrato real Então somente quero, antes que se vá, um mero abraço concreto...

Lento sobre o curto estigma do tempo Ao avulso e suave toque do momento Trazendo consigo a saudade ao relento
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Lento sobre o curto estigma do tempo Ao avulso e suave toque do momento Trazendo consigo a saudade ao relento É o versar da alma sobre o vento Sopro entreaberto das pirâmides e segmentos Erosão de um solo esquecido sem tratamento Autópsia de um corpo seco sem sofrimento Esse é o caminhar da brisa no tempo

O desencanto me conduziu ao abismo, e em reflexão cheguei na desgraça. Agora, é previsível que de início eu seja mais um carrasco em função do pessimismo. Esperando novamente um encanto qualquer que me engane brevemente, e me tire por hora, da realidade que eu impus como verdade…
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O desencanto me conduziu ao abismo, e em reflexão cheguei na desgraça. Agora, é previsível que de início eu seja mais um carrasco em função do pessimismo. Esperando novamente um encanto qualquer que me engane brevemente, e me tire por hora, da realidade que eu impus como verdade.

Era assim, sem palavras enfeitadas (não por preguiça, mas por fraqueza) que o escritor arranhava seus versos sem nenhuma ternura nem cuidado, num pedaço de papel rasgado. Apenas repensando tentativas de fugir de si mesmo, e deliberando o fracasso adiantado ao perceber que não há…
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Era assim, sem palavras enfeitadas (não por preguiça, mas por fraqueza) que o escritor arranhava seus versos sem nenhuma ternura nem cuidado, num pedaço de papel rasgado. Apenas repensando tentativas de fugir de si mesmo, e deliberando o fracasso adiantado ao perceber que não há para onde ir, se não para si mesmo.

Me pego às vezes ouvindo a paisagem, repleta de diferentes sons. Tão diferentes que juntos se completam numa harmonia saudosista e melancólica. Não há métrica, nem melodia. Não há sinfonia, nem percussão. Há apenas o som do tempo que passou. Pois tão rápido como chegou, se foi s…
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Me pego às vezes ouvindo a paisagem, repleta de diferentes sons. Tão diferentes que juntos se completam numa harmonia saudosista e melancólica. Não há métrica, nem melodia. Não há sinfonia, nem percussão. Há apenas o som do tempo que passou. Pois tão rápido como chegou, se foi sem tempo para se despedir.