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Frases de Álvaro de Azevedo

208 frases

Logo... ser livre não existe! Aqueles que se dizem libertos, são os próprios prisioneiros da liberdade...
Pobre burro… não conseguia mais mover-se, estava exausto! Quanta carga já havia trazido e levado? Seu montador, dono do chicote, desceu então da montaria! Olhou para o pobre burro, e perguntou-lhe: -Porque parou? Ainda não chegamos! Temos muito pela frente, seu trabalho é andar!…
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Pobre burro… não conseguia mais mover-se, estava exausto! Quanta carga já havia trazido e levado? Seu montador, dono do chicote, desceu então da montaria! Olhou para o pobre burro, e perguntou-lhe: -Porque parou? Ainda não chegamos! Temos muito pela frente, seu trabalho é andar! E fazer da carga sua vontade! Mas o burro não obedecia… como poderia? Cansado e faminto a dias… Seu montador então desistiu! -Se não tens capacidade para completar a caminhada, não tens então porque continuar vivo! De longe ouviu-se o som do sacrifício. O chicote e a carga, agora eram somente lembranças da insistência do animal! Mas assim foi, e melhor foi...

Aspas Muitos falam de sentimentos, mas pouco dizem de sensações. Quase nenhum cita conhecimento, porém todos ditam deliberações.
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Aspas Muitos falam de sentimentos, mas pouco dizem de sensações. Quase nenhum cita conhecimento, porém todos ditam deliberações. Alguns escrevem momentos, outros transcrevem declarações. Mas sempre cedem os tais tormentos, em busca das mesmas soluções…

Utopia da realidade Sufocado pelas páginas do livro que nunca li, estou eu aqui! Preso nesta insuportável empatia… Que posso fazer? Como me livrar de algo que não consigo sentir nem ver?
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Utopia da realidade Sufocado pelas páginas do livro que nunca li, estou eu aqui! Preso nesta insuportável empatia… Que posso fazer? Como me livrar de algo que não consigo sentir nem ver? Não posso ouvir! Porém faço a mim mesmo a tortura ensurdecedora... Não posso ver! Mas meus olhos se rendem ao medo… as imagens das páginas viradas, e ao sofrimento do vazio. Não posso sentir… mas minha pele arde como se queimada com fogo! E o cheiro, doce… putrefato… destruindo minha mente e meu corpo. Não consigo mais viver na morte, mas o que posso fazer? O livro já tem um título… uma história... como não há o que ler? Talvez porque a mente, em sua perfeição destrutiva, sempre desejando a utopia, reflete a degradação da aceitação que não existe! E sobra apenas agonia. Nunca houve livro, nunca houve história, porém sempre houve a mente! Buscou tudo de mim, tirou e revirou a vida, e enquanto buscava, a doença passava... mortífera e macabra. Sedimentou meu tato, cegou meus olhos, matou minha sede, minha fome… tapou meus ouvidos. Agora o calor dessa história já não sinto... Sinto apenas meu pensamento, torturando minha mente e dizendo: “esse livro não existe, o que existe são sentimentos”.

Pardal egocêntrico Pálido pardal… pálido de sentido! Voa perdido, em busca de seu encontro. Encontro esse desejado, com seu outro lado! Mais um pardal necessitado, em busca de seu legado!
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Pardal egocêntrico Pálido pardal… pálido de sentido! Voa perdido, em busca de seu encontro. Encontro esse desejado, com seu outro lado! Mais um pardal necessitado, em busca de seu legado! Legado de pardal achado! Que não mais se vê como antes! Cada um para o seu lado, e cada lado um horizonte. Então ali se vai mais um pardal errante! Livre por escolha, porém preso em seu semblante... A ideia de ser como vento, ir e vir sem medo! Sem vontade, sem tormento. Mas a fome o faz pensar, e o cansaço o faz parar… pobre pardal, não contava com o gavião…

Cifra Como num simples toque, Gerando um singelo som… me encontro em meio a um breve devaneio sob as cordas de um violão. E neste pouco tempo falando sobre o som, que o próprio vento ecoa… Forma se a melodia! Que faz se do movimento em suas mãos...
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Cifra Como num simples toque, Gerando um singelo som… me encontro em meio a um breve devaneio sob as cordas de um violão. E neste pouco tempo falando sobre o som, que o próprio vento ecoa… Forma se a melodia! Que faz se do movimento em suas mãos... Enquanto ao desenvolvimento, a melodia mesmo que tardia, gera em forma de poesia o momento! E cada corda em sintonia, cada nota em harmonia, diz o real motivo! O temor retraído, a saudade ao relento. Dentre outros movimentos o dedilhar se perde… e junto a ele vem o sentimento! O entendimento mesmo que por pouco tempo. De uma nota escondida… ouvida porém não sentida! tocada, escrita, mas nunca redigida! E em meio a multidão que parece não prestar atenção, nada mais consigo ouvir, além do sol, do lá, do si… A cada vibração, vem do fundo a noção! Das partes de um inteiro, separadas… esquecidas… E em mim forma se a empatia! Em forma de utopia! Porém logo vem angústia trazida pela sua avaria… E agora vai se esvaindo a tal melodia... Pouco a pouco, nota após nota… e das últimas cifras, reduzidas agora a cinzas... Sobram apenas as breves lembranças da sua ousadia... Enfim o silêncio! Que mesmo ao mais alto som, se faz absoluto… Percebo então que não estive em mim durante esses minutos... Volto e revejo… um ambiente agitado, a mesa cheia, o barulho ao meu lado… E eu aqui! Em devaneio, ao o som do seu violão...

Sigo o sopro do caminho, do sul para o norte! Mas a viagem termina quando o sopro se esvai, e sobra apenas o caminho. Afinal, caminho sem trajetória é um desperdício...
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Sigo o sopro do caminho, do sul para o norte! Mas a viagem termina quando o sopro se esvai, e sobra apenas o caminho. Afinal, caminho sem trajetória é um desperdício... É andar sem sentido nem vontade, em busca de um destino perdido.

Somente só Jogo o baralho, sem naipe, sem número… o jogo do nada absoluto… Jogo a incerteza na frente! Ao túmulo… todavia, não contava com um certo moribundo…
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Somente só Jogo o baralho, sem naipe, sem número… o jogo do nada absoluto… Jogo a incerteza na frente! Ao túmulo… todavia, não contava com um certo moribundo… Jogo então a certeza irrefutável! De que tal moribundo ajoelhado, é certo do incerto em seu estado...

Até logo Sonolento, poeta? Deixe fluir! Deixe ir embora! que fuja... Que se vá em busca da frase, e que se volte com o verso! E a folha poeta? Onde foi parar? Onde está escrito teu poema? E onde estão tuas poesias?
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Até logo Sonolento, poeta? Deixe fluir! Deixe ir embora! que fuja... Que se vá em busca da frase, e que se volte com o verso! E a folha poeta? Onde foi parar? Onde está escrito teu poema? E onde estão tuas poesias? Cadê o teu lápis? cadê tua borracha? cadê teu entusiasmo? Para onde foi tua sede? Tua fonte secou? Bebeste do veneno que criaste? Não culpo a letra, nem o compasso… culpo o descaso! Deixaste atingir-te pelo que tanto descreveste em fuga... Levanta! Faz-se presente novamente! Ergue tua mão, e monta da escrita tua corrente, tua alma... Não se esqueças quem tu és! Não se valha de um pobre moribundo… apesar de tal, ser um retrato de teus contos oriundos. Não é porque caíste em mera desgraça, que dela deva fazer teu fardo! Tira-se do imundo o intuito, e do passageiro a direção! Ainda te lembras como se faz? Montas de novo em tua montaria! E dela redija novamente o teu caminho. Desistir poeta? Para que? E por que? Sonolento ainda poeta? Que pena...

Canto do sábia Meras palavras conjugadas,
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Canto do sábia Meras palavras conjugadas, erradas! Trazidas e levadas… perpetuadas! Palavras arremessadas, amordaçadas! Sintaxe amedrontada! Fonte sem fim! Enclausurada... Desenfreadas sentenças… breves desavenças… Martírio da doença, palavras destroçadas! Por fim reescritas, retomadas! Mais um leque! Mais uma alvorada! Ditas então, como métricas sábias! As novas sentenças emolduradas… Que se venha então o encanto! Canto dos sabiás...

Para Lucas Tenório Que fazes aqui? Mestre dos cânticos perdidos… porque parou? Esteve aqui todo este tempo? Olhei por ti a cada momento... e espelhava a mão da sua euforia…
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Para Lucas Tenório Que fazes aqui? Mestre dos cânticos perdidos… porque parou? Esteve aqui todo este tempo? Olhei por ti a cada momento... e espelhava a mão da sua euforia… Por que andas só velho amigo? Onde está teu rumo? Teu destino? Não ouço mais teu suplício, nem teu cantar, nem teu sorriso… Porque se escondeste? Temes ao que? E quem? Onde está Tenório, que em tempos de lei, seguia e redigia o bem? Para onde foi a glória, a revolta de se revoltar… para onde foi a poesia, e a poetisa em seu altar? Onde Tenório? Onde tu se escondes? Mesmo te vendo, não te recordo, nem te comento… e o soneto que fizeste a tanto tempo? Onde estão as palavras e versos, a métrica, a fôrma, o inverso? E o desafio Tenório? Onde está o sufrágio do tempo? A cadeia que liga o homem ao tormento? Ao sentimento... Não deixes se levar pela chuva… não encontre na enchente a penumbra… Reescreva a alvorada Tenório! Refaça seus versos! Me mostre seu credo! Seu paradigma, seu paradoxo… Então mestre dos cânticos… te peço de volta o som do silêncio… o absoluto após tanto tempo! Te peço somente, escreva novamente…

Métrica assimétrica Sobre a demasia das palavras transcritas de minha mente, percebo o quão falho é, ser humano! E dessa falha eu retiro as tentativas, o desespero, e o alvoroço de ser escritor.
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Métrica assimétrica Sobre a demasia das palavras transcritas de minha mente, percebo o quão falho é, ser humano! E dessa falha eu retiro as tentativas, o desespero, e o alvoroço de ser escritor. Continuo a escrever em versos simples, não moldados pela fôrma nominal. Não gramaticalmente puros! Mas em essência de esplendor, se fazem mais que os que dizem demais! Então prefiro assim, do meu jeito, sem muito requinte ou trejeito... Nem muita rima, porém muito proveito! E faço do imperfeito, do disléxico, a beleza, “irredutível”! No mais, somente bela! Logo então eu termino mal feito, não muito bem entendido, mas termino escrito! E pra mim já basta...