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Frases de Aluízio Melo

15 frases

A Torre Nos meus sonhos, ela se projeta.
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A Torre Nos meus sonhos, ela se projeta. Há uma névoa sobre ela. Não sei o que deseja. Não sei se aquilo que diz é real. Ela vive um engano, acreditando estar fazendo a coisa certa. Mentiras doces alimentam apenas os miseráveis de espírito. Por que insiste em aparecer? Minha realidade já não comporta a sua existência. E, ainda assim, uma lealdade cega permanece dentro de mim. Talvez eu não espere que ela retorne. Espero apenas ser resgatado da torre onde ainda a guardo.

Luto pelo amanhecer No crepúsculo de minhas dores, encaro os meus adversários.
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Luto pelo amanhecer No crepúsculo de minhas dores, encaro os meus adversários. Eles são um: eu mesmo, fragmentado em inúmeras faces. Cada uma me põe à prova diante de minhas escolhas. Vejo a taça verter seu conteúdo, enquanto murmúrios vestidos de certeza ecoam verdades que jamais foram absolutas. Na contagem de novos dias, cada batalha renasce com o sol. Há lutas que perco. Há guerras das quais saio vitorioso de mim mesmo. Um guerreiro não precisa empunhar a espada todos os dias. Quando o brilho do sol nascente não alcança meus olhos, resta-me enfrentar o único inimigo que verdadeiramente persiste: a falta de clareza que meu coração teima em revelar.

Amor Línguas ousam definir-te como um sentimento.
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Amor Línguas ousam definir-te como um sentimento. Eu, intrigado, pus-me a conhecer-te. Percebi, então, que esse amor de que tanto falavam era apenas o fogo de uma chama de pavio frouxo. O que resta do amor quando é consumido pela chama do desejo? Essa luz projetada, ilusória, que simula um tênue conforto, já não satisfaz o coração de um sábio. Amor, assim te chamo. Recolhe os fragmentos que ficaram pelo chão. Vulgarizado pela língua humana, esqueceram que foste a consciência de uma construção que transcende a vaidade. Não há confusão. Não há para onde fugir. Para ser amado, basta permitir que o Amor bata à porta. Lança-te na incerteza. Jamais me senti tão livre quanto ao tornar-me escravo d'Aquele que transborda. O Amor que me acolhe, não por quem fui, nem por quem sou, mas por aquele que ainda serei.

Quando me deito Quando me deito, minha mente deságua
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Quando me deito Quando me deito, minha mente deságua em delírios. Tormentas dos mais variados tipos. Perguntei-me sobre suas causas. Minha mente respondeu que, sobre minhas costas, pesavam pendências imaginárias. Todas as trilhas estavam bifurcadas. Nas encruzilhadas, ofertas eram depositadas para que eu escolhesse a minha sina. Um fantasma sussurra meu nome. Mas não ouso olhar para trás; corro o risco de tornar-me uma estátua de sal. Quão sedutora era a miragem que surgiu no deserto, justamente quando eu acreditava ter chegado ao fim da travessia.

Desilusão Ó realidade, que me toca
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Desilusão Ó realidade, que me toca e fere minha carne. Através dos reflexos da água, vejo histórias se formarem: contos do passado que, outrora preciosos, tornaram-se fardos para o presente. Águas turvas. Silêncio mórbido. Quisera eu adormecer no abraço da ignorância, para que a realidade não me revelasse que a joia mais bela transformou-se numa sórdida bijuteria. E o que antes eu chamava de tesouro era apenas o brilho breve de um metal sem valor, capaz de enganar os olhos, mas jamais o tempo. Hoje, ao tocar essa falsa riqueza, meus dedos não encontram ouro, apenas o frio de uma ilusão desfeita.

O Amado Estive perdido, à procura de mim mesmo.
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O Amado Estive perdido, à procura de mim mesmo. Embebido em ignorância, busquei-Te fora de mim. Por ingenuidade, acreditei que o amor fosse algo a ser recebido. Depositei meu afeto em coisas efêmeras, temendo a fragilidade que as cercava. Então contemplei, com meus próprios olhos, a Beleza verdadeira. Não aquela que se revela nas curvas de outro corpo, nem a que repousa em paisagens extraordinárias, mas aquela pela qual o Amado contempla a Si mesmo através de mim.

O mau tradutor Com o coração renovado, busquei expressar a verdade através de meus lábios. Mas minhas palavras soaram como desculpas vulgares, erguidas apenas para esconder a chaga que trago no peito.
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O mau tradutor Com o coração renovado, busquei expressar a verdade através de meus lábios. Mas minhas palavras soaram como desculpas vulgares, erguidas apenas para esconder a chaga que trago no peito. Andei manco por estradas escuras, anunciando aquilo que meu coração sussurrava. Pelo visto, jamais fui um bom tradutor. Acreditei que minha luz fosse como a da vela que eu carregava: capaz de acender milhares de outras sem perder o próprio brilho. Mas a vela foi afogada num mar de mentiras. Agora caminho sem sua chama. Tropeço entre os destroços de um palácio outrora belo, que hoje abriga apenas o silêncio dos funerais. Suas paredes são feitas das cinzas de um incêndio que insiste em morrer, embora seu calor já não seja suficiente para iluminar o caminho de ninguém.

Impermanência Ó Ausência! Ó Silêncio! Minhas palavras, lançadas ao vento, dissipam-se no invisível,
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Impermanência Ó Ausência! Ó Silêncio! Minhas palavras, lançadas ao vento, dissipam-se no invisível, e meu coração dissolve-se em ambiguidades. A ti pertence o futuro incerto; e cá estou eu: um vaso vazio, mas repleto de possibilidades. Transitória e efêmera é esta casca que me reveste. Do pó eu vim, e ao pó hei de retornar. Cada segundo se extingue, cada instante sepulta a si mesmo. Também eu caminho para esse ocaso. Serei terra, serei húmus, o adubo silencioso de onde brotará um novo fruto. Que o verme faça de mim o seu banquete, que a chuva desfaça meu nome, que o tempo me esqueça. Pois não há derrota em tornar-se semente daquilo que ainda florescerá.

O silêncio do Real. Havia um buscador inquieto, que perguntava por que o sol nascia
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O silêncio do Real. Havia um buscador inquieto, que perguntava por que o sol nascia e para que o vento soprava. Sempre lhe respondiam: “Assim quis Deus.” E ele silenciava. Mas numa noite, sob o véu do céu estrelado, sentiu-se pequeno, ferido por uma saudade sem nome. Correu aos guias de sua alma, e disseram-lhe: “Te falta Deus.” Então mergulhou nos livros, e a crença que o sustentava tornou-se peso insuportável. Viajou por tradições, bebeu de fontes diversas, mas a sede não cessava. E quando nada restou, quando o vazio gritou mais alto que a fé, ergueu os olhos novamente ao céu. E viu: aquela imensidão não estava fora, mas dentro dele. No silêncio, ouviu o Amado dizer: “Antes que teu nome fosse sussurro, Eu já te chamava. Antes que teus olhos se abrissem, Eu era tua luz. Em tua primeira lágrima, era Eu quem corria em teu rosto. Deixei-te perdido para que Me buscasses. Dei-te sede para que descobrisses: a água sou Eu. Cada dor em teu peito era Meu chamado. Cada dúvida, era Minha presença oculta. Eu te amei em silêncio por eras incontáveis. Agora que Me reconheces, ouve: Nunca estive longe. Foi apenas tua pele que te separou de Mim. Volta para dentro. Ali te espero, onde o mundo não alcança, onde teu ‘eu’ se dissolve, e só o Amor permanece.” - Aluízio (inspirado em Ibn Arabi).

Acordar Sinto-me a boiar No mar do esquecimento.
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Acordar Sinto-me a boiar No mar do esquecimento. Todos os dias passam Como ponteiros apressados, Relógios antecipando O dia em que entrarei Na morada do silêncio. O sentido se esvaiu Como purpurina ao vento. Minha vontade Foi tragada Pelo espírito da dúvida. Caminho em busca De algo abstrato, Para que meus anseios, Lançados sobre a terra, Não pereçam sem significado.

A ÁRVORE DA VIDA – UM POEMA Eis que, antes das emanações serem emanadas e das criaturas serem criadas,
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A ÁRVORE DA VIDA – UM POEMA Eis que, antes das emanações serem emanadas e das criaturas serem criadas, a Luz Superior Simples preenchia toda a existência. Não havia vazio, nem ar vazio, nem vácuo. Tudo estava preenchido por essa Luz Simples, ilimitada. Não havia cabeça nem fim, mas tudo era Um: Luz simples, equilibrada, igual e uniforme. E esta foi chamada a Luz de Ein Sóf. Quando, por Sua simples vontade, surgiu o desejo de criar os mundos e emanar as emanações, para revelar a perfeição de Suas ações, Seus nomes e Suas denominações, — causa da criação dos mundos — Então, Ein Sóf restringiu-Se a Si mesmo em Seu ponto médio, precisamente no centro. A Luz foi contraída, afastando-se para os lados que circundam esse ponto. E ali permaneceu um espaço vazio: ar vazio, vácuo, no exato centro. Essa restrição ocorreu igualmente ao redor, de modo que o vazio ficasse circundado de forma uniforme. Após a contração, restou um espaço oco e silencioso no meio da Luz de Ein Sóf: um lugar onde Emanação, Criação, Formação e Ação pudessem existir. Então, da Luz de Ein Sóf, uma única linha desceu do Alto até esse espaço. E por meio dessa linha, Ele emanou, criou, formou e fez todos os mundos. Antes desses quatro mundos, em Ein Sóf, Ele e Seu Nome eram Um, em união oculta e maravilhosa. E mesmo nas proximidades mais íntimas, não há força nem compreensão em Ein Sóf, pois nenhuma mente criada pode alcançá-Lo. Ele não possui lugar, limite ou nome. -Isaac Luria

B* Ela caminhava ao meu lado, como minha sombra,
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B* Ela caminhava ao meu lado, como minha sombra, sempre a me acompanhar. Na vergonha do olhar, miserável eu fui ao rejeitar o tesouro que construí naquele lugar. Dormia e despertava, e ela estava lá, na madrugada, insistindo em me visitar. Que saudade daquele espaço apertado, onde o cheiro dela permanecia presente, sempre a me acalmar. Despertava na manhã seguinte apenas para ficar, prolongando os instantes antes de me levantar. Cedo fazia minhas refeições com ela, e sua companhia bastava para me alegrar. Nossos dias eram curtos, talvez por isso tão difíceis de guardar. Nunca tive tanta noção de quanto sua ausência viria me assombrar.

Deserto Na travessia daquele deserto soturno, uma jovem de alma pura
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Deserto Na travessia daquele deserto soturno, uma jovem de alma pura segurava minhas mãos. No calor árido daquele deserto, suas lágrimas matavam minha sede. Quando o véu do mistério se estendia pelo céu e o frio tomava o mundo, o abraço da jovem era a fonte do meu calor. No silêncio daquela travessia, quando me perdi naquele deserto, as miragens tomaram conta do meu ser. Embebido em minha ignorância, pintei meu tesouro com os tons do medo. Ele jamais voltará a ser o mesmo. Agora atravessarei o deserto lavando essa tinta com as lágrimas que minhas memórias produzem.

O meu mundo sem forma Cada dia meus desejos crescem
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O meu mundo sem forma Cada dia meus desejos crescem como raízes que racham a própria pedra onde eu tento me firmar. Ver o belo e não poder tocá-lo é aceitar, em silêncio, uma ferida que ninguém pediu. Não persigo o futuro. Todo sonho que antecipo parece roubar o gosto do agora. Então eu me abro. Deixo o fluxo me atravessar como o mar atravessa a areia sem pedir licença. Quero apenas isto: ver. Ser o olho que não prende, o instante que não exige, o homem que observa e não se perde.

A borboleta escarlate ⁠Quando a conheci, era uma lagarta. Rastejava pelo chão, insegura; os outros a olhavam com certo desprezo. Eu, porém, vi a mais pura beleza no sorriso daquela lagarta e fui arrebatado pelo amor.
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A borboleta escarlate ⁠Quando a conheci, era uma lagarta. Rastejava pelo chão, insegura; os outros a olhavam com certo desprezo. Eu, porém, vi a mais pura beleza no sorriso daquela lagarta e fui arrebatado pelo amor. Rastejei pelo mundo ao seu lado, admirando cada uma de suas formas. Entrelaçamo-nos em nosso casulo, um ninho de Vênus, onde o tempo parecia incapaz de nos alcançar. Mas, à medida que Saturno fazia sua contagem, a lagarta transformou-se na mais bela borboleta que meus olhos já contemplaram. Toda metamorfose, porém, exige um preço. Quando li o futuro em suas linhas, o porvir já me era conhecido. Ébrio de uma paixão egoísta, desejei aprisioná-la em um pote de vidro, para anestesiar meu sofrimento com sua formosura. Contudo, suas asas ansiavam pelo mundo. Não nasceram para o vidro, mas para o vento. Então, com o coração dilacerado, abri aquele pote e a deixei partir. Desde então, ela percorre os céus com a leveza que sempre lhe pertenceu. E quão lindo é o seu voo.