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Frase de Aluízio Melo

O silêncio do Real. Havia um buscador inquieto, que perguntava por que o sol nascia e para que o vento soprava. Sempre lhe respondiam: “Assim quis Deus.” E ele silenciava. Mas numa noite, sob o véu do céu estrelado, sentiu-se pequeno, ferido por uma saudade sem nome. Correu aos guias de sua alma, e disseram-lhe: “Te falta Deus.” Então mergulhou nos livros, e a crença que o sustentava tornou-se peso insuportável. Viajou por tradições, bebeu de fontes diversas, mas a sede não cessava. E quando nada restou, quando o vazio gritou mais alto que a fé, ergueu os olhos novamente ao céu. E viu: aquela imensidão não estava fora, mas dentro dele. No silêncio, ouviu o Amado dizer: “Antes que teu nome fosse sussurro, Eu já te chamava. Antes que teus olhos se abrissem, Eu era tua luz. Em tua primeira lágrima, era Eu quem corria em teu rosto. Deixei-te perdido para que Me buscasses. Dei-te sede para que descobrisses: a água sou Eu. Cada dor em teu peito era Meu chamado. Cada dúvida, era Minha presença oculta. Eu te amei em silêncio por eras incontáveis. Agora que Me reconheces, ouve: Nunca estive longe. Foi apenas tua pele que te separou de Mim. Volta para dentro. Ali te espero, onde o mundo não alcança, onde teu ‘eu’ se dissolve, e só o Amor permanece.” - Aluízio (inspirado em Ibn Arabi).

Aluízio Melo

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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A Torre Nos meus sonhos, ela se projeta.
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A Torre Nos meus sonhos, ela se projeta. Há uma névoa sobre ela. Não sei o que deseja. Não sei se aquilo que diz é real. Ela vive um engano, acreditando estar fazendo a coisa certa. Mentiras doces alimentam apenas os miseráveis de espírito. Por que insiste em aparecer? Minha realidade já não comporta a sua existência. E, ainda assim, uma lealdade cega permanece dentro de mim. Talvez eu não espere que ela retorne. Espero apenas ser resgatado da torre onde ainda a guardo.

Luto pelo amanhecer No crepúsculo de minhas dores, encaro os meus adversários.
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Luto pelo amanhecer No crepúsculo de minhas dores, encaro os meus adversários. Eles são um: eu mesmo, fragmentado em inúmeras faces. Cada uma me põe à prova diante de minhas escolhas. Vejo a taça verter seu conteúdo, enquanto murmúrios vestidos de certeza ecoam verdades que jamais foram absolutas. Na contagem de novos dias, cada batalha renasce com o sol. Há lutas que perco. Há guerras das quais saio vitorioso de mim mesmo. Um guerreiro não precisa empunhar a espada todos os dias. Quando o brilho do sol nascente não alcança meus olhos, resta-me enfrentar o único inimigo que verdadeiramente persiste: a falta de clareza que meu coração teima em revelar.

Amor Línguas ousam definir-te como um sentimento.
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Amor Línguas ousam definir-te como um sentimento. Eu, intrigado, pus-me a conhecer-te. Percebi, então, que esse amor de que tanto falavam era apenas o fogo de uma chama de pavio frouxo. O que resta do amor quando é consumido pela chama do desejo? Essa luz projetada, ilusória, que simula um tênue conforto, já não satisfaz o coração de um sábio. Amor, assim te chamo. Recolhe os fragmentos que ficaram pelo chão. Vulgarizado pela língua humana, esqueceram que foste a consciência de uma construção que transcende a vaidade. Não há confusão. Não há para onde fugir. Para ser amado, basta permitir que o Amor bata à porta. Lança-te na incerteza. Jamais me senti tão livre quanto ao tornar-me escravo d'Aquele que transborda. O Amor que me acolhe, não por quem fui, nem por quem sou, mas por aquele que ainda serei.

Quando me deito Quando me deito, minha mente deságua
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Quando me deito Quando me deito, minha mente deságua em delírios. Tormentas dos mais variados tipos. Perguntei-me sobre suas causas. Minha mente respondeu que, sobre minhas costas, pesavam pendências imaginárias. Todas as trilhas estavam bifurcadas. Nas encruzilhadas, ofertas eram depositadas para que eu escolhesse a minha sina. Um fantasma sussurra meu nome. Mas não ouso olhar para trás; corro o risco de tornar-me uma estátua de sal. Quão sedutora era a miragem que surgiu no deserto, justamente quando eu acreditava ter chegado ao fim da travessia.