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Frases de Aleksandro Silva

14 frases

⁠Preso pelos algoritmos Flutuando amarga teia Mente fraca, terra fértil
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⁠Preso pelos algoritmos Flutuando amarga teia Mente fraca, terra fértil A todo ódio que semeia Vigiado na viagem Vadiando, noite é Dia salto na miragem De assalto reza e fé Figurando entre a beleza Esqueleto arredio Paisagem realeza Dismorfico sombrio Engole o choro da solidão Com um gole de café Violão sem diapasão Desarranja nota ré Mundo estranho, pousa rico Mesmo pobre de marré Passa adiante enquanto fico Vai em frente marcha ré!

⁠A minha versão A minha versão que vale a pena não é aquela que te apraz Eu não sou feito de puro equilíbrio
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⁠A minha versão A minha versão que vale a pena não é aquela que te apraz Eu não sou feito de puro equilíbrio Essa minha versão chora todas as noites A minha versão que vale a pena é o avesso da minha impressão carnal Está tudo aqui dentro, na flor da pele não transpassa nada do meu submundo interior Eu não concebo poemas com a minha versão rude, nem digo que te amo Mas minha versão interior grita como um leão selvagem e só diz: “te amo, te amo, te amo...” Essa voz que vem lá de dentro ecoa dessa forma. Eu choro sim, mas não se preocupe, nem tudo em minha vida são lágrimas Às vezes choro por prazer, choro de saudade, de emoção, de êxtase Até esses versinhos simplórios são uma forma de chorar pra mim. E essa minha versão é inacessível. A minha versão louco, embasbacado, apaixonado pela Vida mas de pouco verbo É a versão mais fácil de ver. Mas é uma versão feia. Eu gosto mais de ser bonito Assim como eu sou por dentro. Portanto não me julgue pelo o que eu sou por fora Eu só sou o que sou por dentro graças ao que toco por fora E fora dos limites do meu corpo bate um coração que não é meu Faz parte do que sou por dentro e amo por fora Essa é a minha melhor versão, a que te venera e te contempla A que te bebe no escuro, apalpa no claro e sente falta a todo momento A que te lê nas entrelinhas. A que atravessa à nado essa sua paz vermelha Se pendura firme nos teus fios rubros de cabelo Morre no incêndio que é teu olhar. Minha versão débil não se parece em nada com o cara da propaganda de toalhas que você adora Nem tem os mesmos atributos dos príncipes tal qual previu Walt Disney Essa versão morre a cada dia em que subsiste, não quero que olhe pra ela. Minha versão canalha, é a versão que espera que tudo venha daí Mas que arquiteta o que há de vir e sonha desse lado Sonha contigo a todo momento Quero a sua versão comigo. Aleksandro Silva

Vírgula Moça, Que eu seja vírgula na poesia da tua vida,
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Vírgula Moça, Que eu seja vírgula na poesia da tua vida, Melodia nas canções que entoa, Cor nos desenhos que dá traço, Eterno enquanto seu abraço, Que eu seja calor na luz que banha a cena em que brilhas, Lugar tão firme quanto as tábuas em que voa, Tão suave como as palavras que pronuncia, Tão desejável quanto a vida leve soa, Que eu seja carinho enquanto houver saudade, Proteção enquanto houver maldade, Sonho bom que mata o pesadelo, Beleza nua através do espelho, Que eu seja incerto como teu horário, Cheiro bom no seu incensário, Fogo no olho, improviso no ensaio, Dramaturgia que leio ao contrário, Que eu seja paz em tua jovem vida artista, E vírgula em tua poesia, Porém, que não seja modernista, Só assim talvez me exista E não te perco de vista, Que eu seja vírgula só para sentir o seu respirar ,,,

⁠Classificados Vendo sonhos Vendo amores
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⁠Classificados Vendo sonhos Vendo amores Vendo inspirações Vendo sorrisos Vendo gargalhadas Vendo você me vendo Vendo ideias Vendo inquietações Vendo agonias e aspirações Vendo céus poéticos Vendos luas e nuvens poéticas Coberturas de estrelas poéticas Até poesia eu vendo Vendo ribaltas de plástico Rotundas de plástico Refletores com varas de plástico Bambolinas de plástico Lanternas mágicas de plástico Até atores de plástico eu vendo Vendo aparições Vendo notícias Vendo vidas Vendo você me vendendo Vendo visão Vendo tato Vendo olfato E compro paladar Vendo tudo Vendo mundos Vendo fundos E a única coisa que não ando vendo é talento. Aleksandro Silva

Realidade Indigesta O quê que eu vou comer? O brado retumbante cravado nas ondas sonoras do universo, meu estômago que fez gemer.
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Realidade Indigesta O quê que eu vou comer? O brado retumbante cravado nas ondas sonoras do universo, meu estômago que fez gemer. Como pode a clava forte a mão de um povo, linchar o meu direito de comer? O quê que eu vou comer? Se só me restaram essas lágrimas amargas pra beber. Pegue o chão de cabeceira, As estrelas de cobertor, O frio por companheira, A prece por um clamor. Não reconheço esse bicho, Atrás do dulçor da maçã revira lixo, Pra não desmamar o menino e vê-lo crescer Come, mesmo sem ter o que comer. O quê que eu vou comer? Uma reza Me desperta na matina um banho de água fria, Quem perdura na miséria não merece nem um bom dia. O vazio e o soluço, queima mais do que azia, Cadê aquele povo meu Deus? Que tanto dizem ser dos seus e só falam de empatia? O quê que eu vou comer? Os rosto antes desnudo se veste na sujeira, Os poucos dentes que restam só servem pra roer o osso, Quem caiu no fundo do poço, Não sorri pra qualquer bobeira. O quê que eu vou comer? Se até quem come, não consegue comer bem. Quem muito tem, nada divide. Quem pouco tem, partilha e transgride. Quem nada tem, que a sorte duvide. É difícil acreditar na invisibilidade que se constrói, Parece que o ser em mim aos olhos deles se corrói, Não sou visto, não sou quisto, nem parece que sou gente. Mas se tem bom coração, Joga um pão meu irmão, Minha fome é urgente. O quê que eu vou comer? Um foguete no espaço A adefagia em mim me iguala a um animal, A miopia deles não os fazem especiais. Quem sabe eu fique rico, ganhe um tostão a mais Pra queimar em combustível das corridas espaciais. O quê que eu vou comer? Um pão ou uma poesia? A Deus eu somente peço, Que todo irmão tenha acesso ao pão, Não enfrente um dia o quinhão De não ser visto e virar verso. Aleksandro Silva

⁠Entorpecente Ele faz viver por mais um dia Quando morre em seu peito mórbida alegria
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⁠Entorpecente Ele faz viver por mais um dia Quando morre em seu peito mórbida alegria Mata aos poucos o fraco que antes sorria. Débil entorpecente Esvoaça sobre ele o matando que nem ao menos sente Quando prova do veneno da garganta da serpente. Após a lembrança efêmera do teu sabor passageiro Enfrenta desfalecido o sofrer de um dia inteiro Marcado veias abaixo inebriado do amargo cheiro Acha em seu bolso a planta da vida Brevemente acendida Pelo calor do seu esqueiro. Vida cárcere, inferno maldade Inflama da erva a libertinagem Um púlpito pútrido regado à meias verdades Salvava o maltrapilho das maiores enfermidades: Espiritual, física e emocional: Era o "ópio do povo". Quem dela não usa logo não tem esperança De bate pronto ao desespero faz de si uma criança Quer ir embora do mundo ao céu pulando, como isso cansa. De curtas madeixas rudes o jovem negro sub-urbano Levava consigo na mão um diapasão Com o qual afinava falhadamente seu violão De cordas opacas, madeiras envelhecidas ao longo ano. Pergunte a ele onde há de dormir Coberto, passivo aos males vigentes Dissipado em sua mente o ópio docente Cai mais uma vez na desgraça entorpecente. De tanto abusar de ti ele está para ficar louco Os gritos da alma se estringem até que rouco Abre mão da sua vida que ruíra pouco a pouco. No alto eu vira brilhar uma estrela diferente Bem longe das outras, bem mais incandescente Para ele ali era o lugar que Deus reservou Aquele que a vida insistiu em maltratar partira ao céu doente De lá irá mostrar o seu valor inerente O brilho interior que é o que vale realmente Dando a nós de presente a beleza entorpecente. Aleksandro Silva- 01/02/2012

⁠Olhos piégas Eu choro para ver o mundo girar em torno de mim Choro pois a faca fincada no peito magoa
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⁠Olhos piégas Eu choro para ver o mundo girar em torno de mim Choro pois a faca fincada no peito magoa Choro triste, choro à toa Choro pois o destino quis assim. Me perco entre corizas, náuseas E vertigens, imagens do passado Em minha infelicidade debruçado Escorro em lágrimas as vias aéreas. Eu choro porque o céu deságua em meus olhos Desabo quando a dor não cabe em minh'alma Suspiro quando a tormenta se acalma E com o travesseiro recupero os sonhos Esse meu fiel escudeiro Sabe tudo sobre o paradeiro De como meu coração se perdeu Daí eu choro quando a noite cai E quando minhas vistas cansarem de ser um espetáculo a Perseu Prometo que serei só seu Juntarei meus pedaços e me farei inteiro Para nunca mais ter que chorar em seus braços (sem compromisso com a métrica) Aleksandro Silva

⁠Meu coração é sistema excretor de versos Que nos campos de lírios diversos Esvaece sem sentir dor.
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⁠Meu coração é sistema excretor de versos Que nos campos de lírios diversos Esvaece sem sentir dor. Meu coração é herança da criança que dança no adro da esperança da traça, da trança. Meu coração é de pedra Até o abstrato engendra Na fonte que bate ao morrer. Meu coração é uma obra prima Que de tanto carecer de rima Por muito tempo deixou de bater. Meu coração é parnasiano Quase que de ano em ano Deságua na fonte de quem o amou Se dele por hora me afasto morro Assim como em morro morre o asfalto Morro doce ao viver. À Fausto. Aleksandro Silva

⁠... ouvi pessoas importantes dizerem adeus, não com todas essas letras A, D, E, U e S, mas desde então qualquer dor de dente têm sido fácil de suportar. Se alguém me pergunta porque sou uma mulher insensível, simplesmente respondo que sensibilidade é excesso de falta de proteção…
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⁠... ouvi pessoas importantes dizerem adeus, não com todas essas letras A, D, E, U e S, mas desde então qualquer dor de dente têm sido fácil de suportar. Se alguém me pergunta porque sou uma mulher insensível, simplesmente respondo que sensibilidade é excesso de falta de proteção. Fica cada vez mais difícil ser romancista, a corrupção virou manchete, a depressão é o novo mal do século e eu acabo de deixar de te amar... Balada da meia mulher