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Frase de Aleksandro Silva

Realidade Indigesta O quê que eu vou comer? O brado retumbante cravado nas ondas sonoras do universo, meu estômago que fez gemer. Como pode a clava forte a mão de um povo, linchar o meu direito de comer? O quê que eu vou comer? Se só me restaram essas lágrimas amargas pra beber. Pegue o chão de cabeceira, As estrelas de cobertor, O frio por companheira, A prece por um clamor. Não reconheço esse bicho, Atrás do dulçor da maçã revira lixo, Pra não desmamar o menino e vê-lo crescer Come, mesmo sem ter o que comer. O quê que eu vou comer? Uma reza Me desperta na matina um banho de água fria, Quem perdura na miséria não merece nem um bom dia. O vazio e o soluço, queima mais do que azia, Cadê aquele povo meu Deus? Que tanto dizem ser dos seus e só falam de empatia? O quê que eu vou comer? Os rosto antes desnudo se veste na sujeira, Os poucos dentes que restam só servem pra roer o osso, Quem caiu no fundo do poço, Não sorri pra qualquer bobeira. O quê que eu vou comer? Se até quem come, não consegue comer bem. Quem muito tem, nada divide. Quem pouco tem, partilha e transgride. Quem nada tem, que a sorte duvide. É difícil acreditar na invisibilidade que se constrói, Parece que o ser em mim aos olhos deles se corrói, Não sou visto, não sou quisto, nem parece que sou gente. Mas se tem bom coração, Joga um pão meu irmão, Minha fome é urgente. O quê que eu vou comer? Um foguete no espaço A adefagia em mim me iguala a um animal, A miopia deles não os fazem especiais. Quem sabe eu fique rico, ganhe um tostão a mais Pra queimar em combustível das corridas espaciais. O quê que eu vou comer? Um pão ou uma poesia? A Deus eu somente peço, Que todo irmão tenha acesso ao pão, Não enfrente um dia o quinhão De não ser visto e virar verso. Aleksandro Silva

Aleksandro Silva

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Pensador.com

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⁠Preso pelos algoritmos Flutuando amarga teia Mente fraca, terra fértil A todo ódio que semeia Vigiado na viagem Vadiando, noite é Dia salto na miragem De assalto reza e fé Figurando entre a beleza Esqueleto arredio Paisagem realeza Dismorfico sombrio Engole o choro da solidão Com um gole de café Violão sem diapasão Desarranja nota ré Mundo estranho, pousa rico Mesmo pobre de marré Passa adiante enquanto fico Vai em frente marcha ré!

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⁠... ouvi pessoas importantes dizerem adeus, não com todas essas letras A, D, E, U e S, mas desde então qualquer dor de dente têm sido fácil de suportar. Se alguém me pergunta porque sou uma mulher insensível, simplesmente respondo que sensibilidade é excesso de falta de proteção. Fica cada vez mais difícil ser romancista, a corrupção virou manchete, a depressão é o novo mal do século e eu acabo de deixar de te amar... Balada da meia mulher

⁠Meu coração é sistema excretor de versos Que nos campos de lírios diversos Esvaece sem sentir dor.
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⁠Meu coração é sistema excretor de versos Que nos campos de lírios diversos Esvaece sem sentir dor. Meu coração é herança da criança que dança no adro da esperança da traça, da trança. Meu coração é de pedra Até o abstrato engendra Na fonte que bate ao morrer. Meu coração é uma obra prima Que de tanto carecer de rima Por muito tempo deixou de bater. Meu coração é parnasiano Quase que de ano em ano Deságua na fonte de quem o amou Se dele por hora me afasto morro Assim como em morro morre o asfalto Morro doce ao viver. À Fausto. Aleksandro Silva