Frase de Juvenil Gonçalves da Costa
O Paradoxo dos Alicerce Juvenil Gonçalves Ergue-se o teto alheio em mãos vazias, Com calos que não têm onde repousar; Quem molda o lar de alheias fantasias Não vê sequer tijolo pra habitar. Do prumo e praga, em meio à argamassa, Escorre o pranto oculto do operário, Que, noite adentro, à sombra que o ultrapassa, Sonha em silêncio um canto necessário. Mansões surgem do esforço que não dorme, Palácios brotam do suor sem nome, E enquanto o pobre a vida assim conforma, Nem mesmo o chão lhe serve de renome. Quem mais constrói, sem ter onde se assente, Faz do trabalho um cárcere eloquente; Cimento e dor no mesmo alicerçar— Que mundo é este em que o abrigo é negado A quem, com mãos, o abrigo fez brotar?
No pensador.ai desde