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Frase de Juvenil Gonçalves da Costa

O sábio e o Idiota apaixonados Juvenil Gonçalves Dizem que o sábio é prudente, e o idiota é sem noção, mas bota um amor na frente e se igualam na paixão! É um tropeçando em sonho, outro perdido em ilusão... O sábio, que lia estrelas, chora por causa de flor; o idiota, que lia nada, vira poeta do amor! Ambos babando besteira, sem medo, vergonha ou pudor. O sábio, que em tese ensina que o mundo é só ilusão, liga de noite pra amada chorando igual um bobão; o idiota, que já chorava, vira o rei da lamentação! Amor, esse bicho danado, não olha a nota nem a razão; ele laça sábio e idiota com a mesma corda na mão. E faz dos dois um só tolo brincando no mesmo chão!

Juvenil Gonçalves da Costa

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Pensador.com

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Olhar profano Juvenil Gonçalves Teu olhar, açoite e prece,
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Olhar profano Juvenil Gonçalves Teu olhar, açoite e prece, Labareda em tom sombrio, Entre o céu que me enaltece E o inferno onde me fio; És luxúria que me impele, Olhar de cachorro no cio. Fere, inflama, envenena, És astro em desvario; És serpente que envenena Com veneno doce e frio. És pecado em forma plena, Eucaristia do desvio. No templo da tua face Arde o culto proibido; Teu olhar, quando me abraça, É altar de amor bandido. Nele o anjo perde a graça E o santo cai corrompido. Por ti rasgo o Livro Santo, Profano a fé que te evoco; Pois me tomas pelo encanto Que se oculta em teu sofoco. E o que era virtude, em pranto, Faz-se brasa em fogo louco. Ó delírio que me assalta, Labirinto sem saída; Quando teu olhar me exalta Desmantela a minha vida. Nele a morte se ressuscita E o inferno vira guarida. Se sou servo ou penitente, Nem o céu define o fio; Pois me entrego inteiramente Ao prazer que desafia o brio. E tudo começa novamente No olhar vagabundo no cio.

O AVESSO DO POEMA *JUVENIL GONÇALVES * O avesso do poema
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O AVESSO DO POEMA *JUVENIL GONÇALVES * O avesso do poema é o que sobra quando o verso cai, quando a rima escapa, e a palavra — nua — fica olhando o poeta de frente. É o silêncio que não coube no poema, a rascunhada dor que não virou metáfora, o eco do que não se disse mas insiste em arder na ponta do lápis. O avesso da poesia é o poema quando termina — ou quando nunca começou. Juvenil Gonçalves

O Relógio e a Lâmina Juvenil Gonçalves Nas entranhas do tempo, um relógio sangrava,
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O Relógio e a Lâmina Juvenil Gonçalves Nas entranhas do tempo, um relógio sangrava, Cada tic uma lágrima, cada tac uma cava. Em mármores frios, a ampulheta virada Vertia seu pó sobre a carne cansada. A lâmina, imóvel, sobre o altar do instante, Brilhava em silêncio — vestal cortante. Não corta a pele, mas sim a memória, E inscreve nas veias a cicatriz da história. No espelho estilhaçado de um ontem perdido, Vejo o reflexo de um ser já partido. Sou o que fui — e por ser, já me ausento, Um nome sussurrado no sopro do vento. A morte não grita, apenas aguarda, Com olhos de sombra e face bastarda. É mãe e madrasta, no mesmo compasso, Nos embala em silêncio — no mais frio regaço. Ó tu que respiras, crês que és inteiro? Não passas de sombra num véu passageiro. O relógio e a lâmina — gêmeos em dor — Contam teus passos em direção ao torpor

Teus olhos são a origem do tempo Juvenil Gonçalves Teus olhos são luas gêmeas em órbitas de vigília,
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Teus olhos são a origem do tempo Juvenil Gonçalves Teus olhos são luas gêmeas em órbitas de vigília, cicatrizes de um cosmos que não dorme. Ao decifrá-las, desaprendo a física: são elas que inventam o mar, a carne, o relógio. Não há mundo além de seu eclipse. O oceano que neles navega não é líquido, mas fronteira entre o ser e o véu — ondas quebrando em espelhos onde o real se desfaz e recompõe, eterno ensaio. A lua que ali dança não é astro, é a primeira metáfora, o desejo que antecede até o verbo desejar. Constelações cravadas em tua pupila são alfabetos de um caos primordial: cada estrela, uma sílaba do nome que jamais pronunciaremos. Elas cartografam o vazio entre dois corpos, a distância entre o "eu" e o "outro" — abismo que chamamos amor, mas que, no fundo, é só o eco de um sol que se apagou há eras. Há em teu olhar a vertigem do infinito: cada piscar é um universo nascendo de um suspiro, ou um buraco negro engolindo todas as perguntas. Não é angústia, é a lei secreta — tudo que existe carrega em si o germe da própria extinção. Até o amor. Especialmente o amor. Amar-te é habitar um paradoxo: é morder a sombra de um fruto proibido cuja polpa é feita de ausência. É saber que a luz que me guia já foi apagada há milênios, e ainda assim jurar que é nova, que é minha, que é eterna. Porque teus olhos, veja bem, são relógios sem ponteiros: neles, o instante é tudo. E tudo é só um reflexo de algo que perdemos antes mesmo de nascer.