Frase de Juvenil Gonçalves da Costa
Olhar profano Juvenil Gonçalves Teu olhar, açoite e prece, Labareda em tom sombrio, Entre o céu que me enaltece E o inferno onde me fio; És luxúria que me impele, Olhar de cachorro no cio. Fere, inflama, envenena, És astro em desvario; És serpente que envenena Com veneno doce e frio. És pecado em forma plena, Eucaristia do desvio. No templo da tua face Arde o culto proibido; Teu olhar, quando me abraça, É altar de amor bandido. Nele o anjo perde a graça E o santo cai corrompido. Por ti rasgo o Livro Santo, Profano a fé que te evoco; Pois me tomas pelo encanto Que se oculta em teu sofoco. E o que era virtude, em pranto, Faz-se brasa em fogo louco. Ó delírio que me assalta, Labirinto sem saída; Quando teu olhar me exalta Desmantela a minha vida. Nele a morte se ressuscita E o inferno vira guarida. Se sou servo ou penitente, Nem o céu define o fio; Pois me entrego inteiramente Ao prazer que desafia o brio. E tudo começa novamente No olhar vagabundo no cio.
No pensador.ai desde