Frase de Rui Alexandre Cascão de Campos Oliveira
Via Dolorosa Sigo o trilho do meu ser, Sem querer ser nem saber O que me ha-de prover. Munido de cobardia, Arde em mim o adágio. Propender que não agia, Juiz pobre do ser, Encostado à lombada Julgava ter carácter E menção para contender. Certezas à chumbada, Injustiças solver, Casos vindos do nada, Que o soldado na parada Jurou não mais combater. Sofrimento rio em que nado Rumo à margem ansioso e crente. Escapa-me da mão o tronco pendente, De tanto nadar contra a corrente. Rio que me lavas a vida, Cada vez que engulo o vazio E encharco meu pulmão doente. Mas não desisto da braçada, Escapa-me a margem à tangente, Miro-a daqui enquanto trago água. Miragem que é sinal de fumo, Onde o apache escreveu resumo, Da minha ofegante falta de coragem. Padecem-me as forças, Deste rio me inundo. Sinto com a pontas dos dedos Os seixo e lodo no fundo. Dura pedra, vil mensagem, Culminar esta viagem No barranco da mesma margem. Pois do profundo trouxe pedras. Da peleja não mais miragens. Das pedras o saber de aprendizagens. Reconheço no vazio Um sentir contra o sentido, Pois não fora outrora um prodígio E talvez nunca serei um ser bem entendido!
Rui Alexandre Cascão de Campos Oliveira
No pensador.ai desde