Frase de Rui Alexandre Cascão de Campos Oliveira
Condor Quero eclipsar a minha existência E quero-o já... não é um pedido, É uma ordem que me anda a deixar insolente. Quero ir para o lado de lá do teu sentido Dar sentido à minha vida. Quero ser uma pena na bigorna do forjador. E que ele não perdoe das suas mãos a minha demência. Esta sentença de estar onde não estou, Esta injunção que me obriga a ser quem não sou, Pois não é mais da ausência a minha dor. O Anjo do Abismo com sua gadanha É presença que ao meu lado se senta. Ouço o sobrevoar silencioso do Condor Só ele me acalma a alma. Enquanto ele inalar o meu padecer, Enquanto ela pairar sobre minha cabeça, Eu sei que não estarei só. Porque é para o lado de la Que eu quero ir... e quero ir já! Quero ser o litígio entre ambas as partes, Ser acuso de não ter cumprido o compromisso, Quero que as cabeças que me andam a atormentar Sejam mutiladas por Excalibur. Ordeno sair de dentro de mim. Irei fazer escorrer meu sangue ladeira a baixo, Trocar a minha alma pela epifania E vou querela a toda a hora Sem demora nem mania, A toda a hora!... Ordeno eu ao mais alto dos altos Que seja agora. Que seja neste minuto. Troco o meu lamento Pelo teu estatuto! Transforma-te ó Tempo, No mais bruto forjador, No cavaleiro de maior talento E ordeno a Excalibur Acabar com este momento Decepar esta minha dor Onde eu só sinto sofrimento!... Ouço o alento do bater das assas, Vai pousar ao meu lado o Condor... Já não lamento!... Um tentativa em exonerar da minha imaginação, da minha alma se assim me atrevo a dizer, a dissertar aquilo que de mais profundo imagino pairar sobre muitas consciências humanas, ao se aproximar o momento de uma morte anunciada. Por mais difícil que seja de me pronunciar desta forma tenho que ser fiel àquilo que sinto e deitar cá para fora tal como sinto ao imaginar esse momento.
Rui Alexandre Cascão de Campos Oliveira
No pensador.ai desde