Frase de Flavio Kedson Xavier Bernardino
Entre o que faço e o que sou Hoje eu machuquei a mim mesmo pra sentir na pele, pra ver se ainda existo. Como um masoquista, buscando um sinal de existência além do que entrego. Porque ajudar virou língua materna, e eu já não sei falar comigo sem traduzir tudo em cuidado. Eu me pergunto: quem sou eu quando ninguém precisa de mim? Quando o silêncio não pede escuta, quando não há dor pra organizar, quando não há ninguém na beira do abismo? Sou eu… ou sou só a ponte? Carrego nomes, histórias, fragmentos de gente que deixaram pedaços em mim como quem passa e não volta. E no fim, quem junta os meus? Disseram que o caminho é seguir em frente, mas ninguém explicou como voltar pra dentro. Qual estrada leva a mim sem passar por outro primeiro? E se eu chegar lá, nesse tal de “eu”, vai ter alguém esperando? Ou só o eco de tudo que fui pros outros? Tenho medo de ser abrigo e nunca casa. Tenho medo de ser caminho e nunca destino. Mas hoje… no meio desse ruído quebrado, percebi algo pequeno quase imperceptível: eu ainda sinto. E talvez isso não seja só dor. Talvez seja um resto de mim que não foi embora, uma sombra carregando um fio de luz. E se ainda há resto, há começo. Mesmo que lento. Mesmo que torto. Mesmo que só. Ou talvez… não seja solidão. Talvez eu tenha me escolhido pela primeira vez e chamado isso de vazio, quando, no fundo, era só um silêncio seletivo pra ver os outros crescerem enquanto eu ainda aprendia a nascer de novo, como quem encontra um desconhecido no espelho. Aprendendo a existir sem precisar caber em alguém. E hoje, quando me machuquei e percebi que ainda sentia, não foi só dor. Foi como lembrar que existe luz mesmo no lugar onde eu me perdi. E pela primeira vez, eu não corri. Fiquei. E talvez… seja isso começar: não me abandonar quando só resta eu
Flavio Kedson Xavier Bernardino
No pensador.ai desde