Frase de Flavio Kedson Xavier Bernardino
Poema –Entre o Silêncio e o Pedido O que é, afinal, um pedido de socorro? É o grito que não sai, ou o silêncio que ecoa por dentro? O que é pedir ajuda? É dizer “estou só”? Ou é olhar ao redor e não encontrar ninguém, mesmo quando há tantos ali? Há uma solidão que não se explica, que não depende da ausência, mas da falta de ser visto. E então me pergunto: como continuar? Continuar… para quê? Buscar compreensão? Acolhimento? Ou apenas um lugar onde eu possa existir sem esforço? Será carência… ou é ausência mesmo? Porque, no fundo, acho que estou pedindo socorro. Estou cansado de tentar. Uma vez me disseram: “é só viver.” Mas como se vive quando não se sabe o caminho? Eu sei respirar… mas isso não é viver. Queria sorrir com leveza, queria sentir que existo de verdade. Mas sigo, como um mecanismo… funcionando, cumprindo, ajudando. E me pergunto: é só isso? Queria dizer que viver é simples. Mas, às vezes, o simples parece impossível. Porque há dias em que morro em silêncio, repetidas vezes, lembrando de tudo aquilo que nunca saiu da imaginação. Sonhar cansa. Voltar à realidade cansa mais ainda. E então retorno à mesma dúvida: isso é um pedido de socorro… ou só continuo existindo para não deixar os outros caírem? E, no meio disso tudo, uma pergunta me atravessa quieta, mas insistente: será essa a vida de quem cuida? Estender a mão com o próprio vazio nos dedos? Oferecer abrigo sem ter onde repousar? Buscar apoio… e não encontrar? Talvez por isso tantos silenciem, tantos desabem por dentro, tantos desistam sem aviso. Uma vida dedicada a sustentar outros, e, ainda assim, caminhar só. Uma vida de entrega. Uma vida de ausência. Uma vida de dor que insiste em não passar
Flavio Kedson Xavier Bernardino
No pensador.ai desde