Frase de Flavio Kedson Xavier Bernardino
I — Solitário Conhecido Sou um romântico no estilo dos anos 50… preso em uma geração rápida demais e profunda de menos. Enquanto dizem que viver é diferente de estar vivo… eu sobrevivo. Respiro… sendo apenas mais um solitário conhecido. E me pergunto: será que é isso? Meu destino é este? Porque ficar sozinho dói… mas amar consegue ser ainda mais difícil. Às vezes eu acho que as pessoas se apaixonam por mim antes mesmo de me conhecerem. Não se apaixonam por quem eu sou. Se apaixonam pela versão silenciosa que projetam em mim. Mas não veem a mente que não desacelera. O cansaço de quem organiza o caos todos os dias. E quando percebem um pouco da tempestade que mora aqui dentro… vão embora. Ou simplesmente escolhem não entender. Mesmo assim algo em mim insiste em acreditar: Em algum lugar deste mundo imenso alguém há de me encontrar. Talvez ela esteja por aí… tentando me encontrar do mesmo jeito que eu estou aqui tentando encontrá-la. Mas às vezes o tempo pesa. E eu temo que quando nossos caminhos finalmente se cruzarem… eu já tenha aprendido a viver apenas na imaginação. Mesmo sabendo nome e sobrenome… o caminho até ela ainda se perde na névoa. E foi na imaginação que eu construí minha casa. Uma casa feita de memórias que nunca vivi. E foi com muito custo que eu entendi algo curioso: o ápice da tristeza é sorrir. E o ápice da felicidade é chorar. Estranho, não é? Um solitário conhecido vivendo com um sorriso no rosto… e chorando apenas quando volta para a imaginação. Às vezes me pergunto se não é mais fácil assim. Porque a realidade custa caro. E talvez seja melhor ser feliz na imaginação do que triste na realidade. Porque talvez eu seja apenas isso: um romântico dos anos 50 preso em uma geração rápida demais e profunda de menos. E talvez seja assim que tudo acabe: um solitário conhecido apaixonado por alguém que talvez exista… ou talvez só exista dentro de mim.
Flavio Kedson Xavier Bernardino
No pensador.ai desde