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Frase de Gabriel Hayashida de Arruda

⁠Que estranho é existir. Ou, antes, que grotescamente familiar é ser arrastado por esta existência, como um fardo que não se pode abandonar, mas que igualmente não se consegue suportar. Levanto-me todas as manhãs com a mesma dúvida insuportável: Por que continuo aqui? O que é esperado de mim? Para onde vou, se é que vou para algum lugar? As perguntas — essas eternas acompanhantes — não encontram respostas. Há dias em que me pergunto se sou eu quem vive, ou se sou apenas um intruso em minha própria pele, um espectador de algo que se desenrola sem meu consentimento. Os outros parecem tão certos de sua existência. Eles caminham como se estivessem indo para algum lugar. Para onde? Não sei. Mas eles sabem. Ou fingem saber. Seguem uma linha invisível, uma espécie de mapa que os guia, enquanto eu fico perdido, como se o mundo tivesse virado de cabeça para baixo e só eu notasse. Como se o simples fato de estarem em movimento fosse suficiente para justificar sua razão de ser. Há algo profundamente errado em mim, algo que não consigo nomear, mas que se manifesta em cada respiração, em cada batida do coração. Uma estranheza desconcertante que me corrói. Minha prisão é feita da minha própria carne, desta carne que me reveste e me nega, que me trai a cada gesto, a cada movimento, a cada palavra. Cada parte de mim parece se rebelar contra o restante, como se eu fosse um amontoado de estranhos compartilhando o mesmo corpo. Meu corpo, minha mente, minha alma… todas essas instâncias que deveriam formar uma unidade estão agora em conflito constante, como peças de uma máquina que nunca foi montada corretamente e, ainda assim, insiste em funcionar. Cada gesto, por mais banal que seja, perde todo o significado. Comer não alimenta, dormir não descansa, sorrir não alegra. Tudo o que faço é insípido, como se o próprio ato de existir fosse uma farsa. O que me resta, então, senão esta estranha sensação de vazio, que persiste em mim, mas que jamais me deixa preencher? A solidão não é apenas o estado de estar só, mas a sensação de ser um refugiado sem pátria — nem mesmo a do meu corpo.

Gabriel Hayashida de Arruda

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Indigente Não sei quem sou nesta vida. Fui tudo, mas não sou nada. Louco, poeta, por vezes filósofo. Intenso e verdadeiro, por vezes ingênuo. Sou um idiota que ama a vida, um amor platônico com sabor de infinito. Tantas vezes me feri, mas sorri. Não sei de onde vim, nem para on…
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Indigente Não sei quem sou nesta vida. Fui tudo, mas não sou nada. Louco, poeta, por vezes filósofo. Intenso e verdadeiro, por vezes ingênuo. Sou um idiota que ama a vida, um amor platônico com sabor de infinito. Tantas vezes me feri, mas sorri. Não sei de onde vim, nem para onde vou. De tudo que me resta, não tenho pressa para chegar a um lugar que desconheço. Conheci pessoas, amei, sofri, vivi. Não sei se da maneira certa, mas do meu jeito eu vivi. De poucas coisas me orgulho, mas de nenhuma me arrependo. Sou o que sou, não um Deus, mas um homem. Fui feliz na simplicidade desta complexa vida.

⁠Oração do Poeta Pai Nosso, que és a essência em tudo o que é e se torna, santificado seja o silêncio em que Te ocultas.
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⁠Oração do Poeta Pai Nosso, que és a essência em tudo o que é e se torna, santificado seja o silêncio em que Te ocultas. Que venha a nós a razão que desvenda o indefinido, e que se realize a Tua vontade nas interrogações de nossas mentes e nos pulsos de nossos corações. Concede-nos, neste instante incerto, o bálsamo que alivia as almas exaustas, perdoa-nos a vertigem de existir, assim como perdoamos a inevitável tolice dos que acreditam saber. Não nos deixes sós perante a vastidão do nada, mas, se nada houver, ensina-nos a aceitá-lo.

⁠Eu já estou morto. Ao escrever este poema, sou apenas um cadáver que teima em segurar a caneta. Não sei o dia, nem a hora de quando eu morri —
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⁠Eu já estou morto. Ao escrever este poema, sou apenas um cadáver que teima em segurar a caneta. Não sei o dia, nem a hora de quando eu morri — talvez na juventude, talvez no primeiro verso, talvez no primeiro amor que não me amou. E é isso. Estou morto, e não há mais volta. Ninguém chorou. Não houve velório, nem lamentos, nem lápide com meu nome. Morri e continuei vivo, preso ao corpo como se ele fosse meu. Sem céu, nem inferno. Após a morte, só há o hábito de existir, onde meu cadáver se senta a escrever como quem cava a própria cova com uma colher de chá. Continuei a fazer as coisas de quem vive: amar sem saber o que é amor, crer sem fé, desejar sem saber por quê. Morto, mas não suficientemente; vivo, mas não inteiramente. Sem saber se invento a vida ou se ela me inventa. Morri sem testemunhas. Nenhum mau cheiro, nenhum adeus, nenhum vestígio. E o pior: nem eu mesmo percebi.

O Mendigo de Si Tenho um teto — eis a concha, mas o caracol já partiu.
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O Mendigo de Si Tenho um teto — eis a concha, mas o caracol já partiu. Quatro paredes me cercam, mas nenhuma me contém. Tenho uma cama — é porto, mas o barco não chega a si. Meus lençóis envolvem o corpo, mas a alma foge em segredo. Tenho amigos — bons, presentes —, e, ainda assim, minha solidão fala mais alto que todas as vozes ao redor. Tenho família — carinhosa, constante —, mas algo em mim duvida do amor que recebo. Talvez por nunca me sentir digno. Tenho fé — rezo, creio, suplico —, mas a esperança é fruto que apodrece na mesa posta. Acredito em Deus, mas duvido de mim. Não me falta coisa alguma. Falta-me o ser que as coisas têm. Até o pão que como tem o gosto de outro pão — um que ninguém me dá. Pergunto-me, sem resposta: se tudo em mim é empréstimo, quem sou eu quando não peço? Sou um mendigo de mim, perdido no que me sobra. E, se um dia me acharem, que me devolvam a alma. Ah, não é ingratidão, nem demência, nem soberba. É possuir tudo — e, no fundo do peito, descobrir que nada se tem. Não me falta o pão, nem o teto, nem o abraço. Falta-me o gosto de existir. Tudo me sobra — e, mesmo assim, falta-me o nome do que perdi antes de possuir. Talvez não exista esse “eu” que espero reencontrar como quem acha as chaves no bolso de um casaco antigo.