Frase de R. Douglas
SONHAR Existe algo belo e sedutor em sonhar Sonhamos com desejos novos e antigos, muitos dos quais não esperamos realizar O sonho adoça nossa boca, encanta nossos olhos e deixa um gosto amargo no final Porque não importa o quão belo ele seja nada daquilo é real Lutar por um sonho é trabalho de mestre, deus e senhor Tomar o destino em cabresto e, com os dentes trincados, lançar-se naquele furor É duro desesperador e por vezes nada daquilo parece importar Mas há a chance que os sonhos se pintem em realidade ainda mais bela do que podemos imaginar Certos desejos, que não chegam a sonhos, também rodam o fundo da nossa mente Inconfessos por sua própria natureza, oscilam no lusco fusco daquela estranha lente Esses são perigosos porque não nos movem como um sonhar Mas mantém por anos cativa nossa atenção enquanto oscilam entre ser e estar Naquele lugar pseudo-esquecido mas que ressoa com uma melodia familiar Não desbravamos a selva alagada das possibilidades esquecidas que fulguram no além mar Mas existem ocasiões em que as Parcas gostam de jogar E tecem uma trama profana nos colocando bem onde poderíamos, talvez, querer estar O que você faz quando uma vontade que jamais verbalizou estende a mão? A resposta é óbvia, não seria concebível para nós dizer um não Com surpresa e prazer dançamos aquela valsa desconhecida em um solo escuro e movediço E esperamos que aquele sopro de boa sorte nos leve para mais longe e nos dê cada vez mais disso Nesse momento cometemos o maior erro e ousamos sonhar Uma realidade que não nos pertence brilha ao longe e desejamos ardentemente tocar Mas tal como as Parcas começaram, elas terminam, com um puxar preguiçoso do seu cordão E aquilo se esfacela ao som agudo e triturante da decepção O que nunca iria acontecer mas que bailou a nossa frente em um fátuo de saudade Deixa nossos olhos momentaneamente cegos mas ainda desejos daquela onírica verdade É possível sentir saudade de uma verdade que nunca esteve presente? Pois sim, é possível, e essa é uma falta que jamais irá deixar os recônditos mais obscuros da nossa mente.
No pensador.ai desde