Frase de R. Douglas
ASAS Em um rompante de loucura abismal ou excepcional clareza Lançou-se sem medo ou arrependimento movido por alguma inominável certeza O abismo certamente se estendia a frente tão sombrio e faminto quanto podia ser Torcendo por uma falha, um deslize, qualquer leve hesitação no seu querer Contra todas as chances, vaticinações ou sortilégios elas se abriram com gentil entonação Asas, como velas, bandeiras da vitória, faróis de exaltação Ascendeu sobre as garras do abismo e sentiu o gosto do céu Na pele o frio de um mundo esquecido enquanto rasgava daquela realidade o véu Viu-se a longas distâncias aquele ápice de milagre Ouviu-se o grito de êxtase movido por aquela doce insanidade Desafiando a ira dos deuses ele arrogantemente voou Tal como em sublime sonho foi mais alto do que qualquer mortal jamais ousou A glória que ele sentia era impossível de descrever E sua expressão de contentamento estava além do humano ser Tomado por aquela sensação que lhe preenchia foi mais alto naquele momento E ainda além se elevou almejando tocar o firmamento Em meio aquele doce caleidoscópio de beleza etérea acabou perdido Enquanto sublimava rumo ao infinito de seu limite esquecido O brilho era magnânimo, maravilhosamente impossível de resistir Mas suas penas coladas com delicada cera começaram pouco a pouco a cair Não podia parar, não quando fora tão longe naquele devaneio desvairado Em graça e quietude as asas se foram ante o brilho do sol, deixando apenas o mito para ser contado.
No pensador.ai desde