Frase de R. Douglas
NOITE A carruagem de Apolo termina seu percurso e o mundo suspira em anuência O crepúsculo efêmero da primavera esboça um afago meigo em uma gentil cadência Nix se manifesta trazendo estrelas ao firmamento Sossego, quietude, silêncio, uma balsa ilusória nas correntes do tempo Nossa dança penosa e áspera sublima enquanto um véu de ébano cai como que por encanto A realidade não é a mesma, ainda que tudo o mais o seja, sentimos notas suaves de acalanto Não importa onde fomos haveremos invariavelmente de parar Morfeu nos chama ao longe à segurança e ao refúgio do sonhar Brumas anciãs se erguem do Tártaro unicamente para nos provocar Naqueles momentos de silêncio vislumbramos o impensável, o impronunciável, nossa barreira entre ser e estar Nos é permitido desejos jamais vocalizados, sonhos nunca alcançados Passados e futuros em esboços traiçoeiros que jamais foram pintados É o momento das estranhas verdades ocultas à luz do dia De uma parada escondida, de sentimentos guardados em uma caixa que sequer existia Sob a harmonia celeste que ecoa a completude que jamais teremos em um singular harmônico mudo Somos tempo, vontades, doces sombras esquecidas, perdição e, envoltos no brilho da noite, somos tudo.
No pensador.ai desde