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Frase de Juvenil Gonçalves da Costa

Breu Noturno (poema sem o emprego da letra "A") Juvenil Gonçalves No breu escuro do monte surdiu frio, eco vil. Corvo rondou horizonte, som sinistro surgiu. Luz morreu, céu se nublou, sino dobrou no terreiro. Vento feroz ribombou, tudo gemeu por inteiro. Cemitério com rumor, osso seco rolou no piso. Olho turvo brilhou no torpor, eco curto feriu o juízo. No silêncio rito frio, corpo morto tentou surgir. Sopro bruto trouxe o estio, ninguém vivo ousou sorrir.

Juvenil Gonçalves da Costa

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Pensador.com

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Olhar profano Juvenil Gonçalves Teu olhar, açoite e prece,
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Olhar profano Juvenil Gonçalves Teu olhar, açoite e prece, Labareda em tom sombrio, Entre o céu que me enaltece E o inferno onde me fio; És luxúria que me impele, Olhar de cachorro no cio. Fere, inflama, envenena, És astro em desvario; És serpente que envenena Com veneno doce e frio. És pecado em forma plena, Eucaristia do desvio. No templo da tua face Arde o culto proibido; Teu olhar, quando me abraça, É altar de amor bandido. Nele o anjo perde a graça E o santo cai corrompido. Por ti rasgo o Livro Santo, Profano a fé que te evoco; Pois me tomas pelo encanto Que se oculta em teu sofoco. E o que era virtude, em pranto, Faz-se brasa em fogo louco. Ó delírio que me assalta, Labirinto sem saída; Quando teu olhar me exalta Desmantela a minha vida. Nele a morte se ressuscita E o inferno vira guarida. Se sou servo ou penitente, Nem o céu define o fio; Pois me entrego inteiramente Ao prazer que desafia o brio. E tudo começa novamente No olhar vagabundo no cio.

O AVESSO DO POEMA *JUVENIL GONÇALVES * O avesso do poema
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O AVESSO DO POEMA *JUVENIL GONÇALVES * O avesso do poema é o que sobra quando o verso cai, quando a rima escapa, e a palavra — nua — fica olhando o poeta de frente. É o silêncio que não coube no poema, a rascunhada dor que não virou metáfora, o eco do que não se disse mas insiste em arder na ponta do lápis. O avesso da poesia é o poema quando termina — ou quando nunca começou. Juvenil Gonçalves

O Relógio e a Lâmina Juvenil Gonçalves Nas entranhas do tempo, um relógio sangrava,
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O Relógio e a Lâmina Juvenil Gonçalves Nas entranhas do tempo, um relógio sangrava, Cada tic uma lágrima, cada tac uma cava. Em mármores frios, a ampulheta virada Vertia seu pó sobre a carne cansada. A lâmina, imóvel, sobre o altar do instante, Brilhava em silêncio — vestal cortante. Não corta a pele, mas sim a memória, E inscreve nas veias a cicatriz da história. No espelho estilhaçado de um ontem perdido, Vejo o reflexo de um ser já partido. Sou o que fui — e por ser, já me ausento, Um nome sussurrado no sopro do vento. A morte não grita, apenas aguarda, Com olhos de sombra e face bastarda. É mãe e madrasta, no mesmo compasso, Nos embala em silêncio — no mais frio regaço. Ó tu que respiras, crês que és inteiro? Não passas de sombra num véu passageiro. O relógio e a lâmina — gêmeos em dor — Contam teus passos em direção ao torpor

O sábio e o Idiota apaixonados Juvenil Gonçalves Dizem que o sábio é prudente,
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O sábio e o Idiota apaixonados Juvenil Gonçalves Dizem que o sábio é prudente, e o idiota é sem noção, mas bota um amor na frente e se igualam na paixão! É um tropeçando em sonho, outro perdido em ilusão... O sábio, que lia estrelas, chora por causa de flor; o idiota, que lia nada, vira poeta do amor! Ambos babando besteira, sem medo, vergonha ou pudor. O sábio, que em tese ensina que o mundo é só ilusão, liga de noite pra amada chorando igual um bobão; o idiota, que já chorava, vira o rei da lamentação! Amor, esse bicho danado, não olha a nota nem a razão; ele laça sábio e idiota com a mesma corda na mão. E faz dos dois um só tolo brincando no mesmo chão!