Frase de Rui Alexandre Cascão de Campos Oliveira
Onde Jaz a Borra Fria Vou fazer um mau negócio, Mas ainda assim vou fazer E não sei porquê, é contra o ócio. Vou pegar na caneca De café frio de ontem Que deixei por beber. Tiro da lapela cem por conter, Mais um comprimido pra me erguer, Pra aumentar a dócil doze Do meu amargo pró renascer. Vou contra-indicar a indicação Do concelho médico e a merda de ética. Aproveitar a deontologia da vida, Rasgar em mil a bula, Só para não ter saída. O traço de ilusão, desfaço Em pó sem dó nem contemplação. Vou senti-lo no meu coração, Bater de mentira e fantasia. Vou sobrevoar sobre este dia E o tempo irá pairar sobre mim. Jogar do bordo da mente que apavora, Atestado de alucinação. Arritmia da chuva fria que cai lá fora, Que cai como lamina na minha audição. Da guilhotina destravada Pelo carrasco do desgosto, Sem saber que ceifa Do mundo uma alma pelo pescoço. O beneplácito da justa injustiça... Pior não é ser mista, é ser zarolha. O pior é que a cabeça é roliça E rola o mundo e a visão da vista. Minhas mãos atadas no grilhão, Ainda podem sufocar o carrasco, Só não podem dar mais ao cão, Um ensanguentado osso Nem à mulher aquele libido desgosto. Findo posto, crânio rola E tudo vejo, tudo sou e me consola. A cada amasso que levo, tombo. Crânio estala, escalpe hematoma. Sinto tudo, parece ate ter visto um pombo! Mas estalar-se-me um dentre no duro Paralelepípedo negro de granito. De tão sarcasmo escarrado que foi, Não me sinto mal nem aflito. Só sei que estou para aqui Olhando para um lado nenhum, Como quem deita na relva enamorado. Ainda que corpo já não tenha, Mesmo assim ninguém me apanha. Pelos vistos já não estou nem sou, Sou só coisa pendida com é leve a teia de aranha. Ai que manha, esta vida! De invólucro tão comprimida, Como pra culatra do revolver Num ápice envolve alma aturdida. Carrasco por onde andas? Quero para mim esse capuz preto! Pois da minha alma é certo Que ando aqui porque vegeto. Carrasco... Responde!... Ou tenho que esbracejar? E se o faço... sou lagarto a quem cortaste o rabo. Mais tarde ou mais cedo vou-te apanhar. Esbracejo, esbracejo, bocejo... E vejo parede por todo lado. É que é uma merda de um cubículo Onde tenho esbracejado. Tenho quatro paredes abstractas, Vê lá tu como te tratas. Que do carrasco precisaste, Ca porra do amor arrastasse, Para este findo dia à falta de ética. Já não mais me faz companhia. Pois minha alma se repleta, Da caneca de outro dia onde jaz a borra fria. Ficou alguma coisa por dizer ao carrasco? Aguarda que uma borrasca de água se faça, Tira da lapela mais cem por conter. Na ética do carrasco há um capuz preto E na deontologia, lâmina que faz chover!
Rui Alexandre Cascão de Campos Oliveira
No pensador.ai desde