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Frase de Petrônio Augusto Carvalho Olivieri Filho

A paixão e o amor A paixão se anuncia em voz alta pois se surpreende consigo, como um deboche do que ainda está por vir. Não coloca pé após pé, mas se descobre na corda bamba e o seu maior medo é não cair, equilibrar a insegurança e com ela ficar, dando para a plateia a impressão de que está tudo sob controle. Aliás, a paixão, quando nova, recrimina-se por ser quem é, porque entrega a alguém que se esconde o produto do acúmulo de afetos e desafetos que, outrora, outras, como ela, já se dedicaram a recolher. Mas que não se enganem os desavisados, porque, ainda que esta doação ocorras por livre e espontânea vontade do ser, do universo, de Deus, ou da carne, ela encerra em si um mundo de expectativas: o cheiro, o gosto, o toque, a roupa, a música, a beleza, o português, o bom dia... Ou seja, a paixão é preconceituosa! Atribui qualidades pelo simples fato de existir, ou pelos olhos, pela estampa do Chico, pelo sopro de sonho que sai da sua sorte. De vez em quando ela acerta e não tem do que reclamar. Porém, quando erra, fica procurando uma maneira de chegar ao seu destino por um caminho que nunca existiu. Só que nesse meio tempo tem muita pupila dilatada, muito arrepio, muita surpresa, muita febre. Já o amor não grita a sua essência porque sabe que se construiu muito mais sobre o silêncio do que sobre o ruído. Não tem mais fôlego para deslizar na corda, mas está lá embaixo segurando a haste que lhe dá sustentação. O amor também entrega a alguém o acúmulo dos seus afetos e desafetos, mas não mais o desconhece, pelo contrário, já não se assusta quando toca a campainha. E é por isso que o amor já não espera, ele doa, dá, entrega, sem pedir que o outro seja aquilo que ele já sabe que não é. A loteria já não tem mais relevância porque ele sabe que não ganhou o maior prêmio, mas se contenta com o que tem no bolso. O amor não erra ou acerta, ele é. Entretanto, apesar de ser o irmão mais velho e experiente, ele coloca todos os dias a paixão para ninar, momento em que escuta as histórias que ela tem para contar, pois sabe que nesse meio tempo da vida tem que ter muita pupila dilatada, muito arrepio, muita surpresa, muita febre.

Petrônio Augusto Carvalho Olivieri Filho

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Pensador.com

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Outras frases de Petrônio Augusto Carvalho Olivieri Filho

E hoje eu falo coisas Que nem uma criança acreditaria Frases de efeito
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E hoje eu falo coisas Que nem uma criança acreditaria Frases de efeito Que eu tanto critiquei um dia É tão triste perceber o fim Daquilo que nem começou Apaga a luz, fecha a cortina Que vai começar o show Não me olhe assim Como se não tivesse nada a oferecer Além de tudo que você me dá Agora é comigo E se eu escondo a verdade É pra também não lembrar Que o tempo passou E só eu não mudei de lugar Eu disse que era o fim Mas dentro de mim Ainda preciso me encontrar E hoje eu falo coisas Que só uma criança acreditaria Com a ingenuidade Que eu tive que perder um dia É melhor ser dono das suas escolhas Do que adiar um não Mas não se pode afastar Do que faz feliz seu coração Não me olhe assim Como se não tivesse nada a oferecer Além de tudo que você me dá Agora é comigo E se eu escondo a verdade É pra também não lembrar Que o tempo passou E só eu não mudei de lugar Eu disse que era o fim Mas dentro de mim Ainda preciso me encontrar

A porta A porta estava quase fechada. com um cadeado novo, de metal
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A porta A porta estava quase fechada. com um cadeado novo, de metal brilhante, pronto pra envelhecer e virar história amarga que não se conta em livros de auto ajuda Com cuidado você a abriu, mas não perguntou nada. Tirou a cortina da frente da janela, deixou o sol entrar por onde nunca devia ter saído, e aos poucos foi ajeitando tudo para que a sala ficasse apresentável. Fez sumir a poeira da estante, colocou uma música pra tocar, mas não quis cantar ou dançar, apenas sorriu, como fosse o passado um bobo diante de tudo que a vida reservava pro futuro. Não fez com que sua presença fosse, em nenhum momento necessária, e sim desejada. Um alguém que mostra como é bom ser livre com hora marcada para voltar para o café, para a cama, para o bolo de domingo ou o beijo de despedida na saída. E antes que se pudesse saber qual seria a nova rotina dali, partiu. Não disse “já volto”, mas deixou subentendido que o tempo é relativo. Não deixou um bilhete, e sim um papel em branco. Não deixou fotos, mas um porta retrato vazio. Não deixou quando, mas quem sabe, um talvez Só deixou saudade e a porta aberta.

A atriz Eu vi as minhas surpresas passando Em seus olhos de euforia
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A atriz Eu vi as minhas surpresas passando Em seus olhos de euforia E não sabia se estava interpretando Ou só dizendo à platéia Que podia existir a poesia Eu vi as minhas alegrias passando Em seus gestos de leveza E não sabia se estava aproveitando Ou só contando à platéia Que podia brincar com sua beleza Talvez seja, a atriz, o complemento Do meu curioso destino Passeia pelo meu papel Decifrando emoções, criando hinos Já não consigo decifrar Se ela vive ou atua, então Deixa o espetáculo continuar Que tentar decifrar é em vão Eu vi as minhas paixões passando Em seus beijos ardentes E não sabia se estava morrendo Ou só mostrando à platéia Que podia um momento ser eternamente Eu vi os meus sonhos passando Em seus suspiros dobrados E não sabia se estava no céu Ou só dizendo à platéia Que é futuro, presente e passado

A cidade Lá está ela: a cidade dotada de grande experiência
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A cidade Lá está ela: a cidade dotada de grande experiência por já muito ter abrigado gente de muito canto, todo lado muitos ternos doutorados e o João, coitado que nem sabia o que era o mundo globalizado Mas também, a cidade não quis parar no tempo e aprendeu a se virar está pronta parar abrigar o Zé, o Paul, o Edgar quem quiser ali ficar por que, do jeito que está é quase tudo um mesmo lugar É tão fácil de encontrar tudo o que você quiser um carro, uma mulher um romance, um affair aquilo que vier e o que você puder Só não é fácil de achar o que é nosso de verdade a poesia da cidade os cantos de quem tem vontade de expressar como é bonito saber que é um só no mundo que quer ser um Lá está ela: a cidade dotada de grande excitação por ser o coração multicolorido de toda a nação de gente de toda crença, qualquer etnia, criação a cidade da Maria, e quem diria, do João que agora sabe falar inglês Mas continua sem saber O que é a globalização