Frase de Petrônio Augusto Carvalho Olivieri Filho
A porta A porta estava quase fechada. com um cadeado novo, de metal brilhante, pronto pra envelhecer e virar história amarga que não se conta em livros de auto ajuda Com cuidado você a abriu, mas não perguntou nada. Tirou a cortina da frente da janela, deixou o sol entrar por onde nunca devia ter saído, e aos poucos foi ajeitando tudo para que a sala ficasse apresentável. Fez sumir a poeira da estante, colocou uma música pra tocar, mas não quis cantar ou dançar, apenas sorriu, como fosse o passado um bobo diante de tudo que a vida reservava pro futuro. Não fez com que sua presença fosse, em nenhum momento necessária, e sim desejada. Um alguém que mostra como é bom ser livre com hora marcada para voltar para o café, para a cama, para o bolo de domingo ou o beijo de despedida na saída. E antes que se pudesse saber qual seria a nova rotina dali, partiu. Não disse “já volto”, mas deixou subentendido que o tempo é relativo. Não deixou um bilhete, e sim um papel em branco. Não deixou fotos, mas um porta retrato vazio. Não deixou quando, mas quem sabe, um talvez Só deixou saudade e a porta aberta.
Petrônio Augusto Carvalho Olivieri Filho
No pensador.ai desde