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Frase de R. Douglas

ENTREGA ⁠Aos antigos deuses que espreitam das sombras do mundo ofereço uma prece embebida em lágrimas O veio de beligerante graça que me nutriu se desfaz em vontades viscerais e ávidas Vejo empaliceder ao longe, na curva sublime do horizonte esquecido, tudo que busquei no decorrer das eras, consagrado pela abóboda celeste O peso do inframundo já não repousa em meus ombros, sigo ao desfiladeiro da mortandade e removo minha veste O brilho do fruto proibido reluzia ao alcance da minha mão Era furor em beleza íngreme, êxtase em ofegos efêmeros, o ápice da união O sumo adocidado escorria pelos meus lábios e a vida nunca fora tão absoluta Perdi o prumo, o rumo, o chão e encontrei lascas de infinidade em segundos suarentos com um toque de cicuta Que Ártemis zele pelos desafortunados que rejeitam o pesado cálice derramando gozo Que Héstia ofereça lar aos perdidos e desarranjados que só encontram lábios secos e gargantas ásperas em seu mundo umbroso Sob os olhos atentos de Urano pode verter leite e mel nas terras inóspitas de um mundo cujo brilho incendeia a alma No seio de Gaia, unânime senhora, o ápice se eclipsa em vida e homens se erguem para tombar em esmagadora calma As estrelas mostram a óbvia verdade que o coração que eu um dia possuira sentiu Há uma infinidade de fios na grande tecelagem das Moiras mas quando dois deles se entrelaçam os céus ribombam em júbilo ou Hades gargalha em seu covil Do abismo da racionalidade humana soprava o vento gélido da incerteza que a meus olhos já não veda Abri meu peito e acolhi meu desejo enquanto me lançava naquela gloriosa queda.

R. Douglas

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Outras frases de R. Douglas

FOI...⁠ Foi o início de um paraíso falho, o final de um sonho enevoado Sorrisos ensolarados em tardes quentes de um verão mal acabado
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FOI...⁠ Foi o início de um paraíso falho, o final de um sonho enevoado Sorrisos ensolarados em tardes quentes de um verão mal acabado Uma infinidade fracamente contida em um castanho profundo e escuro Um desejo que florescia ao vento cantado por um destino espúrio Foi ver a dança dos astros por olhos que não eram meus mas continham o sabor melífluo da matriz Foi descortinar um palco de dramas e comédias com roteiros que não fiz Bailar amargamente com correntes salgadas cujo ferro seco marcou meu coração Mergulhar em uma sintonia quebrada que me habitará enquanto em minha mente houver razão Foi entregar um tesouro em pequenas e sensíveis mãos confiando em um furor incerto de emoções Foi tomar lábios que galgavam memórias e deslocavam prioridades e padrões Se aquecer em frações desproporcionais de uma estrela que fulgurava momentaneamente em meu céu Rugir pela infinidade de um singular toque e se entregar ao carrasco sem ser réu Foi fogo explodindo gelado por finas veias mortais A ruína rachando o alicerce superior e levando todos os gentis finais Foi deixar um mundo de acasos para ser um único eleito E foi um mar salgado que me encharcou e deixou uma tempestade amorfa no meu peito.

⁠INVERNO Suspiros etéreos deixados ao acinzentado do infinito celestial Passos titubeantes que se unem a sonata lúgubre tocada pelas folhas que caem ao toque invernal
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⁠INVERNO Suspiros etéreos deixados ao acinzentado do infinito celestial Passos titubeantes que se unem a sonata lúgubre tocada pelas folhas que caem ao toque invernal Flocos frios repousam docemente sobre o musgo pálido como um tapete fino E beijam meu rosto, congelando sensações que desmoronam sem destino Bóreas canta pelos galhos ressequidos melodias de um mundo já esquecido Unindo-se à sonata das folhas e ao gorgolejo outonal de tudo que foi perdido A vida para, se recolhe e almeja por uma luz que parece ilusão As sombras sobem, pedindo segredos e encantos, enrodilhadas e inacessíveis à canção O calor se torna raro, áspero, uma fortaleza difícil de alcançar O frio se estende belo, insensível e absoluto endurecendo o coração e empalidecendo o olhar Uma beleza magnânima, perigosa e insensível, um leito majestoso para o final Inverno, dama pálida de toque agudo, algoz derradeiro do que é mortal.

⁠ASAS Em um rompante de loucura abismal ou excepcional clareza Lançou-se sem medo ou arrependimento movido por alguma inominável certeza
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⁠ASAS Em um rompante de loucura abismal ou excepcional clareza Lançou-se sem medo ou arrependimento movido por alguma inominável certeza O abismo certamente se estendia a frente tão sombrio e faminto quanto podia ser Torcendo por uma falha, um deslize, qualquer leve hesitação no seu querer Contra todas as chances, vaticinações ou sortilégios elas se abriram com gentil entonação Asas, como velas, bandeiras da vitória, faróis de exaltação Ascendeu sobre as garras do abismo e sentiu o gosto do céu Na pele o frio de um mundo esquecido enquanto rasgava daquela realidade o véu Viu-se a longas distâncias aquele ápice de milagre Ouviu-se o grito de êxtase movido por aquela doce insanidade Desafiando a ira dos deuses ele arrogantemente voou Tal como em sublime sonho foi mais alto do que qualquer mortal jamais ousou A glória que ele sentia era impossível de descrever E sua expressão de contentamento estava além do humano ser Tomado por aquela sensação que lhe preenchia foi mais alto naquele momento E ainda além se elevou almejando tocar o firmamento Em meio aquele doce caleidoscópio de beleza etérea acabou perdido Enquanto sublimava rumo ao infinito de seu limite esquecido O brilho era magnânimo, maravilhosamente impossível de resistir Mas suas penas coladas com delicada cera começaram pouco a pouco a cair Não podia parar, não quando fora tão longe naquele devaneio desvairado Em graça e quietude as asas se foram ante o brilho do sol, deixando apenas o mito para ser contado.

⁠NOITE A carruagem de Apolo termina seu percurso e o mundo suspira em anuência O crepúsculo efêmero da primavera esboça um afago meigo em uma gentil cadência
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⁠NOITE A carruagem de Apolo termina seu percurso e o mundo suspira em anuência O crepúsculo efêmero da primavera esboça um afago meigo em uma gentil cadência Nix se manifesta trazendo estrelas ao firmamento Sossego, quietude, silêncio, uma balsa ilusória nas correntes do tempo Nossa dança penosa e áspera sublima enquanto um véu de ébano cai como que por encanto A realidade não é a mesma, ainda que tudo o mais o seja, sentimos notas suaves de acalanto Não importa onde fomos haveremos invariavelmente de parar Morfeu nos chama ao longe à segurança e ao refúgio do sonhar Brumas anciãs se erguem do Tártaro unicamente para nos provocar Naqueles momentos de silêncio vislumbramos o impensável, o impronunciável, nossa barreira entre ser e estar Nos é permitido desejos jamais vocalizados, sonhos nunca alcançados Passados e futuros em esboços traiçoeiros que jamais foram pintados É o momento das estranhas verdades ocultas à luz do dia De uma parada escondida, de sentimentos guardados em uma caixa que sequer existia Sob a harmonia celeste que ecoa a completude que jamais teremos em um singular harmônico mudo Somos tempo, vontades, doces sombras esquecidas, perdição e, envoltos no brilho da noite, somos tudo.