Frase de Willas Fernandes
CONVÍVIO DOS MORTOS Quero tudo que não me foi, Tudo talvez o que não mais é A despedida da antiga e errônea dor Da pobre esperança sensata constituída em fé. Quero abraçar esta noite nebulosa como última, aquela que não se veem a chegar A que possui dois córregos de um mesmo rio separados, Que sem escolha trilharei... Ao certo, onde será o que se esperam? Quero junto a ti nesta sossegada paz Ir além do conhecido, do eterno Do místico ao surreal, Do terço à boêmia. Quero esse sentimento mentiroso e egoísta Devastador! Que o que em outrora, de um lado da moeda, consolador! Quero estar com olhos de enfermos e desfalecidos diante de tuas faces e momento, Ver-te de baixo Para que nao o veja, O olhar negro, abetumado, abioso, Pois bem sei que o lugar que virgílhas Em mero relance antigas idas, Não encontrarás o recinto que cobriu-me Como o soprar da ultima vela. Não quero enxergar o que os os lhos inibem As neblinas que não se dissipam, Omite ao olhar a certa cegueira Sob tão cedo catatumbas bem mal cuidadas, Que não tiveram a verdadeira despedida Desta face de teus cabelos E do medo que se prega. Em suspiros que sussurram, se proliferam E nao se passam, se propaga Contaminam este convívio dos mortos, Inquieto, constante, devaço, tenebroso Infecta os vivos que temem, não deixam a de temer... E nestas caminhadas noturnas que rogam Suplicam ao tempo que não permitira esquecer O vácuo deste solo sem saída Que o menor ser procura romper, Quero encontrar este endereço baldio Que se fez morada e não flui Que vaga e não dilui Neste imenso cemitério que não mórbido Se tem o que não foi, O que apenas se constitui. Willas Fernandes. 17.12.15.
No pensador.ai desde