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Frase de Petrônio Augusto Carvalho Olivieri Filho

Crônica 02 Ontem eu encontrei as cartas que você me escreveu. Em poucos minutos vi acontecer nosso pequeno romance. Vi a minha pressa para escrever uma meia dúzia de termos carinhosos, porque eu sabia que ia você ia gostar. Nada que possa ser chamado de literatura. Eu já não sei o amor é paciente ou a solidão que é exigente. Relembrei por que gosto de cartas. As imperfeições da letra de cada pessoa ficam marcadas pela tinta, e você não tem a ânsia de mandar o que acabou de escrever para alguém, como em um email. Você pode parar para pensar antes de entregar, mudar as palavras, apagar algumas frases. Quem sabe até nem entregar. Deve ser por isso que os amantes não mais mandam cartas. O silêncio perdeu seu lugar e o amor já virou notícia. Após terminar a leitura, percebi que nosso romance era mais crônica que poesia. Percebi que algumas coisas mudaram. Agora eu me importo um pouco mais com a minha saúde, comecei a fazer exercícios físicos. Compreendi o real valor da liberdade, descobri que era eu mesmo que criava as minhas prisões, e já consegui sair da maioria. Não é tão fácil demolir uma obra que você levou tanto tempo para construir, e mesmo que você perceba que é algo que te faz mal, o orgulho se separa da razão no momento em que ela destrói suas convicções. Mas isso passa quando você descobre que existe sempre o outro lado. Apesar das mudanças, algumas coisas continuam iguais. Ainda sou o mesmo bobo de sempre, quase um personagem de uma comédia romântica. As alças da minha mochila permanecem desajustadas, e de vez em quando caem, e eu tenho de arrumar. Continuo acreditando que vale a pena se arriscar por uma ideia, e acredito que se empenhar já é mudar. A escrita e a fala têm a mesma pretensão tola de sintetizar as emoções, o calor e a frieza de um momento, o modo como você se sente quando o mundo te enxerga. Na escrita você tem a possibilidade de trabalhar as figuras linguagem, como um filtro ou uma lupa para os sentimentos, na inocente certeza de que está alcançando seu objetivo. O que é uma hipérbole comparada ao momento em que você está olhando dentro dos olhos da pessoa amada logo antes do primeiro beijo? Se alguém ironiza a vida, o que é mais irônico que escrever sobre algo que não vale a pena? Guardei as cartas no fundo da gaveta, enquanto um pequeno sorriso me tomava o rosto pela lembrança do ponto final após o “infinito”.

Petrônio Augusto Carvalho Olivieri Filho

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Pensador.com

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Outras frases de Petrônio Augusto Carvalho Olivieri Filho

E hoje eu falo coisas Que nem uma criança acreditaria Frases de efeito
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E hoje eu falo coisas Que nem uma criança acreditaria Frases de efeito Que eu tanto critiquei um dia É tão triste perceber o fim Daquilo que nem começou Apaga a luz, fecha a cortina Que vai começar o show Não me olhe assim Como se não tivesse nada a oferecer Além de tudo que você me dá Agora é comigo E se eu escondo a verdade É pra também não lembrar Que o tempo passou E só eu não mudei de lugar Eu disse que era o fim Mas dentro de mim Ainda preciso me encontrar E hoje eu falo coisas Que só uma criança acreditaria Com a ingenuidade Que eu tive que perder um dia É melhor ser dono das suas escolhas Do que adiar um não Mas não se pode afastar Do que faz feliz seu coração Não me olhe assim Como se não tivesse nada a oferecer Além de tudo que você me dá Agora é comigo E se eu escondo a verdade É pra também não lembrar Que o tempo passou E só eu não mudei de lugar Eu disse que era o fim Mas dentro de mim Ainda preciso me encontrar

A porta A porta estava quase fechada. com um cadeado novo, de metal
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A porta A porta estava quase fechada. com um cadeado novo, de metal brilhante, pronto pra envelhecer e virar história amarga que não se conta em livros de auto ajuda Com cuidado você a abriu, mas não perguntou nada. Tirou a cortina da frente da janela, deixou o sol entrar por onde nunca devia ter saído, e aos poucos foi ajeitando tudo para que a sala ficasse apresentável. Fez sumir a poeira da estante, colocou uma música pra tocar, mas não quis cantar ou dançar, apenas sorriu, como fosse o passado um bobo diante de tudo que a vida reservava pro futuro. Não fez com que sua presença fosse, em nenhum momento necessária, e sim desejada. Um alguém que mostra como é bom ser livre com hora marcada para voltar para o café, para a cama, para o bolo de domingo ou o beijo de despedida na saída. E antes que se pudesse saber qual seria a nova rotina dali, partiu. Não disse “já volto”, mas deixou subentendido que o tempo é relativo. Não deixou um bilhete, e sim um papel em branco. Não deixou fotos, mas um porta retrato vazio. Não deixou quando, mas quem sabe, um talvez Só deixou saudade e a porta aberta.

A atriz Eu vi as minhas surpresas passando Em seus olhos de euforia
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A atriz Eu vi as minhas surpresas passando Em seus olhos de euforia E não sabia se estava interpretando Ou só dizendo à platéia Que podia existir a poesia Eu vi as minhas alegrias passando Em seus gestos de leveza E não sabia se estava aproveitando Ou só contando à platéia Que podia brincar com sua beleza Talvez seja, a atriz, o complemento Do meu curioso destino Passeia pelo meu papel Decifrando emoções, criando hinos Já não consigo decifrar Se ela vive ou atua, então Deixa o espetáculo continuar Que tentar decifrar é em vão Eu vi as minhas paixões passando Em seus beijos ardentes E não sabia se estava morrendo Ou só mostrando à platéia Que podia um momento ser eternamente Eu vi os meus sonhos passando Em seus suspiros dobrados E não sabia se estava no céu Ou só dizendo à platéia Que é futuro, presente e passado

A cidade Lá está ela: a cidade dotada de grande experiência
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A cidade Lá está ela: a cidade dotada de grande experiência por já muito ter abrigado gente de muito canto, todo lado muitos ternos doutorados e o João, coitado que nem sabia o que era o mundo globalizado Mas também, a cidade não quis parar no tempo e aprendeu a se virar está pronta parar abrigar o Zé, o Paul, o Edgar quem quiser ali ficar por que, do jeito que está é quase tudo um mesmo lugar É tão fácil de encontrar tudo o que você quiser um carro, uma mulher um romance, um affair aquilo que vier e o que você puder Só não é fácil de achar o que é nosso de verdade a poesia da cidade os cantos de quem tem vontade de expressar como é bonito saber que é um só no mundo que quer ser um Lá está ela: a cidade dotada de grande excitação por ser o coração multicolorido de toda a nação de gente de toda crença, qualquer etnia, criação a cidade da Maria, e quem diria, do João que agora sabe falar inglês Mas continua sem saber O que é a globalização