Frase de Gabriel Hayashida de Arruda
O instrumento que o poeta toca não se vê aos olhos, não faz acordes, nem pode ser escutado pelos ouvidos. O poeta é o instrumento, e, se vibra, vibra com a própria vida. Mas, se cala, cala-se não pela ausência, mas pela dúvida: será o som que sai mais que um simples barulho? O músico tenta tocar o mundo como quem afina um piano quebrado. Mas o poeta, ah, o poeta é o mundo, em todas as suas notas desajustadas e desarranjadas. O músico, com sua partitura, tem os dedos certos, mas o poeta, ah, o poeta, não tem mais dedos que o próprio instante. O músico se orgulha do som que cria. O poeta, esse, se espanta com o que não pode ser tocado, e talvez, no fim, seja o poeta quem, por fim, toque.
No pensador.ai desde