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Frase de Gabriel Hayashida de Arruda

⁠Hoje foi o dia do meu teste final. Temeroso entreguei a minha prova. O professor, em seu olhar severo, me perguntou: "Que nota devo te dar?" Fiquei em silêncio, E o silêncio foi o meu exame de consciência. Revivi, no lento caminhar do tempo, o ano todo, E percebi que faltei não apenas nas aulas, Mas em tudo: No estudo, no esforço, nas promessas feitas A mim mesmo e ao que eu deveria ser. Fui ausente, incapaz, E, na prova, a resposta foi o reflexo de meu descaso. Penso então: Seria justo me dar um 10? Seria justo, depois de minha negligência, Receber o mesmo que aquele que se entregou, Que se dedicou, que foi à luta? E, se fosse assim, qual seria a verdade? Minha vida tem sido uma série de ausências. Faltei à Bíblia, ao rezo, à missa; Faltei ao que é essencial, como quem falta a si mesmo. E, diante de Deus, como posso justificar minha farsa, Meu descaso? Só me resta uma única resposta: "De-me um zero, e lance-me ao inferno, Se assim for a justiça do mundo e do homem." Que há de mais justo em minha condenação? E o que há em minha aprovação que não seja uma mentira? Fui um péssimo aluno, Senhor, E Tu foste o Mestre perfeito, Com tua sabedoria infinita, com teu amor sem limites. Como posso eu, um pecador, Que falhei em tudo, Olhar nos teus olhos e me considerar digno De uma nota que só existe na ilusão dos que estão enganados? Como?

Gabriel Hayashida de Arruda

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Pensador.com

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Indigente Não sei quem sou nesta vida. Fui tudo, mas não sou nada. Louco, poeta, por vezes filósofo. Intenso e verdadeiro, por vezes ingênuo. Sou um idiota que ama a vida, um amor platônico com sabor de infinito. Tantas vezes me feri, mas sorri. Não sei de onde vim, nem para on…
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Indigente Não sei quem sou nesta vida. Fui tudo, mas não sou nada. Louco, poeta, por vezes filósofo. Intenso e verdadeiro, por vezes ingênuo. Sou um idiota que ama a vida, um amor platônico com sabor de infinito. Tantas vezes me feri, mas sorri. Não sei de onde vim, nem para onde vou. De tudo que me resta, não tenho pressa para chegar a um lugar que desconheço. Conheci pessoas, amei, sofri, vivi. Não sei se da maneira certa, mas do meu jeito eu vivi. De poucas coisas me orgulho, mas de nenhuma me arrependo. Sou o que sou, não um Deus, mas um homem. Fui feliz na simplicidade desta complexa vida.

⁠Oração do Poeta Pai Nosso, que és a essência em tudo o que é e se torna, santificado seja o silêncio em que Te ocultas.
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⁠Oração do Poeta Pai Nosso, que és a essência em tudo o que é e se torna, santificado seja o silêncio em que Te ocultas. Que venha a nós a razão que desvenda o indefinido, e que se realize a Tua vontade nas interrogações de nossas mentes e nos pulsos de nossos corações. Concede-nos, neste instante incerto, o bálsamo que alivia as almas exaustas, perdoa-nos a vertigem de existir, assim como perdoamos a inevitável tolice dos que acreditam saber. Não nos deixes sós perante a vastidão do nada, mas, se nada houver, ensina-nos a aceitá-lo.

⁠Eu já estou morto. Ao escrever este poema, sou apenas um cadáver que teima em segurar a caneta. Não sei o dia, nem a hora de quando eu morri —
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⁠Eu já estou morto. Ao escrever este poema, sou apenas um cadáver que teima em segurar a caneta. Não sei o dia, nem a hora de quando eu morri — talvez na juventude, talvez no primeiro verso, talvez no primeiro amor que não me amou. E é isso. Estou morto, e não há mais volta. Ninguém chorou. Não houve velório, nem lamentos, nem lápide com meu nome. Morri e continuei vivo, preso ao corpo como se ele fosse meu. Sem céu, nem inferno. Após a morte, só há o hábito de existir, onde meu cadáver se senta a escrever como quem cava a própria cova com uma colher de chá. Continuei a fazer as coisas de quem vive: amar sem saber o que é amor, crer sem fé, desejar sem saber por quê. Morto, mas não suficientemente; vivo, mas não inteiramente. Sem saber se invento a vida ou se ela me inventa. Morri sem testemunhas. Nenhum mau cheiro, nenhum adeus, nenhum vestígio. E o pior: nem eu mesmo percebi.

O Mendigo de Si Tenho um teto — eis a concha, mas o caracol já partiu.
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O Mendigo de Si Tenho um teto — eis a concha, mas o caracol já partiu. Quatro paredes me cercam, mas nenhuma me contém. Tenho uma cama — é porto, mas o barco não chega a si. Meus lençóis envolvem o corpo, mas a alma foge em segredo. Tenho amigos — bons, presentes —, e, ainda assim, minha solidão fala mais alto que todas as vozes ao redor. Tenho família — carinhosa, constante —, mas algo em mim duvida do amor que recebo. Talvez por nunca me sentir digno. Tenho fé — rezo, creio, suplico —, mas a esperança é fruto que apodrece na mesa posta. Acredito em Deus, mas duvido de mim. Não me falta coisa alguma. Falta-me o ser que as coisas têm. Até o pão que como tem o gosto de outro pão — um que ninguém me dá. Pergunto-me, sem resposta: se tudo em mim é empréstimo, quem sou eu quando não peço? Sou um mendigo de mim, perdido no que me sobra. E, se um dia me acharem, que me devolvam a alma. Ah, não é ingratidão, nem demência, nem soberba. É possuir tudo — e, no fundo do peito, descobrir que nada se tem. Não me falta o pão, nem o teto, nem o abraço. Falta-me o gosto de existir. Tudo me sobra — e, mesmo assim, falta-me o nome do que perdi antes de possuir. Talvez não exista esse “eu” que espero reencontrar como quem acha as chaves no bolso de um casaco antigo.