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Frase de Thaylla Cavalcante

Fogo Ele enfiou a mão na minha cara de novo. O punho dele me atingia como um míssel alcançando um passarinho que cruzou seu caminho. Era pesada, seca e gélida, mas cheia de sentimento. Meu rosto jorrava sangue e ele socava a parece tentando amenizar a raiva pra não vir a fazer um estrago pior do que já havia feito em mim. Eu estava caída no chão, mas não chorava. Sentia tanta raiva quanto ele, mas ele chorava, eu não. Peguei a bolsa em cima da cama, abri a porta e olhei pra trás, ele ainda estava com a mão dentro do buraco que havia feito na parede, olhava pro chão e cerrava os dentes, bem como o punho livre. Suas mãos estavam cheias de sangue, de ambos. Desci as escadas e não olhei mais pra trás. Peguei meu celular e te liguei. Você estava a quilômetros, mas como sempre, chegou em minutos. Eu esperei na calçada de casa e ele não desceu pra me procurar, não me ligou nem fez a mínima questão de saber pra onde eu havia ido. Enquanto te esperava eu cravava as unhas na carne das mãos, acrescentava mais algumas luas às minhas tantas outras e sangrava ininterruptamente. Você estacionou o carro de qualquer jeito, desceu correndo e me tomou nos braços perguntando o que aconteceu. Eu não falei, não conseguia. Apenas levantei, me evadi do teu abraço e dei a volta no carro. Entrei pelo lado do passageiro e pude ver tua camisa branca, fina de algodão completamente coberta do meu sangue. Dei um sorriso de lado e olhei pra frente. Você levou as mãos à cabeça e olhou pra cima, pro apartamento, ele estava na varanda, nos vendo sair e te olhando com o ar indiferente de quem sabe de todo o desfecho que vai se repetir. Depois de entrar no carro você deu a partida e arrancou me fazendo incontáveis perguntas das quais eu nem me lembro e eu só te disse pra dirigir. Me perguntou pra onde e minha única exigência era que fosse fora da cidade. Saímos, passamos pela placa de “até logo, volte sempre”. Eu ainda sangrava e você enfiava o pé no acelerador tentando de alguma forma dissipar a revolta e a confusão que sentia. Eu abri o vidro da janela e te disse pra não falar porra nenhuma, sentei na janela com o carro em movimento, as costas pra paisagem e olhando pra estrada infinita que se estendia à minha frente. Você pisou no freio e eu fiz um sinal negativo com a cabeça. Era madrugada, o vento frio assanhava meus cabelos e gradativamente coagulava meu sangue. Você parou o carro no acostamento, chorando e desceu, deu a volta e me puxou pelas costas, pela cintura. Me pedia uma explicação e eu simplesmente não conseguia falar. Você sabia o que tinha acontecido, no fundo sabia, sabia o que acontecia sempre, mas apenas me abraçou, abriu a porta, me conduziu pra dentro e assumiu de novo o seu posto. Colocou um de seus clássicos italianos no carro e só dirigiu. Paramos em um desses motéis de beira de estrada sem estrutura nenhuma. Você segurou minha mão, tirou minha roupa e limpou cada um dos meus ferimentos. Os do rosto, os das mãos, e me conduziu pro chuveiro, ainda vestido no seu terno preto com a gravata vermelha. Lembro de olhar pro teu relógio dourado quando levantou a mão ao ligar o chuveiro, eram 03:00 da manhã. A água caía no meu corpo e conforme a adrenalina me deixava, as dores começavam a aparecer e eu gritava. Você percorria cada parte do meu corpo com as mãos, numa delicadeza impecável e me conduzia para manchas roxas milenares que eu nem lembrava que existiam. Os hematomas te faziam lacrimejar e você me abraçou, nua, debaixo do chuveiro e chorou junto comigo. Sem nenhuma segunda intenção, só a compreensão mútua e silenciosa que compartilhávamos a tanto. Te contei sobre a nova traição, sobre o apartamento destruído e os copos quebrados, sobre as roupas que rasguei e sobre todos os hematomas que também deixei nele. Sobre os buracos dos murros na parede e sobre os em mim, a minha costela quebrada e o nariz dele, quebrado. Mas você já sabia de tudo isso, sabia de toda a história, de todas as brigas. Me disse que era doentio e que eu sabia, estava certo como sempre. Me disse que ficaria tudo bem e que eu não precisava mais ter medo, que o faria pagar e que ele nunca mais encostaria um dedo em mim. Eu te beijei. Fizemos amor pela primeira vez e foi realmente a primeira vez que me senti tão conectada com alguém. Você já tinha dito me amar outras tantas vezes mas essa fora a primeira que eu te disse. Você estava tão lindo, tão radiante e iluminado, meu bem... dormimos abraçados e na manhã seguinte, quando acordou, você não me encontrou, e por mais que se negasse a acreditar, sabia exatamente onde eu estava. Você é paz demais pro meu caos. Thaylla Ferreira Cavalcante {Os quatro elementos}

Thaylla Cavalcante

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Meu inferno pessoal De tudo o que me lembro era frio e cinzento. Pequenas luas se faziam presentes,
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Meu inferno pessoal De tudo o que me lembro era frio e cinzento. Pequenas luas se faziam presentes, Olhares vagos, descontentes. Pouco mais iluminados que o calçamento. Absoluto e solene, Olhava-me de cima Sangue fervente e pulsante. Sob o calor que se aproxima. Como um fantasma me escondia a tempo de não ver, Transparecia em mim a luz de um grito rudimentar, Essência explicita em minha falta de te ter. A luz remanescente e ofuscante Logo já não teria onde então se esconder. Ignorando a excitação intimamente ligada aquela mesma dor Dobraduras coloridas percorriam o teto Presas e soberbas, nunca antes livres Logo mais entrariam numa estrada sem fim Clamor recorrente. Definitivamente um ótimo ator. Sob um universo atônito em busca de contrapostos. Nada demais. Nada de novo. Tudo passado. Tudo decomposto. Rosa em excesso, Calma e intimidada. Abrir e fechar de portas. Ruídos espessos. E eu o olhava Tumulto dentro de mim por fora da organização. Encontrei em você ruína e desgraça. Longe desta mesma dimensão está quem vos fala. Portas abertas de um inferno que tão logo seria meu. Tua mão que afaga uma infeliz agregada. Já não seria problema seu, Portas abertas a procura de minha final entrada.

Doses de inconsequência Encontrei em minha falta de querer Motivo perante a abstinência.
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Doses de inconsequência Encontrei em minha falta de querer Motivo perante a abstinência. Desapeguei do total pudor O medo oscilante, sem suceder Se exilou enfim de minha existência O fogo vermelho se tornou azul No calor do depois, Compulsão de nós dois. O agora mostrou que reluz. Agonizante exatidão, Súplicas fora do conceito. Sua cautela improvisada Traça o pecado perfeito. Agora sem decência, O intenso ultrapassou a dor. Ingrata loucura derramada Afável, intocada. Miúdas doses de inconsequência. Trago em mim seu calor. Mistério tênue a se fazer decifrar. O depois se tornou loucura No caos do embaraço, Vida curta para pensar. Indecência se tornou cura. Não mais me afundarei, Nem mergulharei em uma virtude disfarçada de compostura.

Infidelidade Mistérios e enigmas rodeiam teu corpo. Silencioso, vejo-te balbuciar.
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Infidelidade Mistérios e enigmas rodeiam teu corpo. Silencioso, vejo-te balbuciar. Em meio ocioso fiz-me pairar, Sob palavras melodiosas, Tudo o que me restar. Se vens como um anjo caído, A noite escura convida a viajar. Toque minha mão, E faça este tal brilho durar. Cada sensação nunca antes vista, Cauteloso e perigoso te faço bastar. Palavras divinas em meio a tormenta, Vida tirana vem a desinteressar. Pessoas comuns na falta do que conduz. Tua vitalidade escassa, Um tanto anti social, Bipolaridade disfarçada. É meu último suspiro frente ao que resta de tua amada. Até então cheia de luz, Retiro de tua mão a espada. Encha-me com seus conselhos, Serei eu tua aprendiz. Como movimentos de teus cabelos. Vertentes opostas de uma mesma diretriz, Te guio por espelhos. Passos descompassados, Pela dor que esmaga. Se como um golpe me conduz, Serei eu desnecessária. Em tua mão um fulgor reluz, Tornando-me por total errada. Idealizarei tua utopia, Com um vigor que me afaga a alma. Viva feliz e sorria, Fiz do mundo tua morada. Eu sou fiel meu bem. Considero o que me é ensinado. Te elevo e consagro, Ainda que dentre todos, Sejas tu, o meu maior pecado!

Monotonia Vês o céu de raios ofuscantes e primor Luzido? Vês o sol entre teus olhos convertido?
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Monotonia Vês o céu de raios ofuscantes e primor Luzido? Vês o sol entre teus olhos convertido? És vaidade na vida, onde já se foi presumido. Tua glória empavesada e assumida, Fará tornar-se até a airosa manhã oprimida. Sol e Lua se encontraram com alento e sem pudor. E um dia mostrar-te-ei o quão sublime é o meu amor. Sinto-me hoje desvanecida. Em tuas faces, considero-me equivocada. Ostentas meu coração inflamando as mais sublimes faces ao considerável nada. Não mais me considerarei humana, Minha mente quase profana necessita de alento. Meu amor por ti peleja, Ao mesmo ponto onde fraqueja presumindo o desastre iminente. Comparo-te ao aljôfar mais precioso. Sendo assim, sigo minha busca somente a te encontrar. Pois nem isso me seria tudo, Já que tudo para mim é nada. Me cubro de espasmos, A vista de teu rosto, meu amado!