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Frases de tadeumemoria

822 frases

OUTRAS NOITES Depois vem outra noite dentro da noite Uma lua crua feito queijo coalho
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OUTRAS NOITES Depois vem outra noite dentro da noite Uma lua crua feito queijo coalho Cheia de crateras. A coruja pia, o sapo coaxa As moças estão nas praças Com seus vestidos de babados E lábios de morangos e cerejas Na noite de meia lua Um eclipse remete-nos a um apocalipse.. O queijo coalho esta na mesa, A bíblia esta aberta sobre o criado mudo Gênesis, o começo de tudo E Deus disse haja luz E surgiram estrelas Mas um dia seu filho morreu na cruz Então vieram outras noites, Outros Barrabazes e queijos suíços... Depois disso, noites e mais noites... Depois vem outra noite dentro da noite... E um ciclo!!!

pântano Algum dia serei uma floresta com todo seu mistério Moleque saci, curupira, caipora, lobisomem...
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pântano Algum dia serei uma floresta com todo seu mistério Moleque saci, curupira, caipora, lobisomem... Então serei riacho com águas cristalinas e pouca profundidade, Algum dia serei uma cidade com seus viadutos e arranha-céus Algum dia serei o mar com suas sereias e todo encanto divino, Algum dia serei poeta com o coração empenhado Por meia dúzia de olhares, sofrendo por amor e paixão... Então desejarei novamente ser pântano triste e sombrio na minha solidão...

solidão A solidão é transparente... É parente da saudade
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solidão A solidão é transparente... É parente da saudade É prima de uma prima ausente... A solidão é irmã de quem não veio, Amiga de quem faltou, A solidão é multidão em lugar nenhum... Moveis empoeirados, teias de aranhas Catando assombração... Passos no porão... Um gotejar inoportuno madrugada afora... A solidão é um riso sarcástico na lembrança, É uma lembrança fugaz de um doce momento, É vulto passando, e cortina balançando com o vento... A solidão me fez poeta, E cria espaços, mas me aperta contra a parede, Mostra-me um mar de desejos E me mata de sede... A solidão mente, Diz que eu posso voar da cobertura, É uma ternura delinqüente Me oferecendo chocolates com cianureto

PASSARADA Bem te vi cantou teu nome... Eu sempre quis te amar,
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PASSARADA Bem te vi cantou teu nome... Eu sempre quis te amar, Quando vem manhã na serra, Bem te vi me faz lembrar, Que o amor engana, Já que canta bem te vi, E voa para bem longe... Quando chove no sertão, A passarada se agita, Mil pardais no mangueiral, Juriti foge pra serra, Anuns a lamuriar na caatinga espessa, Corrupião na mangueira Furando manga jasmim, Sanhaçu voa de par, Querendo fruta madura, E a candura do algodão, Clareando pela tarde, Do teu sorriso e ternura, Lembra-me felicidade...

CONSUMATUM EST Autor: Tadeu G. Memória Chorou no meu ombro, confessou-se arrependido: “foi um ato impensado, mas ele andava cantando Dita...’’ O boato andava solto na boca da vizinhança, e como vovó já dizia; quando o povo fala, ou foi , ou é, ou está para ser. Na verdade, já v…
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CONSUMATUM EST Autor: Tadeu G. Memória Chorou no meu ombro, confessou-se arrependido: “foi um ato impensado, mas ele andava cantando Dita...’’ O boato andava solto na boca da vizinhança, e como vovó já dizia; quando o povo fala, ou foi , ou é, ou está para ser. Na verdade, já vira Vidigal conversando com sua mulher, Dita, (Benedita Borges do Amaral Paes Leme), era um nome de fazer inveja a qualquer pé-rapado. Foi numa manhã de domingo, então convidara o sujeito para uns tragos; passaram a tarde, entraram pela noite... foram horas de pesadelo; eram três por uma... Vidi bebia três doses, e, Tuca, uma... e as vezes fingia que ia cuspir, e punha pra fora. Meia –noite Vidi mal se punha de pé. Teve de amparar-lhe no ombro até lugar ermo e aturar comentários indecorosos e indesejáveis, sobre as delícias de sua esposa. Consumara o fato. Dois dias depois o corpo do infeliz fora encontrado: hematomas, perfurações, e, até queimaduras na face, na louca tentativa de desfigurar-lhe, para que não fosse reconhecido. A polícia chegou fácil,ao tucá, não deu-lhe tempo nem mesmo de livrar o flagrante. O ciúme é um monstro de olhos verdes, verdes como os de Dita, desejada, cobiçada, amada... sempre notara a forma indecorosa de como Vidigal olhava a sua indivisível Dita; nunca falara nada porque, afinal Vidi era um bom parceiro para os rachas, tanto os da praia como os das cervejas; era um bom papo, contudo, andava conversando com demasiada freqüência com sua fogosa Dita. Até que inflara-lhe o ego, tanto desejo por algo que lhe pertencia, mas o ciúme... “foi um ato impensado...” não parava de repetir. Agora sua única alegria, resumia-se aos dias de visita, mas a cobiça já aparecia nos olhos dos outros presos; era obrigado a ouvir comentários como: “meu irmão, tudo isso é só teu?” “isso não é mulher para um homem só”, “que busanfa aloprada, meu chapa”. O turco já tinha até presentes para oferecer-lhe... sentia-se ameaçado mais que nunca; contudo o diretor mostrara-se, repentinamente, cordial e atencioso; prometera-lhe cela individual e regalias que apenas o seu nível primário não lhe facultava. Diante de tanta gentileza não furtou-se a falar-lhe do receio que lhe causava, a amada e o Junior sozinhos na favela. Ouvira do diretor, a generosa promessa de visitá-los... na verdade, na última visita, ela chegara no mitshubish do diretor; tinha nas orelhas brincos lindos de pedras verdejantes como os seus olhos, um sorriso promissor e confiante num futuro de melhores dias... Mas isso foi há três meses, Tuca nem chegou a tomar conhecimento de que, Dita mudara-se para um apartamento na aldeota, antes de “se”enforcar com uma “Teresa” na solitária...

Nenhum movimento Eu não quero o meu nome Em nenhuma rua,
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Nenhum movimento Eu não quero o meu nome Em nenhuma rua, Eu não quero ir a lua ou a marte, Eu não quero ir a nenhuma parte, Não quero fazer nenhuma revolução, Não quero fazer parte De nenhum movimento, Não quero saber de sem terra, Apartheid, klu, klux, klan... Eu não quero saber de greve, Da queda da bolsa, do islã, Ou do afã de qualquer religião ou mito Maomé já foi pra montanha, Jesus Cristo mostrou seu amor E os filhos de Gandhi não ficarão órfãos John deu a chance que a paz pedia... E eu só quero fazer poesia... Tadeu Memória

ENQUANTO O CIRCO PEGA FOGO Já fui palhaço em algum carnaval E aprendi a sorrir quando o circo pegava fogo,
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ENQUANTO O CIRCO PEGA FOGO Já fui palhaço em algum carnaval E aprendi a sorrir quando o circo pegava fogo, Descobri que os palhaços não são felizes, Descobri que os palhaços não são engraçados, Descobri que são solitários E se escondem atrás de um sorriso, Descobri que se arrependem Do que dizem e do que deixam de dizer, Descobri que se arrependem, Do que fazem e do que deixam de fazer Descobri que também já fui palhaço...

1And she made a paraíbada, vendeu bicharada, catou filharada,
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1And she made a paraíbada, vendeu bicharada, catou filharada, pegou a estrada, deixou-me sozinho numa choupana de taipa, e o nosso amor pra sempre, sempre infinito, as vezes com gritos, com tapas e porrada, deu uma pausa, como diria ela orgulhosa do inglês, um break, meiqueanglosaxonizada, she made a paraibada, fez ruir nosso paraíso nos confins de paraipaba, e os banhos de rio e as cachoeiradas, lual e serenatas em belas noitadas, ficaram só na lembrança, e aquela menina que eu via correndo na minha infância, na terra rachada do sertão nordestino eu, então, rapazola ainda menino, encantado com tudo o que via percebendo nos seus passos o meu destino... jamais imaginara que algum dia viesse a chorar tanta saudade she made a paraibada...

UM POUQUINHO DE MIM Todos os poemas que fiz, Nos momentos que pensei
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UM POUQUINHO DE MIM Todos os poemas que fiz, Nos momentos que pensei Que era triste ou infeliz, Todas as palavras que falei Ou tudo que deixei de dizer, Todos os beijos por compaixão, Por paixão ou por prazer... Por tudo que eu disse sim, Ou tudo o que eu calei Quando não dizia não, Por algum motivo á toa, Todas as lembranças boas Ou que eu julgava assim... Foi por uma doce ilusão, Que já ficou esquecida E deixada para trás Porque pensava infinito O que era apenas bonito Mas que logo tinha fim... Por tudo isso eu digo, Que todos os poemas que escrevi Tinha um pouquinho de mim...

Um dia Um dia um olhar me atravessou E o que era lúcido
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Um dia Um dia um olhar me atravessou E o que era lúcido O que era translúcido Vadiou na luz da noite, Partículas de água marinha Brincaram nos pingos de opalas, Chovia rubis e cristais, No orvalhar da matina E a transparência do amor Mostrou tons de turmalinas, Um dia um olhar me atravessou na manhã, E a luz desse olhar inundou o meu ser E me fez transparente de felicidade...

Beijo abraço ou embaraço nossos braços, trocando nossos dedos,
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Beijo abraço ou embaraço nossos braços, trocando nossos dedos, tão sábios nossos lábios confessam seus segredos a flor da tua boca me diz que é primavera e o amor espera, o silencio selado pelas nossas bocas é pacto de amor ou paixão, não sei o que é isso, as vezes sou um bicho, as vezes sou só bicho de estimação... bichinho de pelúcia que te olha esquecido num canto do sofá, a minha solidão tem criado mudo, tem estante, tem lustres e televisão que mostra uma novela com final feliz, com o beijo que eu ainda não dei...

OLHAR ESTRELAS Quando chegar a noite, Deixa-me sozinho por instantes
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OLHAR ESTRELAS Quando chegar a noite, Deixa-me sozinho por instantes A olhar estrelas, incrédulo e abobalhado Como se eu fosse um espantalho E o universo fosse plantações... Deixa me olhar estrelas, Como se eu fosse um pirilampo Diante de tanta luz, Deixa me olhar estrelas, Como se eu fosse poeta Buscando a rima certa, Quando chegar a noite, Deixa-me sozinho, A olhar estrelas Como se eu fosse o jumento, Que conduzia Jesus, Deixa me tentar entender tanta luz, Quando chegar a noite, Deixa eu entender ursas, Capricórnio, cruzeiro do sul... Deixa me pensar que protejo Aquele que semeou com seu arado... Todos os astros que pontilham as tuas pupilas...

POEMA NEGRO Sob a mangueira imaginei minha infância Como se tivesse sido só um feriado
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POEMA NEGRO Sob a mangueira imaginei minha infância Como se tivesse sido só um feriado E as latas que eu catei, Estão lá no meu quintal, As pipas que eu soltei estão presas no varal, Os piões que eu rodei foram até Portugal, Minhas ex- namoradas estão de dietas, Nem açúcar e nem sal, Minha vida segue bem ou mal, Neste feriado fui soldado e desertei, Fui poeta e fugi da musa, Agora colho mangas, comendo pitangas, Encantado com o campo de alfazemas, Pensando no poema para a minha vida, Para o meu feriado.mas amanhã é dia de branco .Tem engenho, tem tronco tem canavial...

IGREJINHA A igrejinha de são Benedito É a mais bela da minha cidadezinha,
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IGREJINHA A igrejinha de são Benedito É a mais bela da minha cidadezinha, Apesar de sua única torre esteja caindo o reboco, Apesar das condições precárias do pároco, A igrejinha pintada de azul e branco, No sopé da serra é a mais bela do meu município, Apesar do seu sino pequeno, Do seu altar diminuto, talhado em pinho, De bancos modestos, de seus poucos fieis, E seu velho piano, já desafinado, Tocando no calor da fé, os mais belos hinos... A igrejinha conduz o rebanho Com a devoção do filho de Deus, E seu sininho badala como os sinos das grandes catedrais... A igrejinha de são Benedito é a mais bela E a única igreja no meu município...