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Frases de tadeumemoria

822 frases

VER DE CIMA Olhe os telhados, as aves, o mar... A serra se aconchega a cordilheira
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VER DE CIMA Olhe os telhados, as aves, o mar... A serra se aconchega a cordilheira Derrama a cachoeira E acolhe o vale ternamente É assim que se ver de cima As nuvens são travesseiros dourados Para as divindades dos crepúsculos, Ou para as crenças de nossas fantasias... O rio serpenteia em busca de um encontro Onde repouse no olhar, numa navegação, Nas redes de um pescador De cima se ver assim Então fecha tuas asas no topo da montanha E perceba que os últimos raios do ocaso É comemorado pelos pardais, pelas cigarras Pelos morcegos, pelos insetos, Por todas as insignificâncias Que torna tudo grandioso e contemplativo E alimenta essa necessidade de voar bem alto.

TINO NORDESTINO Se tudo se perde na cinza com o tempo E no crepúsculo apagam-se todos os momentos
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TINO NORDESTINO Se tudo se perde na cinza com o tempo E no crepúsculo apagam-se todos os momentos Se verde eu me prendo nesse fruto, Essa cica de um azedo absoluto, A alma seca de tempos de estio O coração árido e vazio Nossas essências vagam entre os fantasmas Que gemem no crepitar da caatinga O vento alimenta a ilusão de mudanças Como se ainda fôssemos crianças E na sede, na fome nesse destino Nessa eternidade sem tino Que seca açudes, que racha a terra, que mata o gado, Não passamos de meninos...

ALGO NOVO Eu queria te dizer alguma coisa nova... Mas parece que tudo já foi dito;
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ALGO NOVO Eu queria te dizer alguma coisa nova... Mas parece que tudo já foi dito; Inédito mesmo só o que deixamos de viver... Então eu digo: desculpe-me por tudo o que fiz, Eu já me perdoei pelo o que não fiz... Corriqueiro, sempre digo: Me arrependo mais pelo que deixei de fazer; E não são raras as vezes que eu questiono Meu Deus, o mundo ainda não acabou!... O mundo ainda não acabou. Somos sobreviventes... Vencemos o tempo; o tempo de todas as coisas, O tempo de olhar os horizontes... de observarmos os pássaros, De ouvirmos a brisa... Perdoa por tudo o que fiz eu já me perdoei pelo que não fiz... Isso clareou meus cabelos, riscou meu rosto E as noites são longas, perdidas nos abraços Que deixamos de dar... Em tudo o que deixamos de entender... Mas isso já foi dito; eu queria te dizer algo novo... mas alguma coisa esmaga o silêncio... Uma verdade pesada, numa manhã luminosa, Uma luz intensa... que não cabem nas palavras...

Ante a solidão dos deuses E o cintilar das estrelas, Ante o fascínio das donzelas
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Ante a solidão dos deuses E o cintilar das estrelas, Ante o fascínio das donzelas E a brisa vespertina, Ante o jogo de rima dos sonetos E a droga que marca profundo os guetos Ante as dores dos mártires E o prazer dos ímpios, Ante a leveza insana do absurdo E a agrura inquietante da lógica Surge um ponto em comum Onde se sustenta a filosofia

A coisa mais bonita do mundo dá uma ansiedade, Quando não acontece dá uma saudade Então eu penso que o mundo dá tantas voltas...
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A coisa mais bonita do mundo dá uma ansiedade, Quando não acontece dá uma saudade Então eu penso que o mundo dá tantas voltas... E eu não mudo... já ficou tarde e eu ainda penso em você Uma canção de longe quando amar não era brega Me devolve momentos bonitos, Agora eu fico aflito e tenho que obedecer regras Mas nada impede que eu sonhe e acredite no verso O amor é sem dúvida todo esse universo

Eu sempre quis de ti o que era fugidia O que era fugaz, o que era quase ou por um triz A loucura da procura, a aventura da caça;
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Eu sempre quis de ti o que era fugidia O que era fugaz, o que era quase ou por um triz A loucura da procura, a aventura da caça; Eu sou um predador... O difícil de querer me seduzia, Mas quando eu via e pegava, Desacelerava, morria o interesse da caçada; O prazer se reduzia a quase nada... Acho que amo os desencantos Eu não queria ser assim... Se algum dia eu sonhar com algo que não for poesia, Se algum dia os desencantos não me encantarem, Talvez eu esteja preso Entre tuas pernas e os teus braços No abraço do poema do prazer, Como se a vida fosse alguns gemidos de paixão ou de amor Mas a vida é uma selva e eu sou um predador

FILHO DO SILÊNCIO filho do silencio, eu e escutei cantigas antigas que a ternura doce e materna soprava na brisa;
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FILHO DO SILÊNCIO filho do silencio, eu e escutei cantigas antigas que a ternura doce e materna soprava na brisa; tinha a beleza de tudo que a infância embeleza, a beleza do que não é belo, mas embeleza o espírito, a beleza porque tudo é novo quando se é criança... e tudo é paixão quando se tem espaço no coração; guardei sorrisos, olhares, palavras, alguém que passava mas deixava o perfume, alguém que falava ou balançava os quadris, alguém que só existisse na minha imaginação; que contemplasse o que tivesse movimento, aroma e luz, armazenei colinas e silhuetas, o que cintilasse, o que gorjeiasse, o que sorrisse, o que vibrasse, o que silenciasse; porque às vezes silenciamos para as coisas que partem ou para o que não temos explicação e assim eu me tornei filho do silêncio quando silenciei pro meu pai, pra minha mãe, pra todas as despedidas, pra tudo o que partia, pra tudo o que se partia e me transformei em órfão dos sonhos, das promessas, dos ideais...

Então a mãe chegou para o filho adolescente, visivelmente drogado e aconselhou: -meu filho, você já tem dezessete anos, porque você não arranja uma namoradinha de quem você goste
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Então a mãe chegou para o filho adolescente, visivelmente drogado e aconselhou: -meu filho, você já tem dezessete anos, porque você não arranja uma namoradinha de quem você goste e que também goste de você e pense num futuro de construir um lar; pare com esse negócio de usar drogas! Então o filho respondeu: -Aos quinze anos eu ainda pensava assim mãe; mas então começaram as bebedeiras, brigas e seguidas traições entre a senhora e o pai; naquele tempo eu ainda usava drogas, mas então vocês se separaram... agora a droga que me usa...

OUTONOS Às vezes o amor parece belo Às vezes é um elo com a dor
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OUTONOS Às vezes o amor parece belo Às vezes é um elo com a dor Às vezes tudo perece E fica só uma flor Marcando juras de um amor eterno Presa entre as páginas De um caderno perdendo a cor Às vezes nada disso acontece E a noite fica vazia Às frases bonitas se calam Se perdem na monotonia Então os poemas não acontecem As canções se perdem na nostalgia As flores murcham entre espinhos Nos outonos das nossas utopias

TEMPO O tempo já levou o meu olhar faz tempo... Faz tempo que eu olhava o tempo
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TEMPO O tempo já levou o meu olhar faz tempo... Faz tempo que eu olhava o tempo Com a esperança vã de um dia em algum tempo Que essa coisa toda que envolve a gente... Nem sei se é assim... Mas pelo menos em mim, faz tempo... Sempre quis entender, mas essas coisas do coração... O tempo foi passando e passou o tempo do entendimento Agora eu só percebo que o silencio Vai além do que comove e o que se locomove Rodopia com a poeira dos meus pensamentos... Eu sei que vou sonhar ainda até que entenda Que o tempo já levou o meu olhar faz tempo Faz tempo que eu tento entender o que se passa E não passa este acreditar no amor, Esse ter fé e esperar nos meus pressentimentos Faz tempo que eu olhava o tempo, Faz tanto tempo... tanto tempo, que naquele instante Que ainda não era o nosso tempo e as nossas mãos Se uniam a tecer a eternidade E éramos deuses de todos os momentos Que nem percebemos o galopar veloz Desse corcel indomável que se chama tempo

MEMORIAS DE UM FANTASMA Foi como desligar uma televisão, apagar uma lâmpada,desconectar algum aparelho. Então quando eu abri os olhos, ainda ecoavam as palavras, alguém sussurrava alguma coisa, muitos falavam ao mesmo tempo; todos penalizados. No entanto, então diante de mim uma…
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MEMORIAS DE UM FANTASMA Foi como desligar uma televisão, apagar uma lâmpada,desconectar algum aparelho. Então quando eu abri os olhos, ainda ecoavam as palavras, alguém sussurrava alguma coisa, muitos falavam ao mesmo tempo; todos penalizados. No entanto, então diante de mim uma paisagem esplêndida de um rio caudaloso, uma brisa silenciosa numa tarde tranquila. Depois vieram as lembranças daquele sorriso que embalou toda a minha existência; a minha infância, a adolescência, a igreja enfeitada, todos os parentes e entes queridos; todos os votos de felicidade até o capotamento na estrada: foi a desconexão. Porém diante de mim todo aquele relevo, o rio, toda aquela luz silenciosa e tranquila quebrada apenas pelos passos e os risos de Bem-te-vi que corria ao encalço de uma linda borboleta azul; ele me contou que Denise nada sofrera, Catarina nasceria saudável; foi só um susto. No crepúsculo seguinte fui ao outro lado do rio, era um lugar sombrio e havia um elo com o material; alguém acompanhava sempre alguém como se não entendesse o que se passara. Denise estivera no médico e pude entender que em alguns dias nasceria Catarina; eu podia ver, era uma imagem embaçada, mas eu percebia tudo, tentei me comunicar, mas não era ouvido nem percebido por ninguém. Fiquei por algum tempo ali, até que Bem-te-vi surgiu na minha frente e me conduziu de volta ao relevo. Os dias que se seguiram foram de uma ansiedade impar pelo possível nascimento de Catarina; dia 27 de setembro era o aniversário de Denise e provavelmente fosse programado para que nesse dia acontecesse o nascimento, o que aconteceria no próximo sábado . Bem-te-vi com sua roupa amarela fazia umas piruetas numa brincadeira ingênua com os insetos e os pássaros, entre as árvores do vale, sua imagem me faz lembrar de mim mesmo na minha adolescência, com a diferença que ele pode flutuar. Além de bem-te-vi, tinha outros, todos com aparência de adolescentes e roupas, provavelmente de cetim, de tonalidades claras e que também atendiam pelo nome de pássaros: campina, pintassilgo, curió, cardeal; cada um desses guardava alguém. O rio representava a vida; os seus dois lados; Bem-te-vi já tinha me dito isso, mas não me respondeu onde desembocava aquele rio. Era o aniversário de Denise e Deus lhe presenteou com uma menininha que mamava com a volúpia de quem tinha muitos anos pela frente, tinha os cabelos negríssimos como os do pai e recebera o nome de Roberta, e não mais catarina, em homenagem a mim. Denise tinha os olhos brilhantes de felicidade e por alguns momentos acho que ela percebeu a minha presença; alguém lhe deu as flores que eu lhe daria, era um amigo do cartório onde trabalhavam; acho que Denise merecia ser feliz, afinal, a Vida continua. Nunca mais me foi permitido atravessar o rio, mas sei que Denise frequenta uma igreja e Roberta já é uma mocinha; Bem-te-vi soube através de um tal de Serafim. Estamos agora numa parte bem alta da montanha; dia desses Bem-te-vi me empurrou lá de cima, foi maravilhoso... eu ainda não sabia, mas assim descobri que podia flutuar...