Inda ontem me falaste das traças a roer as calças guardadas pela falta de ocasião. Pensei na traça da vida mastigando os dias que vivemos em vão.
Frases de Taciana Valença
51 frases
Poiésis Deitam-se as letras bem antes de mim.
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Poiésis Deitam-se as letras bem antes de mim. Em algazarra sobre o travesseiro, em risos cetim. Falam coisas bem ligeiro, parecendo mensageiro, mas que chega aos meus ouvidos neste secreto festim. Isso não se faz, eita que é madrugada, e é como subir bêbada por uma bamba escada. Inda arrumo um senão, um vestígio de uma quase explosão, que implodiu. Aí danou-se, o tempo fechou-se, a lua acendeu, a janela se abriu. E a Coca-Cola lerda, na porta da geladeira, pronta p’ruma gafieira quando o sono se despediu.
E nem pense em me chamar para testemunha, porque, sinceramente, eu não me lembro de nada.
Mordi a lua. Mas foi só a ponta, eu juro! Foi só para alumiar um pedacinho
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Mordi a lua. Mas foi só a ponta, eu juro! Foi só para alumiar um pedacinho do meu escuro.
Não, você não me conhece. Não tão bem quanto eu não me conheço.
Fotografia Ah, esse riso tão lindo, tão teu, que arrebenta a alma, envolve,
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Fotografia Ah, esse riso tão lindo, tão teu, que arrebenta a alma, envolve, sem cerimônia, abraça, acalma. Assim mais leve me deixa, devolve. Ah, essa voz, sempre firme, certeira, que se confia, fazendo sentido, ditas em tom sério ou brincadeira, a embrenhar-se pelos ouvidos. Assim tu és, um querido amuleto, de sentimentos justos e humanos e coração que mal cabe no peito, grande alívio aos meus desenganos.
RECADO E pensar que ainda não temos muito a comemorar, apenas a seguir e continuar na luta. Será que, um dia, após tantos debates, tanta "evolução", a mulher conseguirá acabar com o preconceito, a desvalorização, a violência, o abuso sexual, a jornada interminável de responsabi…
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RECADO E pensar que ainda não temos muito a comemorar, apenas a seguir e continuar na luta. Será que, um dia, após tantos debates, tanta "evolução", a mulher conseguirá acabar com o preconceito, a desvalorização, a violência, o abuso sexual, a jornada interminável de responsabilidades sem o devido reconhecimento? Onde estão os filhos paridos? Por que carregar o feminino como sub se em um ventre foi gerado, desenvolvido e, pelo mais sagrado dos atos, parido? O que é que há que no lugar de um endeusamento há a violência, o preconceito, o descaso pelo trabalho excessivo e tantas outras formas de desvalorização? O que é que há nesse mundo que algumas coisas não mudam? Por que a luta dobrada, a necessidade de uma rebeldia para se impor uma voz que naturalmente poderia ser ouvida e respeitada? Por que as mãos em sinal de pare quando poderiam estar unidas usando forças que se completam? Até quando? Março, apenas um mês para lembrar que muita coisa ainda continua igual, talvez algumas piores. Mas para lembrar, também, que não desistiremos de lutar contra os que nos desvalorizam e oprimem. Somos sensíveis, fortes, objetivas e sonhadoras. Aliamos a luta a um sonho, esteja ele onde estiver, seja qual for a estratosfera. Enquanto houver discriminação, feminicídios, desvalorização, abuso e tantas outras formas de preconceito, estaremos lutando e atentas. O nosso forte é sentir, mas com os pés bem fincados no chão. Confiamos desconfiando, porque assim nos fizeram através do tempo. Somos as ditas rainhas do lar, mas escravas de uma sociedade machista e hipócrita. Mas enquanto houver vida estaremos atentas, umas às outras, lutando por um espaço que nos caberia sem lutas, mas o mundo é isso, feito de guerras, lutas e guerrilhas. Mês de março, dia 8 de março. Apenas um mês e um dia de alerta geral, mas estamos em vigília uma vida inteira, e isso é exaustivo e seria desnecessário, caso o ser humano fosse realmente humano e desenvolvido espiritualmente. Mas fica aqui um recado: A GENTE NÃO CANSA!
Texto de 2013 MEDOS Já não tenho medo do asfalto quente
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Texto de 2013 MEDOS Já não tenho medo do asfalto quente ou do transeunte de olhar descontente. Muito menos do remédio ruim que nem é tão amargo assim, como no dito Rei de Roma. Já não tenho medo do escuro, antes o que não vejo, pois não decepciona. Já não tenho medo dos que me falam pelas costas, não merecendo nem um olhar de soslaio. Com as mãos apenas esfrego, como quem retira o pó, pó preto e nojento da hipocrisia humana. Já não tenho medo de fantasmas, a bulir com a imaginação. Se há o que temer, temo aos vivos, ou temeria, se não fossem zumbis ignorantes e deveras distraídos, seguindo a mesma direção, atraídos por um cão, o cão da Ilusão... Não tenho medo mais do abismo, do destino impreciso, daquele por onde andei pelas beiradas nas noites mal iluminadas, a pensar nos confins, nos fins e desafins. Pois o abismo onde a vida dia desses se perdeu, esse abismo sou eu!
Ela morreu assim, do nada. Poderia ter morrido de tudo, menos assim, do nada.
Estanquem o sangrar do mundo!
Sou um transbordar constante assim, excesso de café para pouca xícara de mim.
Em tempo avesso Se cose humanidade
Poemizei o impoemizável, nasceu um poema miserável. Taciana Valença
Apagou a luz. Desabou. Fechou os olhos
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Apagou a luz. Desabou. Fechou os olhos e esperou, sinceramente, que o mundo acabasse.
Quando a alegria chora a tristeza pede perdão.
Juntou aos poucos a seiva que escorreu, entre os dentes de Lúcifer
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Juntou aos poucos a seiva que escorreu, entre os dentes de Lúcifer e a barba de Deus.
Meu poema não tem soberba nem requinte. Só vai a lugares que não precisam de convite. Senta, pede uma bebida qualquer, conversa
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Meu poema não tem soberba nem requinte. Só vai a lugares que não precisam de convite. Senta, pede uma bebida qualquer, conversa com todo mundo. Depois fica só, fim de festa, olhando o fundo do copo e pensando na besteira que é viver.
Às vezes a gente só quer se encolher num canto do mundo,
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Às vezes a gente só quer se encolher num canto do mundo, descansar do plantio e da colheita. Porque tem dias que você não está pra ninguém.
Madrugada: onde os ratos se encontram
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Madrugada: onde os ratos se encontram com os poetas no mesmo lixo.
E tua madrugada respingou em meu sol, que acordou leve e
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E tua madrugada respingou em meu sol, que acordou leve e extasiado.
Eu ia morrer, mas resolvi me me mudar.
A maior tristeza de um rio é se vê secar
De montanha talvez, mas de morro eu não morro.
Sou tão mar que minha alma não seca