Frase de Taciana Valença
Texto de 2013 MEDOS Já não tenho medo do asfalto quente ou do transeunte de olhar descontente. Muito menos do remédio ruim que nem é tão amargo assim, como no dito Rei de Roma. Já não tenho medo do escuro, antes o que não vejo, pois não decepciona. Já não tenho medo dos que me falam pelas costas, não merecendo nem um olhar de soslaio. Com as mãos apenas esfrego, como quem retira o pó, pó preto e nojento da hipocrisia humana. Já não tenho medo de fantasmas, a bulir com a imaginação. Se há o que temer, temo aos vivos, ou temeria, se não fossem zumbis ignorantes e deveras distraídos, seguindo a mesma direção, atraídos por um cão, o cão da Ilusão... Não tenho medo mais do abismo, do destino impreciso, daquele por onde andei pelas beiradas nas noites mal iluminadas, a pensar nos confins, nos fins e desafins. Pois o abismo onde a vida dia desses se perdeu, esse abismo sou eu!
No pensador.ai desde