Tinha vontade de lágrimas! "Tenho vontade de lágrimas", escrevera Pessoa citando uma criança. Era a definição perfeita da sua própria experiência vivencial. Já éramos dois!
Frases de Suzana Travassos Valdez
134 frases
Na franja solitária, sorri à vida apenas vivida naquele espaço fadado pelo enrodilhar da brisa esfacelando o sonho.
A ignorância dos instruídos, a arrogância dos narcisistas, a pequenez de almas que precisam da tirania para compensar a própria vileza, a avidez por territórios a conquistar, a exigir, não era conquista, era RECUO, O DECLÍNIO TOTAL DA HUMANIDADE!
Recolhi a lembrança como quem apanha pétalas depois da chuva.
Leio os outros até me doerem os olhos.
Não entreouvia as horas pregressas como uma tragédia, mas como um renascer de espírito meditado, aprendido e ensinado.
Quem ama não faz do poder a sua âncora, mas sim a sua asa.
A memória do corpo e da mente, passada, abria-me um leque imenso de perspectivas, de cenários sonhados pela criança que fui, que teimava em ser.
O dia lisboeta amanhecera engrandecido numa luz primaveril.
Senti que a delicadeza do mundo coexistia entre luz e escuridão, mesmo nas suas fissuras.
Uma alma de encadeamento e mutabilidade como o caleidoscópio encantatório, trazido pelo pai, de uma das muitas partes do mundo. Seria a minha alma, uma alma-caleidoscópio? Assim me pareceu!
Depois daquele instante, compreendi que o passado não está atrás, e que a presença de um homem genial, pode persistir muito para além da sua vida, não como sombra, mas como semente.
De uma passada já segura, evolou-se uma pena branca. Tentei agarrá-la, fugiu-me. O celestial não se apanha, vem até nós através da alma.
Algumas diferenças respeitavam-se mais do que nunca, outras, rejeitavam-se sem piedade. O que se passava com os Homens?
Olhei o céu esmaecido, como se um anjo tivesse adelgaçado as cores.
Naquele silêncio que enfrentava, onde as palavras não chegavam nem partiam, sentia-me perdida.
Poeta algum, mesmo que deposto na guerra da vida, será jamais derrotado pelo mais arguto crítico, pois só um detém a veracidade da Arte e de si próprio.
Finalmente encontrava a minha única certeza, antes do aflorar do sol, existira o anoitecer.
Como se de um milagre se tratasse, nasceu claridade amarelada daquele lampião.
O que éramos nós, sem o assombro, o espanto, a sensibilidade? Conchas do Mar Morto? Perfeitas por fora, mas sem trazer o som do mar encostado ao ouvido, apenas o sussurro seco do próprio deserto.
O que eu temia era a nitidez com que percebia cada tremor de alma, o que me apavorava era, que a consciência, lúcida em demasia, como lâmina, me pudesse rasgar o pensamento.
Quis desamarrar a idade para regressar à ternura do quarto amarelo.
Quando o coração se expressa, esculpe-se sempre algo de sacro, e, desse modo, toca-nos a alma, independentemente de outras razões inválidas para a Arte.
Seria eu como o povo de Lisboa? Após o abalo reerguer-me-ia, vezes sem conta?