Viver é arriscar! Escrever é aventurar-se e largar os arneses da vida!
Frases de Suzana Travassos Valdez
134 frases
Fugiam-me as respostas, e na evasão, surgiam as questões em catadupa.
Trincou-me o tempo na face, menos bochechuda...
Bem-amada era a infância que se movera até mim.
Agilizei o sorriso, ainda que este não alcançasse o riso, com receio que o choro se cumprisse em mim.
Ali, prostrada, percebi que o tempo vindouro que relembrava, se tornava pretérito...
As sensações que viajam comigo, na mochila às costas, cheia de mim, essas eram pertença minha e ninguém as podia roubar.
Ainda há médicos heróis! Este, teve a audácia de ser luz onde outros viam sombra, e a resiliência de permanecer quando o mundo escolheu partir e deixar o edifício abandonado.
Olhei para dentro de mim, era lá que habitava a memória inaugural.
Aquela rua, no silêncio adormecido de um corredor sem fim, onde cada passo ecoava no escuro, fazia-se rasgo memorial.
Talvez dessa forma, conseguisse envolver a noite que avançava, com condição de estação florida, aquém e além, do meu olhar de ser despojado.
O tempo aparentava ter-se partido em silêncio, e eu parecia caminhar nos seus intervalos, passo a passo, pedra a pedra.
Talvez eu também pudesse renascer após o crepúsculo da minha alma.
Pensei nele em modo de metáfora, talvez porque nenhum agradecimento cabe inteiro nas palavras.
Um véu de seda dourada abria-se naquele céu até então adormecido, à excepção dos tímidos e muito lestos raios de sol enganosos.
Talvez o sol não dourasse as lembranças, como ali, naquele momento no interstício de tempos, entre a noite e a madrugada.
Um mesmo medo, um mesmo tremor. Um outro horror de gente crescida a ser obrigada à intrepidez que nunca desejara.
Teria eu o direito de forçar a entrada a quem me encarcerara por entre as páginas e as palavras?
Sabia que a esperança era capaz de ser o mais cruel dos enganos e, ainda assim, o único abrigo possível.
Outrora, nesse tempo garantidamente, já gasto pelos dias passantes, pelo desabar dos poentes, as crianças não detinham palavras de exigência.
Hoje, ao olhar para trás e ao ver as distâncias superadas, percebo que não atravessei apenas uma ponte, recuperei o horizonte.
Apenas o sonho, o orvalho da alma, divulga sermos gente de idade experimental.
Olhei, já em antecipação, para o lugar do ruído de sobressalto, horrorizei-me. O horror susteve o grito, o medo sufocou-o e deixou-me paralisada.
Aquela cor que não era sol nem lua, mas a terceira luz, a que só acendia onde o tempo se esquecia de passar.