" É no silêncio, nessa matéria bruta que esculpimos a nossa própria consciência." In "Livro "
Frases de Suzana Travassos Valdez
134 frases
" Sabia que as nossas duas almas se tinham cruzado, não pelo olhar nem pela fala, mas pela impressão íntima de termos partilhado o mesmo silêncio primordial." Suzana Travassos Valdez In "Livro"
" Via sem querer entender, olhava o Jardim e bastava-me o olhar. Havia uma verdade nas árvores que não precisava de nome, e um sossego em mim que vinha de fora. Se pensasse estragaria o instante. Se sentisse, pertencia-lhe." Em livro a terminar.
" Existem lugares que nos falam baixo, não porque tenham pouco a dizer, mas porque exigem da alma o mesmo tom contido com que se escrevem as verdades que perduram." In o meu livro por terminar.
" Há viagens que não cabem no bilhete. O bilhete, às vezes, engana-se na estação e deixa-nos entre dois instantes, um que parte, outro que regressa. As memórias também partiam e regressavam como a vida dos Homens." In, Livro por terminar.
" Um, continuaria a derivar-se só, órfão como a vaga que nasce e rebenta eremítica. O outro, fora um homem sem memórias, passado e futuro, a quem o Vento salvou. Ambos eram pertença do meu coração. In livro ainda por terminar.
"Quiçá, os perdidos fossem mais humanos do que os homens, de "h" pequeno, que pensam tudo saber e nada querem perder." No meu livro ainda por terminar.
Continuei a olhar para a mulher da minha vida, a afastar-se em monólogos só seus. Uma lágrima teimosa fugiu-me, consegui engolir a outra. In "Nuvens Em Acordes de Vida"
Percebia pelos movimentos dos seus lábios que falava para si, sempre o fizera quando o pensamento se impunha na demanda de um enredo, de uma estrutura, de uma personagem ainda imperfeita. In "Nuvens Em Acordes de Vida"
Tinha-se levantado cedo. Enquanto o próximo livro não estivesse minimamente delineado não escreveria pela noite dentro, depois, sim, era tomada por uma febre avassaladora, uma produção escrita que não se quedava em nada a não ser nas palavras imparáveis. In "Nuvens Em Acordes de…
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Tinha-se levantado cedo. Enquanto o próximo livro não estivesse minimamente delineado não escreveria pela noite dentro, depois, sim, era tomada por uma febre avassaladora, uma produção escrita que não se quedava em nada a não ser nas palavras imparáveis. In "Nuvens Em Acordes de Vida"
A Natureza tinha sido engenhosamente composta pelo talento único e sublime de um Genial Artista. Era uma peça musical exclusiva, uma pintura divinal, um livro admirável. In, "Ensurdecedor"
- Agora, sim! Viste a minha alma! É isto que quero que faças com a tua. Olha bem para dentro de ti e não da tua dor e vê-te como homem que és. Encontrarás respostas! In, "Ensurdecedor"
A Natureza, até aí, queda, parecendo aguardar sequiosa as minhas palavras, revolteou-se ao som do brado. In, "Ensurdecedor"
As pombas que debicavam serenaste-me a água, hesitando entre um gole maior e o risco acarretado da voracidade, levantaram voo ziguezagueando como bêbados nas ruas do ar. In, "Ensurdecedor"
- Pois, mas nós humanos, podemos voar ainda mais alto, fechando os olhos e sonhando com belos voos. Quando um homem sonha, ele é o passageiro de todas as suas viagens, é o ser alado de todos os mundos. In, "Ensurdecedor"
Comovi-me por tantos geniais escritores cegos, ou com grandes perdas de visão, cujas obras perduram e perdurão para sempre. Como ia-me quiçá também por mim, mera escrevinhadora, cuja devoção às palavras dos Grandes, não conhecia limites.
As palavras não são apenas para ser lidas, são também para ser vividas, sentidas e reflectidas.
As páginas sobre a mesa estremeceram como se esperassem ser escritas por mãos que ainda não tinham chegado, ou por vozes que não se sabiam mãos.
Eu que amava cores, só via uma Lisboa a preto e branco, mais a preto que a branco.
A porta fechou-se atrás de nós com um som abafado, como se engolisse as palavras que aí deixámos em suspenso.
Antes de sair a porta anosa, volvi o meu olhar a Sofia que me sorria como um pousar de borboleta 🦋 numa pétala de seda.
Eu não faria paisagens com aquela sensação. Ou será que fazia? Por alguma razão, a minha avó instalava-se confortavelmente nas minhas insciências.
Já nada podia afiançar como seguro, uma vez que naquele meu caminho de ampulheta estilhaçada, levava atrás de mim, como cauda do tempo, vozes do passado, do presente e do futuro numa mescla de linhas...
Encontrávamo-nos algures entre o devaneio e a escrita que desbota o tecido com que se cose a vida, a arte da escrita era, quiçá a nossa forma gémea de dissiparmos o nublado da vida e encetarmos a vida clarificada das letras sonhadas e por sonhar.