REVERSO DO AMOR
Se tu soubesses o quanto te procuro
na força do amor e do verbo
em mil sonetos, quase todos obscuros
sonhando a tua estrada em meu universo
Seja então, bem mais que estes gestos duros
ou, poema de improviso, em simples verso
não seja da conquista esboço impuro
interrompendo traços, deixando amor disperso
Não crave a reticência como ultraje inseguro
Na veemência da solidão a que me reservo
Proteção adquirida dos espíritos maduros
Mostre da face, emblema sincero no anverso
Da força ao inverso, sentido ardente e seguro
E o coração mais puro, desvendara no reverso
VERSUS
Poeta ao [in] verso (?)
Trava,
Vai, engole o verso!
Diz que não pode
e explode...
Im.pa.ci.en.te
A palavra desacata
a fera ardente.
O dom, ata.
Magoa ...
A.ci.da.men.te!
...Vocifera...
Rui.do.sa.men.te!
NÓS DOIS
Vou te mostrar como são
os gemidos incontidos
mil segredos entre lençóis,
olhos de águia ensandecidos
sons selvagens, hálito quente,
dança língua louca,
na pele e corpo ardente
no abandono, dança inconsequente
rodopia nos poros,
penetra em cada espaço
e nos braços em lascívia
a rigidez da carne no tremor da emoção
A PAIXÃO
Não tema, codifique o poema
já que a distancia existe
e a saudade insiste
completa e extrema
A certeza consiste
na arte do versejar
cristal raro p’ra se guardar
jóia que ainda inexiste
Nos sonhos o divagar
laços coloridos em riste
que enlaçam sentidos no amar
É desejo ardente e persiste
invade p’ra muito alegrar
aquele que um dia foi triste
E então, sobrepujando antigos sentimentos
em uma tarde ensolarada de final de inverno,
percebi que meu olhar já não brilhava ao ver
ou o meu coração já não dava cambalhotas
e as borboletas no estômago tinham se aquietado.
Aquela imensa admiração, os pequenos detalhes,
tudo que me fazia delirar ou entrar em êxtase...
Nada mais!
IMÓVEL
Queria ficar aqui por dias, imóvel,
De olhos fechados, mas sem dor.
Paradigma de vida atribulada
Com sementes lançadas ao chão
Que levam a um pensar constante,
Na luz serena do meu amanhã.
No medo que aflora a vida,
No breu de dias ermos,
No assombro de almas fúteis,
No se perder e se achar,
No partir e no chegar,
No odiar e no amar...
Para sempre!
AMO VOCÊ
Não tenho mais medos
Nem tenho receios
Não faço volteios
Com meu coração
Tentei negar
Ate disse que não
Mas é fácil amar
Tão doce paixão
Acordo menina
A vida fascina
É sonho e emoção
Nem ligo p’ra rima
Se é rica, se é pobre
Felicidade
É luz que recobre
Se todos os segredos
Não fossem entraves
A frase mais grave:
- Amo você!
CASULOS
Casulos que se subdividem...
Distribuídos estão, pela estrada da vida,
Organizados em porções enigmáticas de emoções,
Dificuldades, atribulações, sonhos, amarras!
Reféns do medo são os que neles permanecem,
Presos ou perdidos sem ver a luz
Que lá de fora, do horizonte,
Brilha firmemente
Em um firmamento resplandecente.
Deles libertam-se os corajosos, os que têm fibra
Garra, determinação, sede e ânsia de felicidade.
Rompem as duras e ásperas cascas
Da crueldade injusta,
Da existência infeliz, por opção,
Optando por banir toda e qualquer insatisfação!
VÔO IMAGINÁRIO
Seria então, o meu céu no teu sorriso
Flores, beijos, nós dois...Mais ninguém
Neste mar fascinante, revolto e impreciso
Porque ao teu lado sou mais e além
Sou o sol em dia escuro e inconciso
Iluminando o vil e sombrio engano do bem
Pois contigo, sou só o céu e o paraíso
Sou alma, coração e libido, também
Nem contabilizo o ínfimo humano indeciso
Decido querer ser p’ra sempre, tua refém
Neste voo imaginário, enigmático e indiviso
Aí então todos os poemas que fluem e nos mantém
Serão a lírica e santa musica de versos concisos
O universo, o amor e a paz...Amém!
DELICIOSA MAGIA
Parece magia, aparece do nada
Surge lindo, vem sorrateiro
Como saído de estória encantada
Mago, bruxo, dos versos, feiticeiro
Assim, amanheço em teus sorrisos, nem fico cansada
E anoiteço em teus desejos, te quero inteiro
A vida é leve, na mais longa e árdua estrada
Desperta a vida, em colorido vítreo e faceiro
Da dor que outrora, andei de mãos dadas
Substituo pelas flores do ardor, em teu esteio
P’ra minha vida, não estou mais calada
E nas defesas do teu ser sensível e fagueiro
Concluo que sabe amar, como jamais fui amada
Da minha história é o início, o fim e o meio
REALIZAÇÃO PESSOAL
Um caminho, uma história, uma vida.
Entre vitórias e derrotas,
O golpe que deveria ter sido fatal
Não foi felizmente, mortal!
Hoje, a amargura que se desfaz,
Forja o doce encanto que se refaz.
O oriente do passado triste e indiferente
Dissolveu-se após longa prostração
O ocidente hoje, mostra-se a minha frente,
Horizonte colorido, luz divina, idealização!
Caminho desconhecido, porém, querido.
Sou eu, garra, fibra, determinação.
A força da fé em nova estrada
Indo ao encontro da realização!
SENSIBILIDADE DOS NOBRES
A sensibilidade dos nobres?
Pudera eu ter esta capacidade
Desfrutar de tal supremacia
Ser eleita em espírito
Pelo grande criador
E com tal possibilidade
Usar de desmedida vontade
E ajudar a tantos em seu amargor
Não! Não sou nobre
Minh’alma é imensamente, pobre.
Sou egoísta, orgulhosa, excêntrica
E carrego comigo um fardo
De ilusões, divagações e de enganos.
Sonhos inúteis,
Destituídos de bondade
Que propiciam um viver
Distante da fraternidade
Equivocada sou no amor universal
E agora é o ego quem proclama...
Sou sim, pequena e ínfima humana!
O PREDESTINADO
Aquieta-te e segreda indulgente
exprime aqui, em meu ouvido
sobre esta introspecção inerente
já que em tempos idos
Nascer poeta; teu pior castigo
perfil improvisado, inconsistente
passagem hercúlea; solitário esquivo
qual estrela vítrea e transparente
Carrega templos; tempos esquecidos
vida e morte dos sobreviventes
que muito sente, arrependido
Na poesia, palavras pungentes
insatisfação em coração contrito
fadado aos versos, eternamente
O CONSORTE
Quando dei por mim,
Era toda minha própria imensidão
Em um universo fantástico a ser explorado.
Não por um ou outro a se considerar desbravador
Mas aquele singular de características ímpares.
Aquele, o qual eu ainda não havia encontrado
E que o destino, sagaz e inteligente
Possui guardado em um futuro habilmente traçado.
RETIRADA
E enquanto este teu lírico canto,
soluça o lépido pranto
do olhar sereno da aurora,
ela, aquela que seria capaz
de revolucionar o mundo por ti,
transcende aos teus protestos
em silêncio indiferente
E, lentamente, vai embora...
AUTOESTIMA
Seja presente ou ausente teu aperto de mão
Não importando se abre ou fecha a porta
Sigo adiante guiada pela intuição
Penso somente no que minha alma suporta
Hoje valorização é o nome da minha emoção
O resto deixo pra trás, o muito, pouco importa
Cuido com carinho de um maltratado coração
E evito veemente mais dor que só corta
Elevo em mim a lucidez do ato e da ação
Com toda a transparência que meu ser comporta
Agora sei que propicio o julgo, em errônea dedução
Mas ágil, a mente consciente, ao outrora reporta
Dizendo que o que mais vale é se amar com paixão
Se na troca o valor inexiste, a realidade, exorta
JARDIM DO AMOR
De atos murchos, hoje estou cansada
esquivo nos carinhos que preciso
veste roupagens de homem indeciso
pareço então, terra seca e maltratada
A flor p’ra florir, precisa ser regada
cansei do teu jeito vago e impreciso
na mesma hora que oferece o paraíso
terra árida, já me fazendo descartada
não quero mais em ti estar atada
ou da tua casca de passado ressequido
tentar quebrar p’ra outra vez ser rejeitada
mas, queria mesmo era arar a tua estrada
trocando gotas de amor lindo e irrestrito
saberias então, que enfim, fui conquistada
AMOR MEDIEVAL
Seus olhos... Espelhos d’alma mais bela
Em que mergulho suave e bem fundo
São meus sonhos na mais linda aquarela
Retratando o que sinto, refletindo meu mundo
Paixão sincera sublimada na esfera
Fecho meus olhos por breves segundos
Vejo então, pergaminho, tinta e vela
É real em sentimentos fecundos
Esta escrevendo p’ra sua donzela
Envolto em mistério mantém o assunto
Distante da plebe e suas mazelas
Exalta a emoção de um amor oriundo
De anseios estros glorificados na espera
Cavaleiro cortes, cordato e profundo.
CONSAGRAÇÃO
Eu poderia morrer neste momento
Levaria comigo a intensa luz do teu olhar
E os mais belos versos que me fazem te amar
Quão belo e imenso é teu encantamento
Eu poderia morrer neste momento
Em que os teus sonhos estão soltos pelo ar
Que teus lábios desejam meus lábios beijar
Quão lindo e denso é este arrebatamento
Eu poderia morrer neste momento
Aonde em meus sonhos vem me abraçar
Quão nobre e intenso é este movimento
Eu poderia morrer neste momento
Mas quero viver sem nada indagar
Quão elevado e sagrado é este sentimento
HOMEM MENINO
No homem que se diz menino
Um gentil cavalheiro, herdeiro da paz
Inebriada, deixo as dores lá atrás
Colorida surpresa, um real desatino
Uni [verso] de [in] versos, descortino
Da mansidão doce, que envolve tenaz
A lírica ternura do canto, audaz
Incita desejos, com olhar de felino
Exposta em resposta, a tudo imagino
Urgente meu corpo, suplica mordaz
Atiça e provoca; vem ser inquilino
Pertinaz, me mostra teu ser libertino
O prazer delirante em apetite voraz
Esqueça a candura, te quero ferino
DUALIDADE
Não acredite em meus versos mentirosos
Usualmente escrevo o que me convém
Arte de palavras em jogos de vai e vem
Moldam fácil, pensamentos enganosos
Se é dos fatos que todas as idéias provêm
Os sentimentos profundos e carinhosos
Podem resultar de mil gestos ardilosos
Que só o egocentrismo dos poetas contém
Sim, sou feita de vários compostos
E componho ouvindo vozes do além
Inventando amores volúveis e melosos
Agora, ao ler, assimile e julgue; porém
Sem esquecer dos meus atos amorosos
Lembre que sei amar intensamente, também!
MEDO
De onde vêm tantos medos
Que não te permitem, amar?
São decepções do passado
Que bloqueiam teu despertar?
Sabores de amores forjados
São acres em teu paladar
Quantos blefes agora usados
Acusa p’ra se safar
Mordaz, vestido de ácido
Receia o íntimo revelar;
Teme por estar enredado?
Assimile, são tempos idos
Acredite, sem duvidar
Ame, pois faz sentido