SANTA ESQUIZOFRENIA
Pior, que a maldição da inconstância
Ou a peçonhenta língua que muito fala
É a incoerência da boca que sempre cala.
Tolo Poeta que então, mergulha em trevas
Que se corrói, que se autodestroi!
Fere-se em insanidade cruel.
Ah, excêntrica demência poética!
O surto arquitetado da impotência.
Surtados em si mesmos,
Descem aos submundos da razão.
Santa esquizofrenia revelada,
Extravasada através da composição.
Não importa quantas poesias
Em uma única hora do dia, são.
Uma após outra, escrevem ensandecidos
Em movimentos repletos de emoção.
Interiorizados, choram, blasfemam
É dor, é amor, é ódio, é rancor.
São poemas concisos,
Precisos e hábeis versos,
Casamento perfeito entre a fúria
E a sutileza lírica dos verbos.
ABRIGO
Quero meu casulo quente e confortável
me esconder desta imensa multidão
passar despercebida com minh'alma instável
sem toque, sem beijos ou apertos de mão
Quero ponderar o que pode ser viável
conhecer os limites da inexatidão
discernir o falso do amigável
rechaçar qualquer amostra de compaixão
Quero aflorar um lado audaz e amável
perdoar, esquecer, assimilar emoção
fazer jus a denominação, adorável
Quero agora, apenas o vazio desta solidão
calar em mim mesma de forma inviolável
até que o silencio suscite respostas, a razão
[RE] ESCRITO
Hei, sabe o que acho esquisito?
A forma que usa p’ra atrair minh’atenção
Perspicaz, instiga meus versos em composição
P’ra logo depois, simular que não existo
O que faço então? Tristemente...Desisto!
Já vai longe o tempo em que entreguei emoção
A quem por mim, não tinha consideração
Sigo em frente, reticente; mas não insisto
Maldoso foi o causador de tudo isto
E maldito seja o dia da rejeição
No entanto, a fêmea, desacreditou do paraíso
A mulher cala e melancólica fala ao [in] finito
Anseia carinhos em ímãs, nas rimas do coração
Solitária, beija um doce poema a ser [re] escrito.
COM O TEMPO
Com o tempo aprendi
A esconder meus sentimentos.
A usar da amargura que comove
E fazer dela a força que me move.
Com o tempo aprendi
A ser mais de uma.
A calar mesmo sem desejar.
A conviver com a solidão que oprime.
Com o tempo aprendi a dar tempo!
A fazer das agruras, alimento.
Com o tempo forjei a serenidade.
Conheci a tranqüilidade
E a paz em muitos momentos.
Com o tempo continuo a aprender
E assim, em um lento gestar,
Tento entender o que não pode ser
E a lutar pela alegria que comigo deve estar.
Tomo as dores das quais pereço
Como degraus do meu andar
E enquanto exemplos que bem conheço,
Lentamente o ser, engrandeço!
ENAMORADA
Nesta madrugada quando aqui chegar,
Não bata na porta, entre sem pedir
não hesite, venha logo, venha me beijar
traga teus desejos, vem me possuir
Todos os meus medos, hei de abandonar
palavras reprimidas, comedidas, irei diluir
cada parte do teu corpo, acarinhar
teus lábios em meu corpo, vou sentir
Te espero ansiosa p’ra nossos sonhos aflorar
transparência vaporosa e rendas, vou vestir
enamorada é a palavra, não posso mais negar
No reflexo dos teus olhos vou submergir
entregue aos teus caprichos, o que desejar
paixão que só o tempo poderá nos traduzir
ENTREGA
Apenas venha, não sinta receios
traga nos teus versos a leveza
mas prenda-me logo, sem volteios
sacie nossas fomes e incertezas
Faça do meu corpo o teu esteio
com teu toque de fúria e aspereza
revire nossas vidas, ache um meio,
do sonho, transformar-se em certeza
Na entrega, na luxuria, não terei defesas
gema em meus ouvidos, sacie meus anseios
Atrevido, esqueça o galanteio e a delicadeza
Ao mundo lá fora estaremos alheios
vem e, com teus dedos, abuse da rudeza
p’ra depois, repousar cansado, em meus seios
AMOR CÓSMICO
Não me pergunte
E não se pergunte
Como é o verdadeiro amor.
Na coexistência, é sagrado.
Em alianças cósmicas,
Previamente traçado.
Nas límpidas essências,
Suavemente delineado.
Na união, a consciência
E por Deus Pai, abençoado.
O PRAZER DE SONHAR
Tu és doce, és suave, és sereno,
Nada preciso explicar,
Meu lindo menino moreno...
Ah! Deixe-me por breve momento pensar
Que o tenho aqui, ao meu lado
E apaixonado estás, a me abraçar.
Peço-te, por favor, continues calado
E conceda-me o prazer de sonhar!
DESLEALDADE
Quando relembrar o quanto me doei
Pense na profundidade da deslealdade
Lembre de todas as palavras que falei
Que o preço da bondade, agora é, realidade
Quando lembrar o quanto me entreguei
Da bola que aos teus pés, rolava em suavidade
Saiba que muito, muito me esforcei
Para ignorar e relevar, tamanha crueldade
Pegue todas as lembranças, como já peguei
Sem esquecer da ação, a gravidade
Enterrando tudo, como eu, já enterrei
Termino logo o rasgo, uso a sanidade
Já que nunca respeitou os sonhos que sonhei
Verto breve, o desamor, gratuito da maldade
CHAMA
Poética e intensa é esta chama
Desperta em sensualidade intermitente
Desejo penetrante desta trama
No corpo que hora arde incandescente
Coberta por cristais está a cama
Teus verdes olhos, o deleite mais urgente
Quero teus segredos como quem ama
Fazer da tua vontade, loucura indecente
O enigma em nós é quem agora clama
Arquiteta a imensidão de um amor ardente
Vastidão de paixão, martírio que reclama
Quero teu corpo, profana e eloquente
Viver o perigo de ser a tua dama
E dos teus lábios beber tua saliva quente
ESPELHOS
Se me vejo em você e a recíproca é verdadeira
Nem quero saber se do espelho a moldura
É de plástico, metal ou madeira
Divina é toda a sua composição
Alucinante! Os budistas que me perdoem
O ego agradece e esquece a tal aniquilação
Um convite constante a total embriaguez
E se for para me embriagar
Quero sorver letra por letra de toda sua inspiração
CORPO E PAIXÃO
Quem disse que é fácil não beijar tua boca
Arrancar nossas roupas e a tudo querer
Quem disse que é fácil a ti resistir
Saber que esta aqui e só te perder
Quem disse que é fácil arfar feito louca
Ficar sem o ar e teu corpo não ter
Quem disse que é fácil, a voz meio rouca
Sentidos atentos, fazendo doer
Quem disse que é fácil o amar por inteiro
Ainda que fossem só corpo e paixão
A lassidão dói, é tiro certeiro
Faz marcas profundas em qualquer emoção
PARA UM GRANDE POETA
Sempre que venho te ler e venho constantemente
Passo meio que silenciosa. Parca anda a minha prosa
Então calo... Nada falo! Nem te trago presentes
Eles seriam a menção ao exteriorizar
Que a leitura dos teus versos me deixa contente
Mas, não sei de onde me vem este desejo
De estar de mim mesma, sempre ausente
Então venho e fico e pé-ante-pé, sorvo cada letra
Absorvo teus poemas, as tuas rimas
Que estão muito acima de quase tudo que leio por aí
Exploro tuas letras e em minha mão a caneta gira sem parar
Sinto a tua alma borbulhando anseios em devaneios febris
Tua poesia me é imã, inspiração, âmago, emoção
E nas entrelinhas reconheço os teus sonhos juvenis
Poeta que encanta e que suplanta o modo de cada um
Como agora, em que vi ir embora o meu próprio estilo
Para em ovação estilizar unicamente, o teu próprio brilho.
(Poema Dedicado ao Poeta, Ricardo Borges)
APENAS A VIDA
Apenas a vida que descortina-se por inteiro
Na certeza de um amanhã iluminado
Arraigada a novos valores
Ao encanto do existir
Do compreender
E unicamente, viver!
PROFUNDO ARDOR
Doce mel, mel de jasmim
Homem, menino, ou anjo querubim?
Em pensamentos, em ti estou...
Em pensamentos, estás em mim!
Imaginamos sim, dedos perdidos,
percorrendo aflitos, enfim...
Nossos cabelos, caracóis de algodão.
Corpos sedentos, gemidos contidos
Desejamos sem fórmulas ou elaboração
Vagamente por tudo, é certo o temor!
Intensamente contudo, é profundo o ardor!
HARMÔNICO MOVIMENTO
Em movimentos harmoniosamente celestiais,
Imperam sentimentos sublimes e inefáveis,
Assim como, Deidades cósmicas, incontestáveis.
O principio real dos verbos onde habita Deus?
Ah, nobre sinfonia das esferas!
Almas em postulado de identificação,
Eximem a necessidade da palavra.
Não necessitam da verbalização.
Na distancia, através de forças vibratórias,
Ligam-se através do universo
Que em nobreza atrai, une e constrói
E se a magia da musica é o verso
O inverso, indubitavelmente, é verdadeiro!
VIVER VIVER VIVER
Viver com qualidade
Não é sobreviver
Mergulhado em instabilidade
Viver com intensidade
Não é mil parceiros ter
Em busca da felicidade
Viver é saber amar com sinceridade
Não é jogo de poder
Baseado na deslealdade
Viver a vida de verdade
É o coração com Deus enobrecer
Com a paz, o perdão e a realidade!
SONHOS
O que dizer quando nossos sonhos
Apresentam-se em nós
Muito maiores do que nossas vidas?
Como proceder quando a fé e a esperança
Traduzem em forma diáfana
E colorida o futuro que nos dará guarida?
Apenas que a certeza acalenta a alma
Na convicção de um amor
Que rompe as barreiras do tempo
Destruindo e ultrapassando
Qualquer contratempo.
Em verdade,
Não nos perdemos em nossos sonhos.
Pois é através deles que verdadeiramente,
Nos encontramos!
ORAÇÃO XAMÂNICA - SABEDORIA
Oh, Grande Espirito que habita
Todos os planos invisíveis
Que está em todos os lugares
Conduza-nos ao caminho da paz
Da compreensão, Do discernimento
Da verdade, da honra e do conhecimento!
Leve-nos a viver juntos
Com amor, respeito e fraternidade
Como irmãos e irmãs.
Nossas vidas aqui,
Caminhando sobre a superfície
Da Pacha Mama, Mãe-Terra, são curtas.
Permita que nossos olhos
Se abram para todas
As bençãos que nos são concedidas
E para todas as articulações,
Artimanhas maldosas e vis
Dos inimigos que nos lançam as trevas.
Por favor, ouça nossas orações,
Revelando e aproximando-nos do Sagrado
Através dos nossos corações.
Oh, Grande Espírito!
Dá-nos proteção e sabedoria!
Ahoo!
PEDAÇOS DE NÓS
Somos agora, pedaços de nós mesmos
Parte integrante um do outro
Puzzles, quebra-cabeças,
Juntos em raciocínio lógico ilógico
Que antecipa, deduz, conduz...
Pensamentos cruzados, convexos
Alinhamento em vôo explêndido
Com raios luminosos de admiração,
Sedução...Intuição...
O exato momento de estarmos juntos
Cognição em nossas memórias
Simples e profundo desejar
O de lapidar em nossa história
Esta suave e serena forma de amar!