Fico pensando até quando irei resistir. Até quando posso aguentar. Se é que posso. Os caminhos trilhados antes foram todos tão difíceis. E então me vem você e muda tudo. Não, eu não quero que você mude meu mundo tumultuado, porque de certa forma me sinto segura nele. Estou sempre com o escudo em mãos e a bandeira estrada em frente a minha casa dizendo: Não se aproxime. Tudo sobre controle como sempre planejei. Nada fora do comum. Até agora. Até quando poderei manter o controle eu sinceramente não sei, mas creio fielmente que só o fato de me fazer essa pergunta, me faz crer que já não posso mais. Então, o que me resta é fechar os olhos e fazer uma prece: Que Deus me proteja das dores do coração.
As vezes o sorriso congela. Uso-o genericamente. (A)tipicamente. Uso e abuso desse bom senso que a vida fez questão de me fazer usar a quase todo momento. Crio as minhas leis. Estabeleço limites. Até tento colorir quando falta brilho. Mas algumas coisas são de fato, preto e branco. Respeito. E sorrio, claro. As vezes o estômago dá um nó. As vezes tenho enjoos diante de tanto pragmatismo. E uso meu velho sorriso genérico. Em certas situações é o que se tem de mim. Vale lembrar: Não falha nunca.
Há verdades que calei dizendo. Há sorrisos que conquistaram a face, mas não chegaram ao coração. Quantos "sim" ditos, quando tudo o que queria era dizer "não". A educação não se compadece da minha alma, que dia a dia adoece. Minhas verdades, minhas mentiras, meus "sim", meu sorriso forçado se desfalecem em plena luz do dia. Nego a verdade, escancaro a mentira. Em troca do que? Meu sangue derramado em praça pública. Meu coração atirado a rua. Em troca do quê? Doses homeopáticas de um lento suicídio dia após dia apelando por paz. Bandeira Branca. Chega. Não há ninguém do outro lado. As paredes do meu quarto nunca foram tão brancas, e o alívio nunca foi tão verdadeiro. Paz.
Todas as alternativas que surgem diante de mim só confundem os passos. Eles não estão cravados rigorosamente ao chão. Também não seguem seus desvios normais diante da confusão nítida a qual estou. Eles se encontram perdidos. Tenho o mapa em mãos, mas os pés não seguem o comando. Percebo que algo maior paralisa. Medo? Angústia? Melhor parar pra descansar. Pés confusos não me levam a lugar algum. Mente confusa me leva a qualquer lugar e tenho que estar satisfeita com a escolha feita. Não é pra ser assim. Preciso de um norte. Estou ao sul de mim mesma. Estou velejando em ventos contrários. Estou indo pra qualquer lugar. Não há placas, pistas que diga que aquele é o caminho certo. Melhor admitir: Eu não sei o que fazer. Existe pergunta mais honesta do que esta?
Fugi dos holofotes traiçoeiros e cheios de desordem que me faziam cansar de mim mesma. Nessa viagem intensa encontrei várias mulheres dentro de mim. Algumas adormecidas sob efeito delirante da realidade muitas vezes "forte". Optei pela mulher que estava fora desse universo de coisas demasiadas desnecessárias. Essa mulher era sexy, esperta,moderna, livre. Trouxe-a de mãos dadas a esse mundo. Fiz dela meu porto-seguro. Fiz dela o reflexo no espelho. Fiz dela o que eu quisera fazer de mim. Chega de universos paralelos. Chega de fugir. Agora, quem ditava as regras era eu.
E se tudo fosse uma miragem? Se nada disso fosse real? Se todo sentimento acumulado for mentira? E se você me fizer sofrer? Ela não se conteve e o sufocou com perguntas ininterruptas. Ele as ouviu silenciosamente. E depois perguntou: "Acabou?” Ela o olhou fixamente. E depois fechou os olhos. Disse a ela: "Vou dizer uma só vez, uma só e ouça bem. “Se isso for miragem, eu sinceramente quero permanecer nela. Se isso não for real, o que me diz quando a toco? Se esse sentimento for mentira, estou em sérios apuros, porque vou sofrer também. Posso não saber do futuro, mas te digo que escolhi você pra construir presentes. Não tenha medo de ser feliz. Não tenha medo!”
Peço desculpas por chegar atrasada. Andei ausente eu sei. Percorrendo caminhos errados. Escolhendo atalhos errados. Desculpe-me por chegar até você tão cansada e tão fraca. Mas digo que foi preciso estar longe. Eu não saberia tudo o que sei agora. Precisava me encontrar antes de te encontrar, precisava deixar que o ar puro entrasse novamente em meus pulmões. Precisava me desapegar de tudo que me fazia mal. Precisava até enlouquecer, como de fato enlouqueci. Precisava ir até o auge de minha loucura e perceber o que é real e o que é fantasia, pra então poder perceber o que quero de verdade, o que quero esquecer e o que quero lembrar.
Estou aqui agora, ainda cansada e um pouco fraca mas o mesmo tempo cheia de vida e vontade de realmente estar aqui. Não pude estar contigo antes, mas agora e como em nenhum outro momento da minha vida tudo se tornou claro e definitivo. Espero que perdoe minha ausência e me permita estar ao seu lado de novo e assim possamos reviver o sonho que ficou guardado
O que eu gosto nele é aquele jeito sem pudor. No dizer popular “safado”. Toda mulher gosta de um homem “safado”. Deixando claro que safado a qual me refiro é no sentido de deixá-la querendo mais. Nós sabemos que são poucos os homens que conseguem essa proeza. E ele faz isso comigo. Claro, que ele não sabe, não sempre. Mulher inteligente nunca deixa o homem desvendar todos os seus segredos. Acho que carreguei isso da minha mãe. Baú aberto não protege tesouro. A pulsão incontrolável de contornar o meu desejo e deixar esvaziá-la em mim mesma. Quando estou em suas mãos sou dele. Isso sim, eu faço questão que saiba. Homem gosta de se sentir o “rei do pedaço”. O único de uma mulher. O responsável por satisfazer toda e qualquer fantasia sua. Detenho o meu poder nesse momento. O poder é todo dele e de forma sublime, como sempre. Enquanto ele me olha com aquele olhar desconfiado e inseguro, eu apenas o abraço e respondo a sua pergunta sem dizê-la verbalmente. Nesse momento não há jogos de poder. O tempo necessário pra que se confirmem algumas coisas. Sabemos que o prazer é efêmero. Precisa ser confirmado sempre que posto em questão. Sou como o prazer, deixo ele achar as respostas em determinados momentos, mas nunca o tempo todo.
Eu queria entender esse seu olhar. Juro, eu queria! Você me olha e me ama, como nunca fui amada antes. Mas quando fala, sinto o ódio por todos os poros da sua pele. Não entendo. Porque me ama, se me odeia? Ou seria, Porque me odeia se seus olhos revelam amor? Não entendo.
Palavras, olhares. Não há muito sentido nisso, não há lógica qualquer pessoa diria. Ou me ama, ou me odeia. Esse jogo não me interessa mais. Quero o inteiro, não a metade. Ninguém é feliz com metade. E metade por metade prefiro o nada. Que nada causa, nada perturba, nada, nada.
Tá eu confesso, eu tenho medo de me apaixonar. Mas diz aí: Quem não tem medo? Medo que ele seja a melhor pessoa que você já conheceu. Medo dos pensamentos frenéticos noite e dia em uma só pessoa. Medo de não ser recíproco. Medo de esperar o telefone tocar e não tocar. Medo de ser beijada intensamente, de ser sugada para um universo paralelo onde não está acostumada. Medo do inesperado. Medo do julgamento que ele fará de você. Medo de não ter o que dizer quando ele te fizer um elogio fofo. Medo de depois que você uma vez apaixonada, não poderá reverter mais os fatos. Não há fórmulas. Não ensinam como não se apaixonar, não sofrer, não iludir-se. Paixões sempre são intensas e únicas. Eu sei que é difícil se deixar levar pelos mais diversos tipos de medos, mas não é isso pela qual vale a pena viver? Se arriscar. Quem sabe aquele medo não é tão docemente reconfortante que te faça ficar. Afinal, a gente nunca sabe o tempo que vai durar, mas devo aprender:
O que é de fato verdadeiro sempre fica!
Coleciono tristezas, fracassos, promessas não cumpridas, dizeres abstratos. Coleciono uma vida de desilusões. E chega um tempo que a coleção fica completa. Esse tempo chegou. Minha coleção de tristezas e desilusões está completa. Qualquer que vir agora, será REPETIDA!, logo, descartada. Não há mais espaço pra nada parecido. Tem que ser diferente, precisa ser diferente. E sou eu quem ditará as regras de meus novos fracassos, minhas novas desilusões. Eu determino quem entra e quem sai. Quem faz morada. A felicidade é minha, e não dos outros. Minha coleção será refeita, totalmente. Porque eu quero mais, porque a vida muda e eu mudo junto com ela.
Demora-se em mim
Fica em mim
Que eu de mim
já não sei mais
Esquece teu passo junto a meu
Esqueça-se em mim
Vem e colore o vazio de todas as coisas
Que eu sozinha já não consigo mais.
Vem e faça doce o caminho
Que é pra eu não esquecer
Que a vida fica mais bonita
quando você vem.
E a gente chora, para não sufocar. E a gente grita, para não enlouquecer de vez. E a gente finge, para manter a paz externa. E a gente inventa, para não morrer de tédio. E a gente segue acreditando que ainda vale à pena, que ainda existe algo ou alguém por quem continuar. E que viver é assim mesmo, dias sim... e dias não... até o fim.