Às vezes estou ausente. Faço-me ausente pra pessoas. Pra coisas desnecessárias. Mas, existem momentos em que eu queria estar ausente de mim mesma. Poder não sentir, mesmo sendo impossível. Às vezes eu preciso me recolher... Eu sei, parece confuso, mas são aqueles momentos onde falar não basta, mostrar-se não convence. Ficar só e fazer disso força. Fazer do silêncio poesia. Preciso me ausentar do mundo quase que como forma de sobrevivência. Colocar-me numa redoma e me contemplar. O mundo distorce o meu olhar sobre mim mesma. Preciso estar só pra poder me enxergar. Enxergar, mais do que ver aquilo que me falta. E saber reconhecer que aquilo que me falta é justamente aquilo que eu desejo pra mim. Fazer da falta não um vazio existencial, mas fonte de querer algo a mais da vida. O desejo me impulsiona pra vida, assim como a falta me leva aos fracassos mundanos e existenciais. Preciso fazer do meu silêncio o meu porto-seguro e o caminho indispensável que me levará de volta pra casa toda vez em que julgar que é preciso.
Se não fosse essa mente cheia de paranoias, não seria eu. Se não fosse esse meu jeito todo desastrado, não seria eu. Se não fosse esse meu olhar por vezes perdido, não seria eu. Se não fosse essa confusão toda, não seria eu. Se não fosse esse amontoado de erros, ainda assim não seria eu. Se não fosse os medos, receios, atropelos, ansiedade, impulsividade não seria eu. Se não fosse os desencontros, não seria eu. Se não fosse as imperfeições, não seria eu. Eu, imperfeita, eu desigual, eu incógnita.
Eu, imensidão de mim.
E eu serei eternamente aquela exagerada. Exagerada nas palavras ditas. Exagerada nas palavras escritas. Exagerada nos pensamentos. Exagerada nos dramas sentimentais. Exagerada nas atitudes. Exagerada nos sentimentos. Exagerada nos caminhos entre o bem e o mal. Entre o certo e errado. Entre o tudo e o nada. Porque equilíbrio é algo a ser conquistado aos poucos. E eu não posso deixar esse meu lado exagero desaparecer por completo.
Porque se não tiver um pouco de exagero, não será mais eu.
- Menti sobre o seu sorriso. Não posso afirmar nada a respeito. Não agora. Sei que provavelmente o caminho inverso me dará muito mais trabalho, mas, ainda assim prefiro os atalhos. O coração está cansado de sorrisos mascarados. Há registros por toda a parte. E as mágoas ainda se encontram latentes. Talvez você não compreenda meus motivos de boicotar o seu sorriso, mas, é para o seu bem. Minha reação aversiva a sorrisos sinceros não costumam deixar as pessoas felizes. Estranho né? Antídoto criado pelo coração se salvar dos estardalhaços de sorrisos mal dados. Não se ofenda. Não tente entender.Não posso ainda confessar o meu apelo que diz: "Por favor, não pare de sorrir pra mim!". Os riscos são incontornáveis.
Ah que bom seria se eu pudesse me conter quietinha dentro da gaveta. Que bom seria se pudesse conter esse meu coração exigente. Que bom seria se eu me mostrasse menos. Menos intensa. Mas esse meu lado “sintoma” é tão inerente a mim mesma, que não consigo deixá-lo. Mas, não paro de pensar na possibilidade de às vezes, quem sabe me guardar quietinha na gaveta. Ah, se eu pudesse...
Eu gosto muito das pessoas, ou eu as detesto. Mergulho fundo, porque sou assim. Não sou simpática se eu não quiser, não sei fazer "sala" com quem não quero. E não estou na vibe "docinho" todos os dias. Porque você pode me rotular do que quiser, é um direito seu, embora isso seja apenas um direito e pode significar nada pra mim. Me reservo para os poucos e bons. E isso sim é um direito meu, absolutamente meu.
Fico procurando entender o que ele causa em mim. As vezes minhas memórias me traem. Fico recordando da sua pele ao encontro da minha e a vida se refazendo diante de mim, tão linda, tão colorida. Percebo que estou entregue em suas mãos da forma como nunca estive. Percebo que além do sentir do corpo minha alma está ali, também se expondo timidamente. Um sorriso contido e libertador aparece enquanto estou de olhos fechados me deliciando em lembranças.Ele tem um certo poder sobre mim e isso me deixa tonta. Isso me confunde. Não consigo controlar. Não há como deter. “Não”! Grita meu lado B. Não posso. Ele vai me machucar. E todas as defesas típicas surgem assombrando e distorcendo minha realidade doce. Porque eu simplesmente não me entrego aos deleites do amor? O que fizeram comigo que não me permito? Nesse momento sinto uma raiva imensurável de todo o meu passado. Isso dura o suficiente pra eu me irritar comigo mesma e me deixar ainda mais confusa.. “Pare!” Diz meu lado A. E então vagarosamente refaço o caminho, e estou nos braços dele de novo. Não me pertenço mais, e essa sensação é tão boa. Ah, por favor, me deixe aqui. E isso soa como um apelo.Me deixe sentir isso por mas tempo. Cale meu lado B.Cale meu lado controlador. Cale meu lado “politicamente correto”. E o tempo inexiste. Sou dele e ele é meu pelo tempo que não se sabe, mas pelo tempo suficiente de me fazer feliz.
É incrível como enriqueço na solidão. Você se percebe sozinha e então as coisas acontecem. Fazem sentido. O pensar sempre esteve cravado a minha personalidade. As vezes defeito, as vezes qualidade dependendo do ângulo visto. Procuro racionalizar sentimentos ofensivos. Ofensivos quando fogem do meu controle. Pois é, tenho uma tendência a controlar meus sentimentos. Acho que é prática. Amar errado dá nisso. Não se contam nos dedos minha coleção de amores errados. Acho até engraçado. As pessoas normais colecionam tantas coisas e eu, coleciono amores (errados). Tudo bem porque isso e ao menos isso está resolvido. Poupo meu analista desses meus “fricotes”. Algumas verdades sobre mim ainda não estão prontas para serem reveladas, nem mesmo a mim mesma.Poupo-me. Talvez um dia eu me canse dessa racionalização toda, desses pensamentos todos e me sinta mais, e sinta mais. E é por isso que a solidão tem me ajudado. Você nunca sabe sobre você, até de fato estar completamente só.
- Eu sei que parece fraqueza, mas eu queria parar de esperar. Eu queria abrir aquela porta e encontrar a esperança de lugares melhores. De algo melhor. Não tenho paciência. Não sou boa nessa coisa de ficar, sentar e observar. Preciso agir. Preciso urgentemente sair do mesmo. Sair do lugar confortável. Eu sei que não tem como ficar aqui sem de certa forma esperar. O que eu puder fazer para mudar isso eu faço, mas uma parte de mim espera. Espera porque a vida á uma longa e árdua espera. O corpo sucumbe por vezes. O coração vibra na mesma sintonia. E eu estou por um fio. Sim. Estou por um fio do fim da espera. A espera de um ato, um simples ato que mude totalmente o rumo de minha vida.
As vezes fico aqui pensando. Será que algum dia alguém irá domar esse meu coração selvagem e urgente? Alguém que simplesmente fique e que não se assuste quanto eu contar meus segredos e minhas paranoias mais insanas. Alguém que me acalme quando eu resolver desistir de mim e me faça convencer do contrário. Alguém que apenas me olhe nos olhos e sem dizer nada me faça sentir plena de tudo.
Você não entende, mas eu não mereço um qualquer-amor. O coração arranhado já conheceu o lado obscuro do amor. Não mereço o lado torto, desajeitado, mistificado do amor. Eu quero o impecável. Quero o acordo que une, o nó que desata. Quero tocar o impossível. Ser sugada para outro mundo. Quebrar barreiras. Investir no meu avesso. Quero ser de alguém, sem me trair. Sem me ultrapassar. Sem desmerecimentos. Você não entende, mas eu preciso amar um amor que me mereça por inteira. Não quero entender o processo do amor. Não quero ler os sinais do amor. Eu quero ser levada por ele. Eu quero em minha ousadia máxima, ser o próprio amor. Porque eu não amo aquilo que entendo. Eu só amo aquilo que eu não entendo. Aquilo, que eu apenas sinto.
E há tempos eu preciso de um lugar-comum. Aquele bla bla bla infame não causou, e já estava me enjoando. Eu precisava sair dali. Peguei o carro e parti em fuga. Liguei o som. Aumentei propositalmente para não ouvir as lágrimas que vagarosamente começaram a cair. Comecei a cantar devagar e quando percebi estava gritando. Gritando e chorando, num desespero incontrolável. Parei subitamente de cantar, gritar e chorar simultaneamente com os pés no freio. Ninguém poderia suspeitar da minha fraqueza em lidar com certas coisas. Eu deveria manter sempre a postura ereta, os olhos brilhando e o sorriso colado à boca. Eu deveria provar a mim mesma e a todos que eu conseguira ser sempre assim, mas, há tempos em que o peso sucumbe e eu precisava parar. Fugir era minha especialidade. Tornara-me perita nisso. E foi quando me dei conta de que precisava voltar. O desespero nunca dura muito tempo. E eu sabia disso. E sabia que o mundo não iria parar para eu me refazer, embora soubesse que vez em quando era eu quem precisava parar para continuar vivendo nele!
Tive medo de não chegar a tempo. Medo de não encontrar as respostas. Medo de sucumbir com o peso das dúvidas. As vezes acho que não tenho dom pra paciência. Essa coisa de esperar, não é comigo. Eu conto as horas, os minutos, os segundos. Eu olho repetidamente e freneticamente o relógio. Eu conto tudo o que estiver ao meu alcance em fúria. Quando a vida acelera eu perco o foco. Quando a vida vai devagar eu acelero. Eu estou em desarmonia constante. Quando percebo que a respiração acelera e coração segue o ritmo sei que é hora de parar. Ainda existe um mínimo de controle e bom senso, pelo menos por enquanto.
Há dias em que estou sob efeito do silêncio. Nesse dia tente não se aproximar de mim. Tente não falar. Procure pelos sinais que deixo. Um abraço seria o melhor. Um sorriso talvez seja também de bom grado. Porque há dias em que eu não estou na vibe “amorzinho” ou na vibe “boa companhia”. Estou revestida de silêncios e estou acontecendo por dentro. Respeite. Aquilo que não digo talvez seja o diálogo mais importante. Se você não consegue entender com meu silêncio, não está pronto pra lidar com minhas verdades expostas.
Levanta agora dessa cama. Deixe minhas coisas. Deixe nossa história. Deixe tudo aqui e tranque a porta. Leve suas desculpas. Leve os dias ensolarados. Leve tudo o que precisar. E me deixe aqui, sozinha. Deixe o vazio da ausência se alastrar por completo. Deixe o silêncio das palavras não-ditas engasgarem. Deixe o meu coração quando atravessar aquela porta. E um último pedido: Por favor leve com você todo esse amor que eu plantei pra ti. Ele não serve mais pra mim.
Depois de tantos esforços, tantas buscas, encontros e desencontros espero que eu possa encontrar um lugar seguro dentro de mim. Mesmo que vez ou outra a memória ainda acessar lugares tristes, pessoas insensíveis que causaram dor ainda latentes, certos padrões e costumes que eu ainda não pude mudar. Que eu tenha convicção de que o melhor está por vir e que lutarei até o fim por isso.