De todas essas coisas. De todas essas malditas coisas, o que me sobrou é isto. O eterno em um só minuto de distração. Foram tantos "eu te amo" ao vácuo. O que sobrou? Ou seria, o que restou? Restos ou sobras? Restos de um amor doente. Sobras de um amor ausente. Sobras de tudo o que poderia ter sido, e não foi. Restos de lágrimas. Restos de palavras engasgadas. Sobras da falta. Sobras do azar. Restos da desilusão do e "se". Sobras da espera. Sobras e restos.
Nada disso me interessa. Só há um lugar onde restos e sobras pertencem. Este lugar chama-se lixo. Atiro-as com força e de uma só vez. Não olho pra trás. Continuo andando...
Inescrupulosa. De coração frio e sem afetos. Insensível. Intransponível. É, talvez eu tenha me fechado mesmo. Talvez eu seja aquela garota que todo garoto quer fugir e tem medo. Talvez essa seja eu. Vagando num mundo de gelo. Atirando bolos de neve em todo e qualquer homem que ousar... Essa talvez seja eu. Mas eu não era assim, me tornei assim... Tranquei a porta desde então. Me desapeguei do castelo e das princesas com seus finais felizes. Não quero mais essa utopia. Quero apenas o que for verdadeiro. Apenas. E nada mais. Nada.
Me tire daqui. Me leve pro teu universo particular. E mais: Me faça ficar, sem querer fugir. Andei fugindo tanto.... Essa vida de indas e vindas não me satisfaz mais. Me faça ficar. Me dê motivos pra ficar e nunca mais querer fugir. Me faça parar de correr. E eu prometo ficar e em troca te dar meu bem mais precioso: Meu coração.
Eu não sei ser pouco. Eu não sei dar pouco. O meu corpo é sempre essa “coisa” intensa transpirando adrenalina de alguma forma. Meus sentimentos sempre invadem tudo e já começam grande desde o início. Não sei ser menos, um pouco de cada coisa. Sou tudo logo de cara. Ainda que me prendessem em uma garrafa eu estaria inteira em cada gota. Se você quiser uma gota que seja, vou logo avisando que ficará de ressaca, mas te aviso que a ressaca é de poesia, de luzes, de suspiros e não existe coisa melhor. Porque eu sou assim, impossível de ter em mãos mas, capaz de te dar o mundo todo em questão de segundos.
VIDA, essa admirável roda gigante, que ora você está em cima, ora está em baixo. Ora você conhece quem senta ao lado, ora não. Ora você tem medo, ora não.
VIDA, esse eterno movimento de dias sim, dias não. Esse eterno movimento dinâmico, NUNCA estático. Por favor, rode mais devagar, as vezes eu preciso!
Não que eu queira as coisas sempre tão fáceis, mas não suporto nada tão difícil. Estou cansada de tirar férias desse amor líquido que se dissolve (sempre) diante dos meus olhos. Não sei se devo ir ou se devo ficar. Esta à espera é estar a deriva, de nada! Ou é, ou não é. Ser morno nunca convenceu ninguém. Instâncias imprevisíveis nunca me satisfazem. Nunca me levaram a lugar algum. O intervalo do amor ruim, é aquele leve suspiro de desespero o cair bruto e árduo ao chão. Não, eu não estou pronta pra cair. Eu não vou cair de mãos vazias! As dificuldades ganham forma em minha mente eu sei, mas, estou dizendo que não aguento mais nada tão difícil ( sempre). Nunca sei o momento certo de me retirar, mas, os sinais avisam e gritam em coro: Saia. E saia depressa! O cansaço cedeu. Me venceu. Bandeira branca. Chega!.
Há dias venho tentando me proteger desse seu sorriso. Há dias venho caminhando com ombros arqueados, posição de um perdedor. É que eu não estou acostumada com tantos afagos, com tanta delicadeza. Logo penso que deve ter algo errado. Eu sei que você me olha com os olhos mais perfeitos do mundo e me diz: “Permita-se”. Mas tem tanta coisa que eu carrego aqui dentro, tanta bagagem que ainda machuca. Se você soubesse o quanto quero você por perto. O quanto quero que mude esse meu mundo todo errado. Essa minha falta de jeito com o amor. Não quero mais percorrer atalhos. Quero o caminho certo. Estou cansada de tudo que me detém os pés em busca de paz. E eu quero, eu só quero, que me leve de volta pra casa.
Diante das esperas da vida deve haver algo que me faça livre. Entre os dedos que batem apressados sobre a mesa esperando a porta se abrir. Os dedos no telefone esperando ele tocar. Os dedos a boca em busca de refúgio consolador da angústia devastadora que consome. Dedos que viram páginas de livros apressados tentando espantar o tédio. Dedos que apertam o controle da TV em níveis frenéticos. Os dedos perdidos em escritas enfurecidas. Dedos que se ocupam, de todas as formas possíveis. Estar a espera é estar presa. Presa entre dedos, presa em laços invisíveis monocromáticos. E eu espero o dia em que a espera me faça livre. Deve haver um acordo, onde o (des)compasso dos dedos esteja condizente com o compasso quase-certo do coração.
Eu sei guardar minhas intempéries. Minhas crises de identidade e as vezes meu mau-humor. Não posso dissertar sobre minhas quedas, meus motivos de sair correndo ( as vezes) e minhas demasiadas inseguranças. Talvez eu até conte sobre um dia triste, mas bem pouco pra você poder me oferecer o ombro amigo, o seu tempo quem sabe. Te ofereço minha sinceridade e minha paciência e vale lembrar que não é só isso o que se sabe de mim, mas posso lhe garantir uma coisa, não é uma oferta muito comum. Então, vem comigo?
Faço as compras. Pinto as unhas. Visto a melhor roupa. Me "encho" de livros e fico culta. Vou a Igreja. Faço inglês, francês. Viro poliglota. Me olho no espelho e não tenho coragem de sair de casa ao seu encontro. Travo. Quem sou eu? Quem me fiz pra você? Me questionei antes? Não sou da engenharia mecatrônica. Não preciso me desfazer e me refazer pra você. Hoje não vou com você a lugar nenhum, desculpa. Só saio de casa no dia em que eu mais você, formos dois. Essa coisa de UM não existe. Paciência meu bem, eu anda vou ser sua, mas antes preciso que você me aceite sua!
Hoje tive uma experiência epifânica. Acordei num ímpeto, peguei a caneta e escrevi:" Estou farda de estar cheia dos outros e vazia de mim". Assim, num relâmpago, num" insigth", uma EUREKA da mente, do inconsciente, ou de qualquer coisa mística e sobrenatural. Estranho, porque foi como se algo se desprendesse dentro de mim e quando dei vida de fato ao pensamento escrevendo ele no papel, me senti livre. Sempre fui fiel as minhas pulsões. Ou pelo menos, sempre tentei ao máximo ser. Dessa experiência altruísta, cósmica, espiritual, sentimental, ou qualquer coisa do gênero, decidi: Nunca mais estarei vazia de mim, nem por um segundo sequer! Em tempo: Nunca é tarde pra começar e/ou recomeçar.
O que me deixa indignada não são os olhos inchados, nem a ausência, nem a indiferença, nem o torpor em não sentir mais nada. O que me indigna são os dias azuis, as alegrias cultivadas e os sorrisos frequentes que de repente desapareceram. Não me peça pra entender. Não me peça pra racionalizar minhas emoções, porque eu não consigo! As vezes as coisas simplesmente "são" e não podemos nos questionar... Algumas coisas boas ,por alguma razão se vão. Talvez seja um prelúdio de que algo melhor irá acontecer. Esperança não é só uma palavra bonita. Ela existe pra quem verdadeiramente acredita nela. E eu acredito.
Estou fora do ar. É, tem dias que tudo que você quer, é estar ausente. Se possível ausente de si mesmo, o que convenhamos, não é tão difícil. Dias difíceis, dias massivos e compulsivos. Ouço música sem parar. Dirijo apressada pelas ruas da cidade. E as vezes me perco em becos escuros de propósito, tentando me afastar do barulho excessivo das loucuras mundanas. Mas veja só: Estou sozinha com o barulho mais sórdido que alguém poderia ouvir: Meus pensamentos. Eles me fazem ficar tonta.E em fuga ( de novo ) volto ainda mais vazia pra casa. Tem dias que me recolho no quarto e fico inerte olhando o teto. Procurando respostas. Procurando aquele velho clichê que eu odeio, mas me vejo dizendo: “Luz no fim do túnel”. Só que o meu túnel é pintado de preto fosco e claro, sem saída. Ando realista demais. Não adianta. Até minhas próprias fugas estão me entediando. Não há mais lugar pra fugir. Não posso me levar de volta. Não há luz. Não há saída. Sinto que vou enlouquecer. O despertador toca. A realidade se apresenta sorrateira a mim. É, aqui vou eu em mais um dia.
Assumo o meu coração vazio. Sim, eu assumo. Não há pensamentos dirigidos a ninguém. Não há "frios na barriga". Não há noites sem sono. Não há ligações frenéticas. Não há promessas. Não há expectativas. Não há amor! Mas não pense que isso é triste, porque não é! Eu estou bem em assumir meu coração vazio. Existem fases. Essa é uma delas. E como todas as fases, não duram pra sempre! O coração pode estar vazio, mas a fé é imensa. O coração pode estar vazio, mas a esperança ainda existe. O vazio pode ser enfim, preenchido. Essa é a próxima fase. Falaremos sobre essa fase do coração "cheio" depois quando de fato ela existir, mas agora eu vou bem obrigada com meu coração legitimamente assumido, vazio.
-"Hey confia em mim" ele disse. Como se fosse fácil. Como se fosse fácil esquecer toda aquela dor que outros causaram. Como se fosse fácil esquecer todos os "pra sempre" que os outros falaram. Como esquecer de todos os "eu te amo" que os outros disseram? Como esquecer todas as "você é a mulher da minha vida" que todos eles insistiam em repetir sempre? Como esquecer? Como não achar que será igual? Como? Eu sei que ele me causa paz. Mas ainda é tão difícil, as marcas ainda são tão evidentes. "Deixa eu cuidar de você", insiste. As lágrimas invadem o rosto de repente. Porque é tão difícil acreditar? "Confia em mim, repete". Simplesmente fecho os olhos e deixo-me levar por esse sentimento que está timidamente crescendo em mim." Me promete uma coisa?" Digo. "Não me abandone quando conhecer o meu outro lado, fique comigo.E eu prometo te dar o que nenhum homem teve de mim- porque sempre foram embora antes de ver - minha alma. Todos eles tocaram meu coração, mão não a minha alma. Apenas te peço que: Fique comigo".
Eu não tenho tempo pra meias verdades. Pra pessoas covas rasas. Pra assuntos “senso comum”. Sem tempo algum pra mentiras. Eu realmente não tenho tempo pra culpas. Pra atrasos. Pra raivas desmedidas. Pra enganos. Pra contorcionismo da mente em busca do prazer efêmero que substituem a dor latente. Não tenho tempo pra apatia. Pra sorrisos forçados. Pra agrados. Pra “améns”, sem o meu consentimento sincero. Eu não tenho tempo pra amar quem não me ama, nem me satisfazer com pouco. Eu sinceramente não tempo pra nada que não me faça sentir verdadeiramente. Nada que negue minha integridade e minha identidade, de ser sempre eu.
Eu não sou muito simpática. Reservo o meu sorriso pra quem me faz bem. Mas isso não diz muito sobre meu caráter. Eu me conservo. Sou pra poucos. Isso não me faz uma pessoa ruim. É que eu me fiz seletiva diante do filtro seletivo que a vida fez comigo. Como disse, sou pra poucos. Não sou do tipo que você olha e percebe na hora. Sou de lua. Intempestiva. Mas isso não diz quem eu sou de verdade. Sou o que fizeram de mim. Sou o que eu fiz de mim. Nem pra mais, nem para menos. Me entender é um processo, lento e gradativo. Só alguns poucos conseguem.
Quando eu notei era amor. Daqueles leves, calmos, sem esperas dramáticas e pensamentos efusivos e destoantes envolto a pessoa. Quando me dei conta vi que era amor, pela paz, pela calmaria que a presença dele me remetia. Era amor, quando percebi que suas palavras invadiam a alma e ali ficavam fazendo brincadeiras com minhas mágoas e meus medos mais íntimos. Era amor, quando os olhos buscavam além do desejo uma alegria em meus sorrisos e isso bastava. Quando eu notei era amor porque até então tudo o que sabia do amor, eram teorias e mais teorias que nunca davam certo na prática errante dos meus relacionamentos intempestivos. Era amor e não poderia ser outra coisa. E mesmo sem compreender os seus inúmeros benefícios tão precocemente presentes nos últimos dias, percebi: É amor que eu quero pra vida inteira!
Estou naquela fase azul, mas não me julgue porque até Picasso teve uma fase azul.Vinte e poucos anos blues. Pertenço aquele clã de mulheres em pleno desassossego. Quero o máximo das coisas. Quero a palavra certa no momento certo. Nada de dúvidas. Nada a ver com trivialidades. Poupe-me do convencional e do politicamente correto por favor! Quero o avesso. Quero alguém que me faça parar. E ainda assim fazer tudo rodar. Quero o caos e a cura. Poupe-me de tudo que me deixe no chão. Não quero paz, quero revolução. Porque só revoluções fazem histórias.
Ele detém meus passos errantes. Meus olhares fugidios. Meu semblante por vezes cansado. Ele detém minha alegria intensa e minha tristeza mais profunda. Ele detém minha espera. Meus ombros caídos, minhas pernas fraquejantes. Ele detém o suspiro mudo. A voz que por vezes não fala. Ele detém o verso de todos os versos que um dia fiz. Ele não é meu príncipe encantado. Mas detém de mim tudo o que um dia quis. E eu sem ele, nem me lembro mais quem um dia fui.