O desafio não é mais escrever isso ou aquilo.
O desafio é viver o que se escreve
ou aquilo que quer ser escrito.
Há um desejo que pede,
anseia,
esperneia,
exigindo registro.
É desafio da vida
que busca a fenda,
a réstia,
a luz,
a brecha de mim escondida.
O braço se estica, mas não alcança a chave
que está lá... lá... bem lá...
presa no cinto do carcereiro.
E, a cada noite, o dia vira morte não escrita.
Aí dentro, aqui dentro,
você se cansa da espera.
Eu sei que se cansa.
Vejo seu cansaço fechando o portão,
a porta, a janela.
Mas não quero ver a chama que me chama
ceder à gota d’água,
aquela que trará nuvens de cinzas.
[...]
Felicidade.
Para almas pueris, estado invisível e, portanto, inexistente.
Para almas rasas, estado abismal e, portanto, inacessível.
Mas existem almas (in)felizes,
porém (in)felizes,
por serem masoquistas. [...]
Você que não me vê,
que não me entende,
que não me lê,
aproveita e também me erra.
Meus escudos estão cansados,
surrados,
ultrapassados...
inativos.
A carne, o sangue e a alma enrijeceram.
A vontade já não me cabe.
As emoções desfaleceram.
Ainda assim,
desvia de mim seus projéteis,
pois há algo aqui escondido,
ainda vivo,
mesmo que inerte.
Meu superpoder é ver o que sou ou ser o que vejo?
Se vir o que sou, serei o que vejo à vista do que sou.
Se for o que vejo, verei o que sou, sendo o que vejo.
Assim, enxergarei o que sou, mas serei o que quero.