E você chegou
E você chegou...
O Sol nasceu
As nuvens se dissiparam
As lágrimas de meus olhos secaram.
As incertezas para trás ficaram.
E você chegou...
Em meus olhos olhou
Minha boca beijou
Meu corpo abraçou
Sem fôlego me deixou
Me amou, e me amou, e me amou...
Seu corpo e o meu num só corpo você tornou.
E você chegou...
... o tempo de espera, então, acabou.
Vênus
À procura de ti,
Vênus, planeta errante
distante...
Vício de ti,
Vênus, estrela Dalva...
Estrela d’alva
Seu brilho intenso...
objeto mais brilhante desse imenso céu
que me cobre com seu véu.
Joia do céu...
Planeta irmão da Terra
brilhas tu por eras e eras...
Ele chegou...
Um dia ele chegou
Devagarinho foi tomando todo o espaço com seu carinho.
Foi colocando tudo no lugar... perfeito.
Dominou-me com suas fortes torrentes emocionais... e me ensinou como amar.
E se foi... como se nunca tivesse chegado.
...
A Lua no céu eternamente iluminada.
A noite estrelada.
As ondas num ir e vir que não se acaba.
Era só pra eu não pensar em nada...
Admirar, e admirar, e admirar...
As ondas, no seu vaivém.
As estrelas, eternamente a piscar.
A Lua, tudo a luar...
Meu pensamento voa longe.
Eleva-me pra outro lugar.
Eu finjo que ainda me ama...
o homem que nunca soube o que é amar.
Quando o tempo é nada
Há instantes sem exatidão.
Há momentos em que o tempo é nada.
Há momentos em que o presente é uma profunda ausência.
Há instantes sem nenhuma essência.
No invisível da luz...
Uma luz morta ilumina o presente.
Tudo é tão completa e fielmente ausente.
Segura minha mão...
Aponta-me uma direção...
Não importa o sentido...
Nem o não sentido.
No complexo das entrelinhas
Sigo... ao seu lado...
Tão sozinha.
Vênus – deusa do amor e da beleza
O ideal da beleza feminina
em Vênus... os romanos representaram.
Afrodite... para os gregos,
eis a beleza de toda menina.
Vênus, jovem, bonita e nua...
Corpo escultural...
cujas medidas mulher nenhuma tem igual.
Filha de Júpiter - deus do céu - e
Dione - deusa das ninfas - ou...
nascida das espumas do mar... tanto faz!
Com Marte - deus da guerra -
gerou Cupido - conhecido como o Amor... ou deus sedutor.
(Des)amor
Erros do passado
Amores que deram errado
Um vento sereno recita meu nome
Amor eterno era pra ser meu sobrenome.
Desilusão
Dói meu coração.
Uma gélida atmosfera ao meu redor
Sobre o desamor sei recitar de cor.
Aquieta-se a dor.
Silencio-me.
Um silêncio glacial de espera eterna
Sou pura resiliência ao desamor.
Amor veraneio
Ah! Esse amor veraneio
de cara não disse a que veio...
Esse amor passageiro...
Amor que pra ficar não veio. .. amor ligeiro.
De esse tipo de amor estou cheio.
Amor solúvel.
Amor volúvel.
Amor veraneio.
Como o sol forte ofusca minha visão.
Descompassa, esse amor, meu coração.
Parte no instante seguinte...
Um amor usado completamente em vão.
A me lapidar
A vida tem andado a me lapidar.
Tem ela se preocupado em meu formato mudar.
Sinto que viver é um eterno abandonar.
Um passado descolorido,
numa luz anêmica,
pra trás tão no pretérito deixado.
Contemplo-me no espelho.
Olhar magoado.
Vejo marcas e machucados.
Cicatrizes feias e profundas.
Enquanto todos dormiam
a vida de mim fazia o que queria.
Nunca houve certeza de amores correspondidos.
Nunca houve certeza de anseios respondidos.
Minhas ambições... tantas... as ondas do mar pra bem longe levaram.
Meus sonhos... de sonhos nunca passaram.
Mas uma coisa aprendi: quando a vida me chama digo – Estou aqui!
Sempre... silentemente não.
(A)mar
Lá no alto o luar tudo a clarear.
O brilho brilhante das estrelas a ofuscar.
E cá embaixo estou eu a te esperar.
Enquanto não vens o vem e vai das ondas do mar estou a acompanhar.
Vem... e a areia da praia a água salgada a encharcar...
Vai... a onda de volta pro mar o abraçar.
Assim tu longes de mim...
Quem vou eu amar?
Amor de praia...
Falta de ar...
Eu eternamente a te esperar...
Sentimento a me atormentar.
(A)mar... mar... quem vou amar?
Estarei aqui
Siga, meu amor, siga teu destino.
Vai, meu amor, vai em busca dos teus sonhos...
Estarei aqui à tua espera
Se não acontecer nada do que esperas.
Meu amor, não permita que o primeiro obstáculo te impeça de teus planos seguir.
Nem que outros te digam que não vais conseguir.
Estarei aqui sempre torcendo por ti.
Estarei aqui.
Se um dia perceberes que teu destino sou eu... estarei aqui.
Pronta, como sempre, pra ti.
(Des)iludida
Um abismo interno.
Um vazio cada vez maior.
Sonhos que não se concretizam.
O amor que de ilusão não deixa de ser.
Pra que correr...
nas calçadas da fama da vida
em busca de guarida?
Nada nos pode dar acolhida.
Nenhum amparo, nem abrigo.
O vento frio... um açoite.
Nesta gélida noite.
Um vácuo interminável.
Meus gestos não encontram eco.
Viver se tornou abominável.
Trilha fechada
Sou trilha no meio da mata fechada.
No labirinto vivo de árvores busco reviver...
No desespero da solidão me disperso
Na seiva que corre nos velhos troncos
Há um tipo de vida que não consigo mais em mim reconhecer.
Medo.
Crepúsculo envolto em segredos.
Ninguém me avisou que depois do fundo do poço havia um abismo.
Tento no silêncio da mata me refugiar.
Barulhos estranhos... distantes.
Tragédia total do meu ser. Cataclismo.
Sombra
A sombra que me acompanha.
Às vezes à minha frente está...
Antes do que eu, quer a qualquer lugar chegar.
A sombra que me acompanha
Às vezes atrás de mim está
Chega sempre depois de mim onde estou a chegar.
Se eu corro
Minha sombra corre também.
Se devagar estou a caminhar...
Minha sombra em passos lentos a me acompanhar.
Às vezes ela se apaga... sem nem mesmo querer... sem nem mesmo me dizer.
Noutras... nem o vento mais forte consegue fazê-la desaparecer.
Sombra sombria.
Sombra na alegria.
Sombra nos momentos de dor...
E, como não poderia deixar de ser...
também sombra nos momentos de amor.
Em frente... enfrente
Sucedem-se dias de promessa.
Sonhos renovam-se
Esperanças de criança...
Envoltas em brisas mansas.
Segue em frente
Não desista.
Persiste em rocha.
Motive-se em luta.
Acenda mais uma vez a tocha.
Não perambule como morto
Na estrada da desesperança.
Coragem e fé.
Otimismo sempre...
Em frente... em frente.
Penso em ti
Penso em ti.
Não entendo por que te perdi.
Quero te reencontrar
O fruto de nosso amor te mostrar.
Quero te contar de cada instante que vivi.
Quero te mostrar o mundo que vivo.
Um mundo novo... completamente transformado pela tua passagem por aqui.
Quero que conheças o Ser do nosso tanto nos querer... do nosso tanto nos amar...
Estações
No tiquetaquear deste frio inverno
dormitam as sementes de uma canção.
Bate tranquilamente meu coração.
Está ele acostumado ao passar das estações.
Logo tudo mudará
A terra deste frio indomável se esquecerá.
De flores a terra se encherá
Melodiosa e perfumada a minha vida de novo será.
Primavera com suas folhas verdes...
Todas quase no mesmo tom...
Ânsias tardias se descongelam
Auroras perfumadas...
... aquecem-se os corações.
Quanto nos amamos
Fim de tarde.
O sol declina no horizonte.
O ar de perfume de maresia saturado.
Tu... do meu lado.
O sol repousa seus últimos raios
sobre o mar de areia...
as ondas quebram na praia.
Nossas mãos entrelaçadas.
Teus olhos semicerrados.
Somos dois eternos apaixonados.
Relembramos quantos verões juntos passamos.
O sol numa fenda do horizonte enfim se escondeu...
Parece que faz séculos que tu és meu.
Inércia
Solitários...
No porta-retratos.
Sorrisos perenes
eternizando a alegria de um momento
cheios de sonhos.
Na sala corre um risco de vida.
Tão sofrida.
Há tempos não vê alegria
Só... ele só queria reviver o passado...
Poderia ser por um único dia.
Quem seu passado roubou?
Na vida presente amor ausente.
Quem assim determinou?
Não era o prometido...
Foi enganado... iludido.
Gente em turbilhão
As luzes adormecem.
Finda a noite…
Mas as sombras permanecem.
Comecei a ter medo nesse dia.
Uma noite que jamais se fazia dia.
Por que o sol não mais aquecia?
Ninguém me falou que a dor não diminuiria.
Trevas, solidão.
Gente em turbilhão.
Só… meu coração.
Longínquo tempo
Longínquo tempo.
A neve cobria a estrada.
Meus passos ficavam marcados.
Eu andava apressado.
Corria e ria…
Não sentia o frio que cortava meu rosto e mãos descobertos…
Não importava se era o frio da neve ou o calor do deserto.
Tinha você por perto.
Hoje estou só.
Não chove, nem venta.
Não neva também.
As ondas espreguiçam-se languidamente pela areia…
Uma vela lá longe tremuleia…
Ando.
Vagarosamente.
Não deixo marcas na areia.
A água do mar se encarrega de tudo apagar.
Não quero mais marcas.
Comecei a ter medo.
Já não sorrio… não rio mais.
Minha alegria ficou perdida há tanto tempo…
Minha alegria está tão lá atrás.
Há um tempo iniciei a saga de esconder…
E assim, confesso, tenho conseguido sobreviver.
Choveu o dia todo
Choveu o dia todo.
Agora chove ainda.
Espessas nuvens cobrem o céu.
O vento se transformou em tempestade.
A chuva bate forte na minha janela.
Meu corpo treme.
É frio?
É medo?
É tristeza?
É saudades?
Tudo isso é dor…
É falta do teu amor.
Versos
Versos musicados sem partitura.
Poetizo-me.
Há uma dor em nós e ninguém fala dela.
Olhamos pela janela.
Miramos o horizonte.
Nos esforçamos para ir adiante.
Um desfiladeiro nos acompanha.
Cuidadosamente damos nossas passadas.
Não paramos por nada.
Ninguém nos falou que da vida se apanha.
Ninguém falou que o tempo arranha.
… e deixa marcas.
Se o sol não brilhar
Dias assim...
Há dias que são noite o dia inteiro.
O Sol não aparece,
o calor não aquece,
nenhuma palavra conforta...
só uma dor que o coração corta.
Há dias assim...
A chuva não para,
o frio não vai embora,
a felicidade não existe,
o mundo todo é tão triste...
Você, então, quase desiste.
Há dias bem assim...
Mas, mesmo esses dias chegam ao fim...
Da saída você encontra a porta...
O dia passou...
pra trás o passado ficou,
e isso é que no fim importa.
O abraço que tanto quero
Falta que faz o abraço
Acho que sei o que quer saber.
Sei também de tantas coisas que ainda irão acontecer...
E não tenho nenhuma ideia do que o futuro irá trazer.
Ouço lá fora pedidos de socorro.
Aperto meus ouvidos...
Quero ser zero sentidos.
Quero não me dar conta
Que o mundo sofre demais da conta.
Quero não ver a tristeza dos teus olhos.
Quero não conhecer os abismos.
Quero fugir dos sismos.
Quero a segurança da estrada florida...
Das árvores ladeando...
Do perfume da vida.
Chega de manhãs desalinhadas...
De dias que parecem que não vão dar em nada.
Chega de chuva demais.
Chega de falta de chuva que seca os cafezais.
Quero tomar meu café.
Quero de novo o teu cafuné...
Teu abraço... sem medo... cheio de fé.
Quando ao normal vamos voltar?
Quando de novo o abraço vai ser a coisa mais fácil de se encontrar?