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Frases de Ricardo Maria Louro

1.100 frases

O que mais me dói ao saber que vou morrer é pensar que o amanhã já não é meu e que o mundo há-de continuar a correr
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O que mais me dói ao saber que vou morrer é pensar que o amanhã já não é meu e que o mundo há-de continuar a correr como se eu 'inda fosse eu! O que mais me dói ao saber que vou morrer é pensar que a madrugada nunca mais há-de chegar, só porque não a irei ver, nesse mundo onde só existem vendavais! O que mais me dói ao saber que vou morrer é ter que me esquecer do cheiro a terra molhada, não ouvir os regatos pelos campos a correr ou a chuva que bate levemente na vidraça! Nunca mais hei-de falar dos meu Poetas! Nunca mais hei-de sentir ou hei-de ler os seus Poemas, suas palavras de profetas. Só por isso e nada mais terei pena de morrer! Afinal o que me pode mais doer do que não ouvir o som da poesia?! Não a ver!!! Não sentir no corpo o toque da sua mão!!! O que me pode mais doer ao saber que vou morrer!

O mar das minhas mágoas Já não chama p'lo meu nome Mas nos meus olhos profundos
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O mar das minhas mágoas Já não chama p'lo meu nome Mas nos meus olhos profundos Passa um vento que consome Todas as mágoas do mundo. Porque eu amo a poesia! Amo a rosa que nasceu Entre a noite e a madrugada Que em seguida floresceu Mas ficou abandonada ... E hei-de amar o amanhã No cantar dos seus regatos Hei-de amar a multidão Levar o Fado nos meus braços Com amor no coração. Os meus olhos não se esquecem Dos sorrisos que fizeram Ao chorarem docemente O destino que me deram Tantas vezes tristemente. Amo a dor que já não dói E os silêncios que ela faz Amo a luz do meu olhar A magia que ela traz Ao ver os dias a passar.

- SOL TRISTE - Nos braços do sofrimento tudo é nulo, tudo é vão,
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- SOL TRISTE - Nos braços do sofrimento tudo é nulo, tudo é vão, e é em vão o pensamento que dá voz à solidão ... Sol triste dos dias meus, dá luz aos meus cansaços, traz-me novamente Deus p'ra que eu durma nos seus braços. Mas se vier a Primavera e eu já tiver morrido, (ai Senhor, ai quem me dera) nestes versos estarei vivo! Já que a dor está no sangue esconde ao menos quem a fez p'ra que a Alma sempre cante mal lhe doa outra vez ...

- CASA DO COMENDADOR - Naquela casa esquecida Há janelas de saudade
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- CASA DO COMENDADOR - Naquela casa esquecida Há janelas de saudade Um brasão desenhado E uma história perdida D'um morto consagrado. Pássaros sem asa Olhares sem vida Gente que sofreu E quem por lá passa Diz: "A casa morreu!" O tempo falou Nas paredes caladas Mas a Alma da casa Em nada mudou! Alguém a abraça ... Retornou o passado, A casa renasceu! E numa hora estranha Viu-se a Tez do Fidalgo Dom Infante Paçanha. Poema ao Solar brasonado de Dom Infante Paçanha no centro histórico de Ferreira do Alentejo.

E O MUNDO CONTRAPÕE I Da natureza deste mundo de vaidade
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E O MUNDO CONTRAPÕE I Da natureza deste mundo de vaidade nada resta além do que é triste e banal, ser Cristão é assumir uma Verdade, ser Bem-Aventurado, não ser igual! Felizes dos que são pobres em Espirito! E o mundo contrapõe: Felizes os poderosos, aqueles que dominam, os que dando um grito dizem, coitados desses tolos generosos ... Felizes são os mansos de coração! E o mundo contrapõe: Felizes são aqueles que estando em solidão geram violência e solidão... Felizes daqueles que choram p’lo caminho! E o mundo contrapõe: Felizes daqueles que tendo tudo sentem que mandam no destino ... II Felizes dos que querem a Vontade de Deus! E o mundo contrapõe: Feliz és tu se fores livre de um Deus ultrapassado que diz que vais p’ro Céu se sofreres em silêncio e o seguires ... Felizes dos que tratam os outros com Misericórdia! E o mundo contrapõe: Não se impressionem com a miséria nem a fome, elas são próprias da natureza humana, não se emocionem ... Felizes são os sinceros de coração! E o mundo contrapõe: Felizes dos que mentem porque a mentira alimenta a elevação ... Felizes os que constroem a paz entre todos! E o mundo contrapõe: Felizes dos que não sentem medo de viver em guerra dominando os outros ... III Felizes os que são perseguidos em nome de Deus! E o mundo contrapõe: Felizes os que sobem na vida sem pensar nem olhar a quem sofreu gerando em seu torno dor e dúvida... Eis a diferença entre dois reinos tão duais! O Reino de Deus não é o reino dos Homens! O Céu e a Terra são realidades desiguais onde alimentos tão diferentes se consomem ... E continua a ecoar no mais dentro de nós: “Sede hospitaleiros com os outros!” Façam-no sem murmurar! Guardai a voz ... Acolhei os Peregrinos, dai as mãos, vede, todos os cuidados serão poucos porque Cristo está no olhar de cada Irmão! Inspirado no discurso do Sr Reitor Manuel Maria Madureira da Silva, Cónego da Sé de Évora e Prior de Santo Antão em noite de Novena à Senhora da Conceição na Catedral de Évora. Évora 5 de Dezembro de 2017

PARA CELESTE RODRIGUES: - Que pena que tu Partiste - Partiste! Que pena que tu Partiste!
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PARA CELESTE RODRIGUES: - Que pena que tu Partiste - Partiste! Que pena que tu Partiste! A vontade de te ver não queiras imaginar. Partiste! E afinal o que é que deixaste?! A minha vida sem ti, sozinha, ao pé do mar. Partiste! Que pena que tu Partiste! E levaste contigo a alegria do teu olhar. Partiste! E afinal porque é que Partiste?! E me deixaste neste cais, tristemente, a chorar?! Partiste, que verdade tão cruel, Que silêncio tão fatal, que lamento tão profundo, Partiste e só me resta este fel Que não me mata nem leva da tristeza do mundo. Partiste! Que pena que tu Partiste! O que vivemos já não volta, p'ra nós tudo acabou. Partiste, só já me resta não viver Chorando os nossos sonhos e a tua vida que passou! Em memória da minha grande referência na poesia para o Fado, à minha querida e doce Celeste Rodrigues - a essa "Pedra de Lisboa".

- Teus olhos na Noite - Meu amor de madrugada na solidão dos cansaços
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- Teus olhos na Noite - Meu amor de madrugada na solidão dos cansaços só vejo dor e mais nada sem o calor dos teus braços. Mas de ti não me aparto! E da cama, por instantes, p'la janela do quarto vejo duas estrelas brilhantes. São teus olhos na noite duas velas num altar e fosse lá p'lo que fosse vi-as tão juntas ao luar. E pedi-lhes dois desejos ao vê-las do Céu cair senti depois os teus beijos vi-te de novo a partir.

- QUEM DERA PODER NASCER DE NOVO - Quem dera poder nascer de novo! Ser diferente do que sou -mais feliz!-
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- QUEM DERA PODER NASCER DE NOVO - Quem dera poder nascer de novo! Ser diferente do que sou -mais feliz!- Voltar alegre ao colo de meu Avô E não lembrar a vida que já vivi ... Quem dera poder nascer de novo! Rasgar os tristes horizontes que guardei, Deixar partir o passaro perdido, o corvo adormecido, que ao meu destino acorrentei. Quem dera poder nascer de novo! Esquecer de quem um dia me fez mal Sentir dentro de mim que os absolvo E acreditar que nada mais será igual... Mas tal coisa não irá acontecer! Sou assim: vivo à margem deste povo, Só esperando pela hora de morrer, P'ra quem sabe, poder nascer de novo ...

- Desabafo - Há coisas que não doem porque já doeram, medos que chegam sem chegar, e quando chegam,
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- Desabafo - Há coisas que não doem porque já doeram, medos que chegam sem chegar, e quando chegam, não passam de temores, agruras, enfados, abanões ... Há gente que vai e vem num continuo movimento de cumprimento e despedida, e é nesse tempo do meio, entre chegarem e partirem, que estamos nós, parados, incólumes, em silêncio, a apreciar uma viagem circular. Porque quem se vai, um dia torna, mas quando volta, já nem sempre os esperamos ... e adeus, sigam o destino ... E há milhares de sentimentos que já sentimos: desilusões, tristezas, altos e baixos, momentos de solidão ... Os sentimentos são como as pessoas, vão e veem, chegam e partem, mas quando voltam, já não os recebemos do mesmo modo. Tudo porque já um dia os acolhemos e já um dia nos abandonaram. Hoje tenho medo! E não é fraco quem diz ser! É forte! Coragem não significa ausência de medo. Porque todo o corajoso tem medo, por isso é corajoso ... Hoje visto-me de medo! Como com o medo! Bebo com o medo! E durmo com o medo, vivo com o medo ... Um medo diferente, bem o sei, mas medo! Minha casa, minha cama, meu fado, meu jardim d'angustias e solidão! Dou-te a minha mão, olho-te nos olhos e desabafo: AMO-TE! Ricardo Maria Louro Café a Brasileira Chiado/Lisboa

- AO VER-TE DAQUI - É tão estranho hoje ver-te, ao ver-te daqui, O amor quando chega a gente não espera,
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- AO VER-TE DAQUI - É tão estranho hoje ver-te, ao ver-te daqui, O amor quando chega a gente não espera, A vontade de amar que um dia perdi Talvez volte por ti, ai quem me dera! Nem mar ou silêncio ou vendavais que vivi Nada é mais triste que o amor que matei Mas tenho medo de sofrer o que já sofri Passar por aquilo que um dia passei. Não quero voltar a chorar por ninguém Nem mesmo que a vida um dia mo pessa O amor que te tenho não veste o desdém Haja o que houver, aconteça o que aconteça. Já nada me espanta, já nada me espera Já não quero sentir o que um dia senti Acabou o Inverno, já é Primavera E assim nasceu este amor que sinto por ti!

Paira sobre mim - Paira sobre mim a tua voz de silêncio
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Paira sobre mim - Paira sobre mim a tua voz de silêncio naquela casa d'onde vim caiada de Sol e Madrugada ! Visto a dor em meu corpo ... Algo há de oculto, meu barco, meu porto, minha noite sem esperança! Nada vejo ... nada escuto ... Há vazio e nada em meu redor, o eco do silêncio que deixaste na voz muda das Estrelas. Aquela casa abandonada grita por dentro, sem fim, e a tua voz, cansada, chama de longe, por mim. Como tudo entre nós está mudado ... Tenho frio ... estou gelado!

Vontade de Chorar - Nunca pensei como seria chegar aqui. Que momento infame,
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Vontade de Chorar - Nunca pensei como seria chegar aqui. Que momento infame, que hora vil e cruel ... Ter que te dizer adeus! Que Astros há no firmamento do teu dia?! Para onde está direccionada a Cabeça do Dragão?! Quem de longe te chama?! Já nem ouves quem te cerca!!! Que voz é essa?! Tão forte, tão intensa, tão profunda?! Quem são esses que se aproximam do teu leito e te envolvem em lençois de Luar?! Só tenho vontadede te ver ... Só tenho vontade de chorar ... R.I.P. Maria Flávia de Monsaraz

A saudade é indiscreta - A saudade é indiscreta Porque chega sem convite
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A saudade é indiscreta - A saudade é indiscreta Porque chega sem convite E age sempre como seta Que atravessa sem limite. Ela invade o coração E se espalha pelo corpo Traz tristeza, desilusão, Ansiedade e desconforto. E dos olhos caem sombras Caem dores, caem lutas Mas mais tarde voam pombas Pelo Céu das nossas culpas. Chega o tempo, passa a vida Vai passando a nossa idade Só não passa a despedida De quem deixou essa saudade.

Movimento - Dos Astros o movimento é a força do meu andar
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Movimento - Dos Astros o movimento é a força do meu andar um andar sem pensamento na alegria de só estar. Estar todo, por inteiro, no instante, no momento dar à vida voz, primeiro, só depois ao sentimento. Na verdade é ser destino dando vida a cada ser e ir errando p'lo caminho até faz parte de aprender. Talvez tenha muito errado não me arrependo do que fiz o passado é só passado o que importa é ser feliz.

- À Senhora dos Astros - Senhora, ao entregar em vossas mãos de neve, meu destino, meu pobre Coração,
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- À Senhora dos Astros - Senhora, ao entregar em vossas mãos de neve, meu destino, meu pobre Coração, sinto entregar-vos, hoje, aqui, frente ao Tejo, o que resta de minha amarga, dolorosa solidão. E se assim é, Senhora, quando ouvirdes declamados estes versos, ornada desse olhar fecundo de ideais, imensos ideais, tão intensos, tão profundos, sabei que vossos olhos me salvaram desses "AIS"! Quero dizer, Senhora-dos-Astros, quero deixar, Senhora-dos-Ciclos, uma imensa, tão profunda gratidão ... Sou hoje um Novo-Ser, sinto em mim outro pulsar, tenho um Novo-Coração! - Poema para Maria Flávia de Monsaraz -

- O que é isto Senhor?! - Há um misto de silêncio e de saudade que dança no peito de todos nós,
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- O que é isto Senhor?! - Há um misto de silêncio e de saudade que dança no peito de todos nós, tão profundo, sem tempo nem idade, que muitas vezes nos põe connosco a sós! Tão quente como o Sol de cada amanhecer tão frio como a água que cai do Céu tão escuro como o negro de cada anoitecer tão forte como Aquele que um dia padeceu! O que é isto Senhor que sentimos a horas mortas que nos corroi e esventra o coração?! ... Tanta gente que passa p'las nossas portas e nós, tão sós, à mesa com a solidão! O que é isto Senhor que não nos deixa descansar e nos arremata a Alma como num leilão?! Será , talvez, condição ao incarnar ter que aprender a pacificar o coração ...

- Um Amor que já foi quente - É tão triste sentir frio aquele amor que já foi quente
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- Um Amor que já foi quente - É tão triste sentir frio aquele amor que já foi quente como pedra junto ao rio que não lhe fala nem o sente. É vê-lo tão distante embrenhado em fantasia numa angústia que é constante seja noite ou seja dia. E há vazio, há impotência, não saber o que falar pois perdeu-se da essência da pessoa a quem amar. Nunca prendas quem quer voar dizia sempre a minha avó porque o amor não faz chorar não dá pena nem faz dó. Pois que siga à vontade quem te quis e já não quer ninguém morre de saudade Venha sempre o que vier!

- OLHOS DE PEDRA - Trouxe comigo, ao nascer, Olhos de pedra, não me via,
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- OLHOS DE PEDRA - Trouxe comigo, ao nascer, Olhos de pedra, não me via, E o meu corpo de saudade Já nem tinha claridade P'ra decidir o que fazer! Acreditei que ia passar Mas a pedra aumentou E o peso dos meus passos O frio dos meus abraços Parecia não parar! Vi sorrir quando chorava Em momentos de solidão E o meu corpo só tremia Por sentir a nostalgia De não verem que eu amava! Olhos de pedra, fechados, Sem coragem de os abrir E das coisas por dizer Tantas feridas, triste ser, Nos meus olhos embaciados! Morreram sonhos um a um Nas veias grita o sangue Tantos passos pelo chão Tantas dores, solidão, Pois d' amor estou em jejum! Não podendo ser mais nada Inventei sonhos suspensos E das tardes de Setembro O que fiz já não me lembro Só vivi de madrugada! E pensava, só pensava E sofria, só sofria E quando a vida em vão passava Olhos de pedra, mal a via, Pobre criança rejeitada!