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Frases de Ricardo Maria Louro

1.100 frases

⁠Não houve amanhã - - Avó. Sim ...
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⁠Não houve amanhã - - Avó. Sim ... - O Amor acaba quando as pessoas morrem?! Claro que não! - Mas o coração deixa de bater e deixa de sentir ... Meu querido quando um relógio pára o tempo deixa de passar? - Não. Com o coração é a mesma coisa. Pode parar e deixar de bater mas o amor que trazia nunca vai passar porque o deixou ficar por onde passou. - Que bom avó ... assim a avó ficará para sempre comigo e eu consigo! Para sempre meu amado neto ... para sempre. -Até amanhã avó. Até amanhã meu neto. ... mas não houve amanhã e o texto cumpriu-se.

⁠O Tempo Dividido - Que nenhum silêncio beba dos teus olhos ...
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⁠O Tempo Dividido - Que nenhum silêncio beba dos teus olhos ... Nenhuma estrela toque a tua noite ... Que nem de madrugada se pronuncie o teu nome porque em ti já nada é puro ... Não há sonhos ... Não há ondas em mar alto ... ... nem vontade de ser livre com o vento. Só há coisas vagas! Palavras vãs no interior do tempo dividido.

⁠Overdose - (o Corpo entre o "demónio e a Alma" ) Abre-se uma estranha porta ao desconhecido ... um infinito de punhais, um demónio sem rosto.
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⁠Overdose - (o Corpo entre o "demónio e a Alma" ) Abre-se uma estranha porta ao desconhecido ... um infinito de punhais, um demónio sem rosto. Algo entra - profundo, intenso, poderoso, dominador. A Alma humana é empurrada a um precipício de trevas internas angustiantes. Desce-se aos infernos da psiqué num continuado estado de permanência, um purgatório interior que sufoca, controla, manipula, por tempo indeterminado. Uma dificil luta interior entre esse estranho que se instala e nós próprios que queremos, exigimos o corpo de volta. É ser caçado dentro de nós mesmos sem ter meio de fuga. Só a força interior nos pode proteger, a fé e a vontade de voltar a ter "a casa" de volta e expulsar o invasor. E nessa batalha travada no corpo evidenciam-se o demónio e a Alma. A eterna luta entre o Bem e o mal. Aproximam-se Seres. Alguns querem proteger-te outros querem ter oportunidade de tomar-te o corpo também. E tu, ali estás, como um vidro partido, parado a meio tempo, estático, diminuido, num passo de impasse sem saber o teu destino ... rezando ... porque parte de ti está consciente mas a outra já foi tomada. É um medir de forças injusto e doloroso. Altera-se a percepção da realidade. Há paranóias, alucinações, desorientações sem espaço nem tempo, estados de pânico continuos e progressivos. A ansiedade parece lentamente diminuir ... mas volta sem piedade. E há náusias, vómitos, tonturas, não te sentes nem te vês. Uma espiral que ora sobe, ora desce, conforme a tua força interior sobe para a tua fuga e desce para te enterrar. Um vai e vem onde a meio da luta a tua já pouca humanidade consciente te traz à parte do cérebro que pouco dominas, imagens, histórias, pessoas, vivências, sonhos, planos, saudades dos mortos, medo de perder os vivos, é um quase descontrolo que o outro lado te gera pelo medo, pela ângustia, pela ansiedade. E é aí nesse limbo que te situas! Não adormeças, não podes adormecer, não deixes que "ele" te convença que adormecendo vai passar, é mentira, se adormeceres "ele toma-te", todo, por inteiro. E a questão não é se acordas, mas sim, como acordas. Podes nunca mais voltar a ser o mesmo. Enfrenta-o, sê tu, determinado a deteres o teu corpo de novo mas verás que nada voltará a ser como foi. Não serás o mesmo mas serás mais forte ...

⁠Gonçalo Salgueiro por Ricardo Maria Louro - Quando tu nasceste
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⁠Gonçalo Salgueiro por Ricardo Maria Louro - Quando tu nasceste no céu da tua noite cintilaram as estrelas mais doces ouviram-se as melodias mais ternas. Fixaram-te os horizontes fugidios dançaram os poentes sobre o mar e até a Lua, envergonhada, se ocultou do firmamento! O vento, ora vento brando, ora vento Norte cantou ao menino d'oiro ... És tu o vento! Um sopro de saudade... E há quimeras, há silêncio - pausa e silêncio, obtusas lágrimas por chorar, carentes em galgar-te a face! Porque as seguras?! Porque as susténs?! Porque as não derramas se quando caem transformam-te o canto, moldam-te os versos, abrem-te a Alma ... Deixa que docemente te humedeçam a face e te possuam o timbre da voz. Por ti! Por mim! Por todos nós! E depois ... depois sorri ... sorri chorando nas margens de um rio junto ao tronco de um Salgueiro, aí, onde morrem e renascem as lendas dos amores ... ... eternas, sagradas, intemporais. Tu estás vivo, tu és vida! "Deixa que os mortos sepultem os seus mortos ..." e segue, veste a roupagem das andorinhas e canta, canta, porque dás mais vida à vida com teu canto e tudo renasce, tudo é novo, de novo! Não os oiças! "Eles" não sabem o que dizem! Avança no trilho do coração ... E um dia ... um dia tudo será como antigamente porque voltarás aos braços quentes da tua Mãe ... para sempre! *Para o cantor, fadista e autor Gonçalo Salgueiro.

⁠Silêncios e matizes - Sem ti, meus dias tristes são lilases, sempre à espera daquilo que nunca dizes
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⁠Silêncios e matizes - Sem ti, meus dias tristes são lilases, sempre à espera daquilo que nunca dizes do tanto que de ti anseio e nunca fazes do teu olhar pintado de silêncios e matizes. Lá longe mal te vejo mas ainda ouço o som dos poemas que te compus sinto um aperto, uma corda no pescoço, como se fosse um Sol em contra luz. Há nos campos flores brancas e amarelas de toda a parte oiço a voz das ventanias há gente espreitando p'las janelas encostada à sombra dos seus dias. E o vento traz o eco do teu nome um estranho odor de oliveira e de mel mas hoje, de ti, ainda tenho fome louco que sempre fui p'la tua pele.

⁠À Porta das Manhãs - Fixei no espelho o meu reflexo, reparei que p'lo meu rosto havia passado o tempo
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⁠À Porta das Manhãs - Fixei no espelho o meu reflexo, reparei que p'lo meu rosto havia passado o tempo mas não me reconheçi, não me encontrei e apenas me invadiu um pensamento: a vida fez-me parar à porta das manhãs porque nunca fui capaz de ser o primeiro a penetrar os sonhos em horas vãs para conseguir ser um Ser inteiro! No espelho pus a mão na minha mão os dedos pareciam retesados, hesitantes, nesse instante tremi, cai no chão e lá estava eu como sempre, como dantes. Senti medo, fel, solidão, fome ... Noutro tempo, quando eramos os dois, bastava chamar pelo teu nome e desvaneciam o antes e o depois. Quis partir, pus a vida sobre a mesa com dor, amargura, sofrimento, e quis morrer ali, tive a certeza mas adormeci nesse momento. Se já não posso estar contigo ter de volta tudo o que foi nosso embora ninguém oiça o que digo chorar sobre este espelho ainda posso.

⁠Calado simplesmente - Ao despertar a vida parece-me hedionda, um barco sem horizonte nem Luar...
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⁠Calado simplesmente - Ao despertar a vida parece-me hedionda, um barco sem horizonte nem Luar... Será talvez por ver nas vagas ondas uma imensa vontade de naufragar. Quando desperto dormem as fontes e as gaivotas ao vento perdem penas a saudade manifesta-se nos poentes e eu visto todo o corpo de poemas. Às vezes o silêncio sabe a chuva e o peso do destino sobre os ombros cheira a malvasia, sabe a uvas, parece um cair de tarde sobre pombos. Ninguém me há-de saber os medos os que trago em abismos infinitos a frieza retesada dos meus dedos e a agonia penitente dos meus gritos. Porque a vida na verdade é uma pluma em que sou um vendaval, subitamente, talvez nunca seja coisa alguma sendo eu calado simplesmente.

⁠Linhas desoladas - Se a vida tivesse sido outra outra teria sido a nossa história,
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⁠Linhas desoladas - Se a vida tivesse sido outra outra teria sido a nossa história, agora, a memória é tão pouca, triste, permanente, obrigatória. Meus olhos de mágoa e leite cheios de chuva, silêncios e cansaços e a sombra do teu corpo num tapete aconchegada nos meus braços. A solidão ardendo ao pé do lume o espelho sem reflexo nem paisagem e a vontade de subir, chegar ao cume, contemplando a tua imagem. Que saudade de estarmos sempre assim vestidos de paixão - doce, intacta, hoje, escrevo versos sobre ti nas linhas desoladas de uma carta.

⁠Despojado de mim - Despojado de mim aqui me encontro
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⁠Despojado de mim - Despojado de mim aqui me encontro mártir do tempo; oblíquo, amargo fim a que chega um conto na voz do vento ... Despojado de mim aqui me entrego à dor da despedida; digo não, digo sim nada vejo, estou cego nos caminhos da vida. Despojado de mim aqui termino com vontade, sem pena; a vida é assim mas de mim germino de Alma limpa, plena. Despojado de ti leda noite fria sem Lua nem luar; (noite que te perdi!) o vento gemia fechou-se o meu olhar.

⁠Ledas horas - Esta fria e densa solidão feita de silêncios e saudade
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⁠Ledas horas - Esta fria e densa solidão feita de silêncios e saudade possuiu-me logo o coração desde o principio da idade ... Cheia de caminhos, sem nada, tirou-me da vida claridade e minha mãe, pobre; coitada, pariu-me sem vontade ... E as lágrimas em fio cairam-me cansadas, tremendo à noite, cheias de frio! E tantas ... ledas horas magoadas que vi pairando no vazio por ver minh'Alma abandonada ...

⁠Outro Começo - Neste mal sentir em que me encontro, mal estar profundo e inacabado,
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⁠Outro Começo - Neste mal sentir em que me encontro, mal estar profundo e inacabado, sou de mim cativo, por isso conto, sou um prisioneiro do Passado! Quem me dera ser outro além de mim alguém firme e certo do caminho capaz de fazer da vida Não ou Sim traçando as linhas do destino! Mas há pedras! Tantas! Tantas! Tantas! Buracos, vales, covas e cabeços e o cemitério cheio de campas ... Eu vendo solidões a bons preços, quem dera mas comprassem almas Santas para que eu tivesse outro começo!

⁠É Noite - É Noite! E é noite na minh'Alma ... É noite adentro ao meu coração
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⁠É Noite - É Noite! E é noite na minh'Alma ... É noite adentro ao meu coração carregado de saudade. É noite - em breve madrugada e o dia chegará! É Noite! E é noite em minha casa ... É noite à minha mesa num abismo etéreo e profundo. É noite - em breve madrugada e o dia chegará! É noite! E é noite em meu olhar ... É noite no meu corpo, nos meus gestos. É noite - em breve madrugada e o dia chegará! É noite! E é noite em minhas mãos... É noite em minhas veias, nos meus ossos, nos meus dedos. É noite - em breve madrugada e o dia chegará! E é noite em minha cama ... É noite nos meus sonhos ... Noite austera e profunda sem ter principio nem ter fim ... É noite - chegou a madrugada mas o dia não virá!

⁠E a vida é assim - E a vida é assim cheia de principios e de fins
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⁠E a vida é assim - E a vida é assim cheia de principios e de fins cheia de alegrias e de mortes e até a própria sorte está cansada de ter fim ... Mas a vida é assim um abismo entre ti e mim da juventude à velhice vou dizer o que já disse a vida é assim! Às vezes cheira a jasmim há o não e há o sim talvez o sim uma saudade o não uma vaidade porque é que a vida é assim?! Por vezes feita de cetim nem sempre é um jardim um silêncio, uma quimera e na verdade, quem nos dera que não fosse tão ruim. Mas a vida é assim tem principio e tem fim nós nascemos a chorar não passamos sem amar 'inda bem que a vida é assim!

⁠Rés-do-Chão da Vida - Eu vim do rés-do-chão da vida de uma vontade inconcebível
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⁠Rés-do-Chão da Vida - Eu vim do rés-do-chão da vida de uma vontade inconcebível do instante sem despedida de tudo o que não é possivel. Eu vim com asas quebradas e na vontade de voar vi a Alma abandonada nas margens da vida a soluçar. Eu vim de onde ninguém vem da estranha noite dos meus medos da vontade que ninguém tem de ver a nú os seus segredos. Eu não sei de onde vim ... Trago a Alma em sangue, ferida, tão perto e tão longe de mim eu vim do rés-do-chão da vida.

⁠⁠Nasci Cansado - Trago os sentidos carregados de poesia ... As mãos, os olhos, os gestos, as palavras
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⁠⁠Nasci Cansado - Trago os sentidos carregados de poesia ... As mãos, os olhos, os gestos, as palavras tudo me grita num só brado, dia-a-dia, flores e silêncios que o destino não me dava. Nasci cansado à esquina da vida, sem saber onde estava ou d'onde vinha de cada encontro fiz uma despedida sem saber quem era ou que Alma tinha. E o que importa a quem não é saber onde está se a âncora do barco nunca foi capaz de contra o vento segurar a vida?! E nunca mais a minh'Alma desconhecida há-de chorar em verso ou viverá p'ra tomar as redeas d'um destino pobre e incapaz!

⁠Memória - A vida é um vai e vem que tantas vezes vai e vem
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⁠Memória - A vida é um vai e vem que tantas vezes vai e vem e volta sem sentido. Tantas outras, muitas, é um jardim florido cheio de rosas plantadas à beira mar... É um campo a Céu aberto onde o rir e o chorar nos invade o coração. Hoje, a saudade, a solidão, cae-me dos olhos do rosto para a mão. Horas que te embalei no berço, te aninhei em meu regaço ... Oiço-te a voz, sinto o teu abraço. Há um eco profundo no meu coração de mãe, um vazio austero que páira pelo mundo. Um címbalo de prata, um vento frio, uma ausência também. Óh carne da minha carne, sangue do meu sangue, parte da minha Alma ... Arde em mim o teu amor, a palavra mãe na tua boca, e a dor é tanta que me vejo triste e louca. E na verdade a vida é tão pouca, tão pouca ... Não sei onde encontrar-te. Haverá rios ainda que corram em qualquer parte?! Mães que amamentem filhos?! Em mim não nasce nada. Só a fé de quem está cansada. E esta noite vou adormecer na minha cama pensando em ti minha doce Mariana. (Poema para uma amiga que perdeu uma filha.)