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Frases de Ricardo Maria Louro

1.100 frases

⁠Ao Sonhar - Há sonhos incompletos nas madrugadas que trazemos no coração ...
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⁠Ao Sonhar - Há sonhos incompletos nas madrugadas que trazemos no coração ... Verdades singulares que nos invadem o pensamento, oblíquas solidões cheias de palavras ao acaso. E a noite é vã ... e é vão adormecer porque dormindo despertamos ilusões ... ... e há cansaços! Mas por vezes, acordados, é-nos mais pesado o destino do que dormindo, porque dormindo, fora a morte, sempre despertamos!

⁠- Complexidades - Num passo de silêncio sem misérias nem vaidade
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⁠- Complexidades - Num passo de silêncio sem misérias nem vaidade acreditei que a vida me podia dar futuro ... Mas ao contrário, deu vazio, deu-me lânguidas noites carregadas de demónios do passado! E escrevo: De manhã anoiteço à noite tardo, da morte cativo a vida é um fardo ... Aqui a vida, de frente a Norte, passo a passo, coisa vã, dirijo-me à morte ... Morro hoje ... nasço amanhã!

⁠- Calma e Silêncio - Há vontade de morrer em meu Espirito breve!
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⁠- Calma e Silêncio - Há vontade de morrer em meu Espirito breve! Nenhuma ausência há em mim além de mim ... Meu rosto é de silêncio, oblíqua madrugada, vontade de negar e não ceder. Minh'Alma é breve, tão breve como breve é o instante! Tudo é passageiro, nada fica, é destino ... É a calma e o silêncio de quem se aceita, entrega, resigna ... Estou só! Sempre só!

⁠Há qualquer coisa - Há qualquer coisa d'infinito nas vagas linhas do horizonte
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⁠Há qualquer coisa - Há qualquer coisa d'infinito nas vagas linhas do horizonte uma quimera sem sentido ou uma saudade sem fonte ... Há qualquer coisa que nos negam os olhos fechados de quem parte um não sei quê d'águas sem arte onde os barcos não navegam ... Há qualquer coisa permanente que nos injecta mágoa e solidão uma visão errante, um senão ou uma vontade de ser diferente ... Há qualquer coisa dita em vão nas bocas que maldizem o amor inveja, dor, mágoa e solidão que vai matando sem pena nem pudor ... Há qualquer coisa que não sabemos oculta no tempo que nos castra talvez seja a distância que nos arrasta da juventude que perdemos ... Há qualquer coisa, muita, tanta coisa inerente à vida sobre a Terra a ausência de paz é guerra mas o destino é a pedra de uma lousa.

⁠Praia dos Mortos - As manhãs vagas; sombrias
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⁠Praia dos Mortos - As manhãs vagas; sombrias pairam densas sobre a Praia dos Mortos, vem as madrugadas duras, frias cheias de silêncio e águas paradas ... O que restou dos sonhos dos mortos?! ... Esperam neste cais o regresso à vida; vivem de memória ninguém os vê, vivem de saudade e da velha história ...

⁠A URGÊNCIA DO HOSPITAL DE ÉVORA NÃO É O QUE DIZEM ... No Passado dia 14 de Janeiro quando ao final da tarde fui chamado pela mãe para regressar a casa porque a avó Clarisse de 92 anos estava estranha não imaginava o que se viria a passar. Quando cheguei a casa encontrei-a apáti…
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⁠A URGÊNCIA DO HOSPITAL DE ÉVORA NÃO É O QUE DIZEM ... No Passado dia 14 de Janeiro quando ao final da tarde fui chamado pela mãe para regressar a casa porque a avó Clarisse de 92 anos estava estranha não imaginava o que se viria a passar. Quando cheguei a casa encontrei-a apática, pálida, sem qualquer reacção. Fiquei apavorado. Note-se que esta avó me é muito importante. Aflito e depois do conselho de uma vizinha Médica, que imediatamente e sem pestanejar acorreu a minha casa, a quem muito agradeço, chamei o INEM. Ágeis, três Bombeiros de Arraiolos trataram a avó com enorme delicadeza e amabilidade prestando-lhe os primeiros socorros levando-a de imediato para a Urgência do Hospital do Espirito Santo de Évora. A eles o meu muito obrigado. Acompanhei-a. No Hospital foi atendida, encaminhada, devidamente medicada. Todo este processo durou alguns dias e as minhas idas ao hospital eram constantes. Vi ali de tudo. Mas o que vi não abona em favor dos familiares dos doentes. Como é possivel que pessoas que tem os seus familiares debilitados os levem para a Urgência para serem tratados por quem lá está com essas funções e mal tratem as pessoas que os vão tratar?! Poucas vezes lhes ouvi sair das bocas as palavras, por favor, com licença e se faz favor. E atenção porque eu estava nas mesmas condições, era familiar de uma doente. Vi falta de macas, de lençois, de camas, de espaço, exames que levam tempo a dar resultados porque é mesmo assim, médicos e enfermeiros a fazer turnos de 24 horas, funcionárias de recepção esgotadas a lidar com doentes, médicos, familiares por vezes dificeis. E as familias a atrapalharem ainda mais quem queria trabalhar para lhes salvar os entes queridos. Bizarro! E de quem é a culpa de todas estas faltas de condições? Do hospital? Dos médicos? Dos enfermeiros? Dos funcionários em geral? Não! E nós sabemos que não! As politicas que nos governam e dizem que está tudo bem só querem votos. Mas isso já sabemos (é pena é que andemos aqui a votar em partidos em vez de votarmos em pessoas). Mas afinal quem é que é acusado destas faltas? Aqueles que estão à mão. Os que por graça ou ironia precisamos que tratem os nossos familiares. Mas estamos todos loucos? Então atacamos e mal tratamos quem precisamos que ajude os nossos doentes? Vi ali tanta coisa desagradável. Entre a impotência de médicos, enfermeiros, funcionárias de recepção, triagem, seguranças, auxiliares, senhoras da limpeza, todos sem poderem fazer nem melhor nem mais rápido porque estão limitados pelo espaço e pelo tempo e os sucessivos ataques de quem precisa dos doentes tratados disparando aleatóriamente acusações despropositadas. Ouvia constantemente aos gritos: "Na semana passada, há dias ou ontem, ouvi dizer que vocês iam deixando morrer aqui ..." Mas passa pela cabeça de alguém que numa urgência um médico ou enfermeiro deixe morrer propositadamente outro ser humano naquela situação?! Fiquei horrorizado!!!! Por vezes vi funcionários chorarem. Ficarem desolados. Ao que nós chegámos! Pessoas que afirmo estarem a dar o seu melhor e afirmo porque vi, experienciei na pele. Pois venho aqui dizer que ninguém sabia quem eu era nem quem era a avó quando ali entrei. E desde a porta da entrada, do segurança ao médico, passando por todos os funcionários da urgência do Hospital do Espirito Santo de Évora só posso reconhecer e agradecer tudo o que fizeram pela a avó e por quem lá estava a ser tratado. E estava lá muita gente doente. Ninguem nos privilegiou ou escolheu pelos nossos olhos. A delicadeza, a disponibilidade, a amabilidade com que fui recebido, tratado, encaminhado ajudou-me muito a ultrapassar este momento dificil que durou quase oito dias e que sei que ajudou nas melhoras da avó. Fui tratado como um ser humano e talvez porque os tenha trado igual no principio. Estou grato a todos e venho aqui publicamento dize-lo porque merecem que o diga, que o publique, que se faça saber. É necessário ser-se mais compreensivo com quem precisamos que trate dos nossos doentes. E assim o quis e tentei fazer desde o inicio talvez porque a avó sempre me tenha ensinado que reconhecimento e gratidão geram abundância. Abundância em caridade e amor com quem nos está próximo em cada minuto de vida ainda que não saibamos quem é. Quanto a avó já está em casa a recuperar. A quem trabalha no Hospital de Évora, essecialmente na Urgência, estou-vos profundamente grato por muito, por tanto porque reconheço o vosso mérito e vejo as dificuldades em que estão imersos numa profissão que se tornou tão ingrata. Rezo por todos para que Deus vos conceda a capacidade e a paz interior mais do que tratar dos doentes saberem lidar com quem os leva ao hospital porque a Urgência do Hospital de Évora não é o que dizem. Um neto grato e reconhecido

⁠O Natal e a Guerra - É Natal ... o silencio despe o infinito
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⁠O Natal e a Guerra - É Natal ... o silencio despe o infinito e o mundo veste-se de guerras. Há mães que choram filhos mortos, pais que choram pais, mortos que não partem, tanta gente sem rumo. Não sei se é Natal! Não pode ser Natal! É Natal ... as lágrimas jorram como fontes secando as fontes d'água. Gente sem casa, sem comida nem familia. Corações despedaçados suplicando por amor. Não sei se é Natal! Não pode ser Natal! É Natal ... o Sonho de Belém é destruido ... ... a manjedoura está vazia e vazia está a humanidade. Não sei se é Natal! Não pode ser Natal! O Menino retira-se da gruta. Não há cânticos de Glória nem estrelas no firmamento, o manto da noite veste Belém. O silencio despe o infinito e o mundo veste-se de guerras ... Não é Natal! Ali ... não pode ser Natal...

⁠Encontro - E quando nos cruzamos com pessoas que nos encantam
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⁠Encontro - E quando nos cruzamos com pessoas que nos encantam há um brilho que encontramos e os olhos não se cansam... E não se cansa a nossa voz nem tampouco a alegria não voltamos a estar sós seja noite ou seja dia... Momentos são momentos passam breves, sem parar, mas amigos são amigos, servem sempre para amar ... Quando vi o seu olhar profundo, verdadeiro na vontade da abraçar senti-a toda, por inteiro. E a vida marca o ponto vivo-a sempre com emoção, hei-de guardar o nosso encontro nos reservados do coração. (Para a minha querida Cinha Jardim.)

⁠Abre a Janela - (Para Maria João Quadros) Nunca mais sentirei o teu abraço nas noites de fado
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⁠Abre a Janela - (Para Maria João Quadros) Nunca mais sentirei o teu abraço nas noites de fado nas vielas escondidas, nas travessas tortuosas, nunca mais saberei do teu coração cansado dando voz às guitarras virtuosas... Para onde foi o timbre da tua voz?! A suavidade com que me tocavas o rosto?! Não ouves ... mas estou aqui ... a sós ... ausente de mim, sem vontade nem razão, dentro do corpo. Incapaz de voltar atrás ... a morte chegou ... ... sinto-me impotente ... cheio de frio e solidão! Mas a vida é um ciclo, não pára nem parou e em nós bate ainda o teu coração... Teu rosto, teu perfil, tudo endureceu alumiado à chama de uma vela, não deixes quem te ama e não morreu "meu amor abre a janela!" (Na Basilica da Estrela em Lisboa. À minha querida Maria João Quadros com todas as saudades possiveis e imaginárias tipicas de quando nos afastamos ... guardo-a no coração ... para sempre.)

⁠ROMA - No desejo das palavras por dizer que o silêncio guardou na voz de cada fonte,
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⁠ROMA - No desejo das palavras por dizer que o silêncio guardou na voz de cada fonte, Terra d'heróis que não nos cabem conceber, trago de repente Roma no horizonte! Tudo me grita outro tempo ao passar por entre mudas estátuas que se erguem a cada canto desta Roma singular que meus olhos rasos d' água já não temem. E vejo-me passar por entre a neblina revejo-me nos olhos, nas vozes desta gente, cruzo-me comigo nas ruas, a cada esquina como se voltasse a um Passado 'inda Presente. Como se meu túmulo fosse um túmulo de pedra às portas de tantas Glórias aqui adormecidas; passa a vida mas o sonho nunca medra e voltamos ao ponto das despedidas. Estou em Casa mas tenho saudade... A distância faz-me perto por meu mal! De regresso ... volto à minha cidade mas sinto saudades de Roma em Portugal. (Escrito na Igreja de Santa Maria in Trastevere junto ao Palácio de S. Calixto em Roma)

⁠Manuel de almeida: Poesia, Fados e Destino - Quando algures se presta homenagem a uma ilustre figura que imprimiu no mundo a sua “digital criativa”, é quando, verdadeiramente, se cumpre e se manifesta a alma de um Povo. É quando se expressa, no mais vasto sentir de uma pátria,…
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⁠Manuel de almeida: Poesia, Fados e Destino - Quando algures se presta homenagem a uma ilustre figura que imprimiu no mundo a sua “digital criativa”, é quando, verdadeiramente, se cumpre e se manifesta a alma de um Povo. É quando se expressa, no mais vasto sentir de uma pátria, aquilo que de mais intenso e grandioso a precede e antecede. Isso que faz dela a ramagem que dá vida às folhas que brotam, num verde jucundo, dos ramos de uma árvore altiva e frondosa. A imponente e grandiosa copa de uma árvore que se ergue ao céu pelos tectos do princípio ao fim do mundo. É assim o punho de um poeta ou a voz de um rouxinol… Manuel de Almeida. Um poeta solitário que canta a voz de um povo. E sê-lo, é saber profundo, pesado e leve de um passado distante, rude e austero, feito de idealismo sublime e arte manifestada. Força que emana de cada pensamento no doloroso silêncio de uma vida vivida, de um sonho total. De uma verdade expressa, de uma entrega inteira, real, sincera, altruísta, sensível, e até, quase cruel… Manuel de Almeida, alguém atento, à vida que foi, à vida que é – ainda – sem o ser, porque o já foi, sendo-o. Alguém nas várias dimensões do tempo, projectado na grandeza panorâmica dos seus versos e do seu canto… “Quando chegar a hora da partida ordenada por Deus omnipotente quando os anjos cantarem nova vida o meu fado talvez seja diferente. E quando for a festa do meu dia no mundo imaginário que sonhei quero beber o vinho d’alegria e abraçar os amigos que encontrei. Suspenso no meu fado, nem reparo, no tempo de marcar a minha vez quero morder o pão que me foi raro nesta minha passagem com vocês.” Bravo Manuel de Almeida! Bravo! Este teu “Até Sempre” permanecerá sempre, aqui e ali, em nós, teu Povo, tua Gente, em cada canto, para sempre! Bravo! Bravo! Tão poético! Tão Fadista! Tão português … Plasmando nos olhos e nos sentidos de cada um a imensidão da tua alma. Rubra e intensa, quando ao cair da noite as guitarras ainda se perfilam no horizonte das vielas e a tua voz se ergue de mãos postas pisando as penas de uma vida que nos vive. O que de ti para nós é o Fado! Isso que súbito, e em cada um, acorda e desperta uma memória longínqua e difusa de eternidade. Profunda e intensa. Indefinida nostalgia amarga e doce de algo que se sabe e se esqueceu. Perante o fado que é o teu todos somos poetas… Todos sentimos frente à tua eterna e humilde presença, a dor e a grandeza da humanidade, esse património impresso no sangue lusitano desta pátria singela e amada a que todos pertencemos e erguemos como um facho a arder nas madrugadas transformando a noite escura em dia claro. A fé profunda das palavras que nos falam de ilusão, a sabedoria e o êxtase dos sentidos despertos em horas de fado, bem ou mal fadado, e os abismos nocturnos onde se afundam lamentos que desejamos transcender. A nossa alma! Tudo o que sempre foi e é este país mais do que qualquer outro. O teu, o meu, o nosso país. Este Portugal à beira mar, esta Lisboa de encantar adornada pelo Tejo. E as palavras não se esgotam, dizem os poetas. Perante ti, Manuel de Almeida, não se esgotam, mas não chegam, já não vibram… “As palavras são como um cristal, algumas um incêndio. Outras orvalho, apenas. Secretas, vêm, cheias de memória. Tecidas de luz que paraísos de unidade activam ainda. Quem as escuta? Quem as recolhe?” Diz Eugénio de Andrade Recolhe-as o poeta, escuta-as o fado… digo eu! Nós somos, por isso, uma gente de mágoas, um Povo solitário, grandioso na partida e maior à chegada… “Óh gente da minha Terra, agora é que eu percebi, esta tristeza que trago foi de vós que a recebi.” Disse Amália. Manuel de Almeida escreveu: “E quando for a noite do meu fado fado que me foi dado de raíz quero cantar até ficar cansado numa canção de amor ao meu país.” Obrigado Manuel de Almeida. Por seres poeta, por seres fado, por tão bem sentires a tua pátria, o teu Povo, a tua raíz, a tua Gente. Por viveres e fazeres acontecer em ti e de ti a alma portuguesa. Manuel de Almeida: Poesia, Fados e Destino … Cascais, 27 de Abril de 2015 Jantar de homenagem a Manuel de Almeida.

⁠Passo das Rosas - Há espaços que nos tocam que nos enchem de emoção
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⁠Passo das Rosas - Há espaços que nos tocam que nos enchem de emoção lugares que nos convocam às leis do coração. Na Azóia de Baixo de Santarém afastada há uma casa que abraço revestida de madrugada. Tem amigos como irmãos são da Alma nossos pares pondo a mão nas suas mãos enfrentamos sete mares. Nesse espaço fervoroso onde habita o coração paira um ar meticuloso carregado de emoção. E há poesias e saudade plantadas pelo chão não há espaço p'ra vaidade nem lugar p'ra solidão. Lá habita um tesoiro um bem que não se explica é maior que todo o oiro ou que a pessoa mais rica. Nessa casa afastada a familia dos amores fez por lá sua morada rodeada de mil flores. "São Rosas Senhor ... são Rosas ..." as mais belas que plantei mas ainda que espinhosas são para aqueles que tanto amei. A espiral que nos eleva vai do berço ao caixão nesta casa não há treva que nos sepulte o coração. E as sombras desvanecem frente às guerras do mundo os abraços permanecem renascendo lá do fundo. A casa é de todos os que venham só por Bem há muitos, não são poucos não se fecha p'ra ninguém. E vejam caminhantes as Almas mais formosas que de nunca distantes há no Passo das Rosas. Ricardo Maria Louro 26/06/2023 do Ano de N.S.J.C. À Familia PERDIGÃO NEVES e ao Seu Passo das Rosas. P.S./ Há Espaços geográficos que vibram como ninhos de Águias. Pontos de meditação - âncoras de Vida interior ...

⁠Nunca ... nunca mais ... Passa a noite e a madrugada já não dói o teu desdém
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⁠Nunca ... nunca mais ... Passa a noite e a madrugada já não dói o teu desdém se eu p'ra ti não fui nada tu p'ra mim não és ninguém. Desde a hora em que partiste e que o fizeste sem razão foste embora nem sentiste que o silêncio se fez noite adormecido em minha mão. Só não morre a nossa História feita de sombras e memória à luz do sonho e do luar; as manhãs ficam cansadas as fontes amarguradas nós sozinhos junto ao mar. Sofrer às tuas mãos não quero mais amar-te já não quero, já nem sei teus olhos tristes, frios como punhais nunca, nunca mais os procurei.

⁠Teimamos - Estamos sós! Teimamos em ficar no lugar de onde não
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⁠Teimamos - Estamos sós! Teimamos em ficar no lugar de onde não somos, em partir do lugar que por dentro conhecemos ... Move-nos uma vontade de ser mais , ir mais longe, à conquista de um por fora que por dentro é vazio, cheio de vento, sem vontade nem razão ... Somos vagos ... somos mágoas ... Teimamos em ser o que não somos, fazemos ao contrário o que devia ser diferente, o pó da estrada consome-nos por dentro - denso, sujo, acumulado - sabemos que a ele um dia voltaremos, cheios de medos e errâncias , com caminhos percorridos , atalhos que perdemos, noites fechadas nas nossas próprias noites ... Estamos sós! E teimamos em ficar ...

⁠Brado - A Sabedoria na verdade vem da voz do coração
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⁠Brado - A Sabedoria na verdade vem da voz do coração nunca deixes que a saudade te traga dor e solidão. Porque é dura esta estrada desde a hora em que se nasce e quem à vida não dá nada do destino nada sabe. Cada ciclo que germina é um grito que se faz brado o que começa e não termina é p'ra nós pesado fardo. E já bem basta o que se sofre até ao dia em que morremos dar à vida o que se pode é somente o que devemos.

⁠E conforta-me saber que não Somos deste mundo que há algo maior que o ter,
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⁠E conforta-me saber que não Somos deste mundo que há algo maior que o ter, mais eterno, mais profundo ... Se aqui a VIDA não começa nem tampouco aqui termina p'ra quê ter tanta pressa em viver numa rotina?! E se um dia Voltaremos ao sitio de onde Somos o que temos perderemos já não pomos nem dispomos! Mas quantas vezes pela dor passará nosso destino até voltarmos com Amor a seguir esse Caminho?!

⁠ Nos teus olhos há coisas que não leio mar alto sem ondas nem maré,
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⁠ Nos teus olhos há coisas que não leio mar alto sem ondas nem maré, fortuna, amor que quis mas nunca veio e continuamente me tem tirado a fé. Em mim há uma fadiga que se instala, um lamento, uma agonia que se inscreve, a musica por fim já não me embala e a falta do teu toque não é leve. Só penso no teu beijo amargo e quente ... ... ái ... aquele instante doce e morno onde nada do que foi é já presente e vive o pensamento ao abandono . Se tu pudesses ver o que não vês as lágrimas inundam a nossa cama só lembram nossos corpos na nudez entrelaçados em gestos de quem ama. Fica entre nós algo vazio que nunca é dois olhos que se tocam num enleio a tua perna encostada no meu pé a minh'Alma reclinada no teu seio.

⁠Eu sou livre - Eu sou livre como os pássaros como as bandeiras ao vento
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⁠Eu sou livre - Eu sou livre como os pássaros como as bandeiras ao vento que trazem barcos e poetas e na memória dos Bárbaros é na passagem do tempo que permaneço como brecha! Eu sou livre como a morte como dois apaixonados que se amam e se destroem e lembro-me, por sorte, daqueles dias cansados que por doerem já não doem! Eu sou livre como a chuva como as folhas ao vento como a voz de uma criança e como lágrimas de viúva sou como o pensamento livre que se alcança! Eu sou livre de prisões das prisões do sentimento das memórias dolorosas e nas minhas afeições quando amei o sofrimento fiz-me livre como as rosas!

⁠Toque Brando - Eu não sei se morro ou vivo quando o teu olhar toca no meu
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⁠Toque Brando - Eu não sei se morro ou vivo quando o teu olhar toca no meu - minha casa, meu silêncio, paraiso - mas se o meu olhar toca no teu sinto que o meu sonho está cumprido. Talvez te prometa um toque brando meu corpo frio, ágil, louco minh'Alma de quando em quando tudo o que trago, um grito rouco talvez te prometa um verso branco. Sonho-te a dormir num longo abraço mar salgado de bruma e espanto e prometo que passo a passo te hei-de ser um doce canto p'ra me aconchegar em teu regaço. Não te prometo nada do que disse meu pássaro de sangue, rio de medo talvez se fosse outro o não sentisse mas digo-te e digo-te em segredo, não volto a repetir o que já disse.

⁠Diz aos dias - Diz aos dias que passem rápido para vires para o pé de mim
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⁠Diz aos dias - Diz aos dias que passem rápido para vires para o pé de mim o destino malogrado é sádico juntou-nos e afastou-nos por fim! Vai ... diz aos dias que passem, não consigo viver assim, sem ti, grito aos teus braços que me abraçem desde aquele instante em que te vi. E aqui estou, despido em hora exacta, sinto-te passar sob uma aragem, és saudade que não tem data ... Há entre nós uma longa margem um címbalo de bronze e prata que prega no meu corpo a tua imagem.

⁠Lembrem-se de mim - Lembrem-se de mim por aquilo que sempre fui não guardem este meu estranho e triste fim;
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⁠Lembrem-se de mim - Lembrem-se de mim por aquilo que sempre fui não guardem este meu estranho e triste fim; na verdade neste mundo nada se possui guardem em vocês o melhor que houve em mim ... Amem enquanto é possivel, a morte nao avisa, vou-me embora, vou passar a outro mundo mas não chorem, que não haja despedida porque o misterio onde habito é mais profundo. A saudade ficará em meu lugar, bem o sei, mas levo-vos em mim para o sitio onde vou guardem, cada um, todo o amor quanto vos dei. E no ocaso do momento, não vos digo adeus, mas não batam à minha porta, já lá não estou, porque agora entrego a minh' Alma a Deus. (... se tiverem saudade isso significará o vosso amor por mim porque a saudade é o amor que fica ... a saudade nada mais é do que a presença da ausência ...)

⁠Ao Abandono - Mal nos vimos brotou a palavra amor, os olhares, os gestos, um toque de ventanias ...
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⁠Ao Abandono - Mal nos vimos brotou a palavra amor, os olhares, os gestos, um toque de ventanias ... As vontades, os sonhos, tudo da mesma cor, "eu gosto de ti" - tantas vezes me dizias! E havia qualquer coisa de paisagem na expressão do teu olhar magoado carregando de solidão a tua imagem cheia de memórias do passado. E pus as mãos sobre o teu corpo na distância, na vontade de o tocar, pensei que fosses minha casa, meu porto mas foste um sonho que ao passar me deixou ao abandono, absorto, nas margens do silêncio a chorar ...